A atriz Claudia Raia, de 59 anos, revelou que, na juventude, foi presa e posteriormente fichada pelas autoridades argentinas. A declaração foi feita durante uma entrevista ao talk show “Ambulatório da M.O.D.A.”, conduzido por Gabb, que será exibida nesta quinta-feira, 15, às 19h, embora um trecho do depoimento já esteja disponível nas redes sociais. Segundo a atriz, a detenção ocorreu quando ela tinha apenas 15 anos de idade, durante uma viagem ao país sul-americano.
Claudia explicou que, na época, integrava o elenco do espetáculo de teatro de revista intitulado “Sexcitante”, ao lado da famosa apresentadora Susana Giménez. A artista descreveu o contexto político e social da Argentina dos anos 1980, um período marcado por forte repressão contra a comunidade LGBTQ+ sob a ditadura militar, que perdurou até o final daquela década. Ela destacou que, naquela época, a repressão era tão intensa que “os gays eram proibidos de existir”, conforme suas próprias palavras.
A atriz relatou que, durante uma visita ao país, foi abordada por policiais em um restaurante onde estava acompanhada por um grupo de 19 homens gays. Ela estava sentada junto ao grupo, sendo a única mulher, com uma maquiagem considerada exagerada na época, além de cílios grandes e uma aparência que chamava atenção. Segundo Claudia, os policiais entraram no estabelecimento e, ao perceberem sua presença, questionaram-na, orientando que ela não falasse em espanhol, mas em português, alegando que era brasileira. Ela contou que, na ocasião, afirmou ser brasileira e que estava apenas passeando.
Claudia também relembrou que sua aparência chamava atenção, especialmente por ter uma foto sua de biquíni exposta em frente ao teatro onde se apresentava. Ela descreveu-se com cílios grandes e uma maquiagem carregada, o que, na época, contribuía para que fosse identificada com facilidade. Apesar de ser brasileira, menor de idade e mulher, ela foi levada pelos policiais junto com seus amigos gays. A atriz afirmou que a experiência foi caótica, e que ficou bastante preocupada com seus companheiros de grupo, que permaneceram presos por mais tempo.
Ela destacou que, embora tenha sido liberada no mesmo dia, seus amigos continuaram detidos por mais tempo. Claudia também revelou que, até hoje, continua sendo identificada pelas autoridades argentinas sempre que visita o país. Ela afirmou de forma enfática que é “fichadíssima”, indicando que seu nome e sua ficha policial permanecem nos registros oficiais argentinos devido à sua passagem por aquele período de repressão.
A revelação de Claudia Raia traz à tona um capítulo pouco conhecido de sua vida, ocorrido em um contexto de repressão social e política na Argentina. Sua narrativa reforça o entendimento de que, na década de 1980, a perseguição a pessoas LGBTQ+ era uma prática comum, muitas vezes realizada de forma violenta e arbitrária por parte das forças policiais. A história também evidencia o impacto de um período de repressão que marcou profundamente a história social do país, além de ilustrar o quanto a atriz foi afetada por esse episódio, mesmo anos depois.












