A atriz Luana Piovani chamou o cantor Leonardo de “lixo humano” ao compartilhar, nesta terça-feira (02), um vídeo sobre o resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda ligada ao sertanejo. A publicação relembra uma fiscalização realizada na Fazenda Talismã, em Jussara, Goiás, onde seis pessoas foram encontradas em situação considerada degradante.
O vídeo foi divulgado pelo criador da página Um Preto que Pensa. Na gravação, ele afirma que os fiscais do trabalho resgataram seis trabalhadores, entre eles um adolescente de 17 anos. Segundo o relato, o jovem dormia sobre tábuas colocadas acima de galões de agrotóxico. O local não tinha sanitário e apresentava fezes de morcegos nas proximidades.
Além de descrever as condições encontradas na propriedade, o criador de conteúdo criticou uma declaração anterior de Leonardo, segundo a qual o cantor não conhecia os trabalhadores que estavam na fazenda. “O cara compra uma fazenda, mas não quer nem saber quem trabalha lá”, afirmou no vídeo compartilhado por Piovani.
Leonardo foi incluído, em 2024, na chamada “lista suja” do trabalho escravo. O cadastro é mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. A atualização publicada em outubro acrescentou 176 novos nomes à relação.
O cantor aparece no cadastro por seu nome civil, Emival Eterno da Costa. A inclusão está vinculada a uma operação de fiscalização realizada em novembro de 2023, em uma área da Fazenda Lakanka, anexa à Fazenda Talismã. Ao todo, seis pessoas foram resgatadas durante a ação. Outras 12, conforme o relatório, trabalhavam “na mais completa informalidade”.
Relatório de fiscalização acessado pela Repórter Brasil apontou que os trabalhadores dormiam em uma estrutura improvisada, sem camas, pia ou banheiro. O ambiente também tinha fezes de morcegos e galões de agrotóxico, condições que foram consideradas incompatíveis com os padrões mínimos de segurança e dignidade exigidos para alojamentos.
Após o caso, Leonardo pagou R$ 94.063,24 em multa ao Ministério Público do Trabalho e desembolsou R$ 225 mil em indenizações. Do total destinado às reparações, cada trabalhador adulto recebeu R$ 35 mil. O adolescente de 17 anos recebeu R$ 50 mil. Os valores foram estabelecidos em um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União. Depois dos pagamentos, o caso foi arquivado.
Leonardo afirmou que a área estava arrendada a terceiros para o plantio e negou responsabilidade direta pelas condições dos alojamentos. Em vídeo publicado nas redes sociais, declarou que desconhecia a situação encontrada pela fiscalização. “Foi lavrada uma multa para mim, como proprietário da fazenda, mas pagamos e está tudo arquivado”, disse. O cantor também afirmou ser “totalmente contra esse tipo de coisa”.
A fiscalização, no entanto, concluiu que Leonardo continuava responsável pela área. Mesmo com o arrendamento, caberia ao proprietário garantir condições mínimas de estrutura e segurança no local. Com base nessa avaliação, o Ministério do Trabalho entendeu que havia responsabilidade direta e manteve a inclusão do nome do cantor no cadastro. A “lista suja” tem validade de dois anos e não permite recurso.












