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Carol Castro relata dor constante após diagnóstico de fibromialgia

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Imagem: Reprodução/Instagram

A atriz Carol Castro revelou que convive com dor diária desde que recebeu o diagnóstico de fibromialgia. Segundo ela, os sintomas podem variar de intensidade, mas estão presentes durante as 24 horas do dia. A confirmação ocorreu após uma consulta prolongada com um reumatologista e a realização de uma série de exames, depois de meses de investigação sobre as causas das dores.

Carol afirmou que o diagnóstico trouxe alívio por dar um nome ao que sentia. “Eu não estou doida”, disse a atriz ao comentar a confirmação da doença. Ela contou que vinha investigando possíveis causas para os sintomas desde o ano anterior e que realizou diversos exames de sangue para verificar diferentes marcadores de doenças.

De acordo com diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia atinge entre 2,5% e 3% da população brasileira. A condição é caracterizada por dor crônica generalizada e pode estar associada a distúrbios do sono, alterações cognitivas e limitações funcionais. A entidade também aponta que a doença provoca impactos sociais e econômicos.

Rotina de trabalho intenso e sintomas inicialmente atribuídos a outras causas

O diagnóstico de Carol ocorreu após um período marcado por forte desgaste profissional e emocional. Em 2025, a atriz gravava as cenas finais de “Garota do Momento”, novela das seis da TV Globo em que interpretou Clarice. Para ela, a personagem exigia esforço físico e psicológico, já que enfrentava uma sequência de situações dramáticas ao longo da trama.

Na história, Clarice começa sendo atropelada e tem a filha roubada. Depois, perde a memória, é dopada, torna-se dona de uma escola de etiqueta e passa a viver como uma dondoca. A personagem também enfrenta um problema no coração, coloca outra filha no lugar da que perdeu, é internada com camisa de força em uma clínica psiquiátrica, sofre uma crise de abstinência, tem convulsões e passa por momentos de intenso sofrimento emocional.

Carol relatou que, durante esse período, não identificou imediatamente os sinais como possíveis sintomas de fibromialgia. As fortes dores de cabeça eram atribuídas por ela à sinusite ou ao excesso de trabalho. Já as dores no joelho foram relacionadas ao uso de salto alto exigido pela personagem. A atriz também afirmou que atravessava um momento pessoal difícil, o que contribuiu para que os sintomas fossem interpretados como consequências de situações específicas.

Outro fator de impacto foi a morte do pai, Luca de Castro, em dezembro de 2023, aos 70 anos. Carol descreveu o luto como um dos momentos mais difíceis de sua vida. Segundo ela, o pai era seu melhor amigo, confidente e fonte de inspiração. A atriz afirmou ainda que escolheu a profissão por influência dele.

Lesão no joelho precedeu a investigação da doença

Antes da morte do pai, Carol disse que já acumulava responsabilidades profissionais e familiares e que acabou ultrapassando seus próprios limites físicos e emocionais. Ela decidiu manter a continuidade de uma série que estava sob sua responsabilidade, mesmo trabalhando com dores fortes e recorrendo a medicamentos.

A produção deveria ser filmada até o período anterior às festas de fim de ano, com uma pausa e retomada em janeiro de 2024. A atriz afirmou que mais de 100 pessoas dependiam do trabalho e que esse fator pesou em sua decisão de continuar. Após passar o Natal em luto, ela voltou a São Paulo em 8 de janeiro para concluir as gravações.

O retorno ocorreu em meio a uma situação emocionalmente difícil. A primeira cena que Carol gravou era uma chamada de vídeo entre sua personagem e o pai interpretado na série. A atriz contou que chorou durante a gravação e precisou de um intervalo para se recuperar. As filmagens terminaram na madrugada de 24 de janeiro. Em 6 de fevereiro, ela foi submetida a uma cirurgia para tratar uma lesão no joelho ocorrida em outubro do ano anterior.

Mesmo em processo de recuperação, Carol aceitou o convite para atuar em “Garota do Momento”. Ela contou que não era a primeira opção para o papel e que foi chamada nos momentos finais da escalação. Ao conhecer o arco dramático de Clarice, decidiu aceitar a oportunidade, apesar das dificuldades físicas e emocionais que enfrentava.

Durante a busca por uma explicação para os sintomas, a atriz também procurou um angiologista depois de perceber marcas no corpo. Hipóteses como trombose e cianose foram investigadas antes que ela chegasse ao reumatologista e recebesse o diagnóstico de fibromialgia.

Atriz defende informação sobre a fibromialgia

Desde janeiro de 2026, a fibromialgia e condições correlatas passaram a ser reconhecidas como capazes de configurar deficiência, de acordo com os critérios previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência. A medida considera situações em que as condições provocam barreiras comprovadas à participação social em igualdade de condições e pode permitir o acesso a políticas públicas.

Carol afirmou que ainda percebe preconceito em relação à doença. Ela contou que já ouviu questionamentos sobre a possibilidade de deixar de ser chamada para trabalhos por causa da fibromialgia. A atriz, no entanto, disse que não tem medo de que o diagnóstico prejudique sua carreira e considera importante falar sobre o tema a partir de sua posição pública.

Para ela, compartilhar a experiência pode contribuir para ampliar a informação e ajudar outras pessoas a reconhecerem os próprios sintomas. Carol afirmou que se sente honrada por poder atuar como uma espécie de porta-voz da causa e transformar sua experiência em uma oportunidade de disseminar conhecimento.

A atriz também relatou que teve algumas crises, embora não tenha falado muito sobre elas anteriormente. Segundo Carol, não se trata de uma regra, mas os sintomas podem aparecer acompanhados de ansiedade. Ela destacou ainda que a fibromialgia é mais comum entre mulheres e relacionou a demora em respeitar os limites do corpo à tendência de muitas pessoas de insistirem que conseguem suportar a dor.

Desde o diagnóstico, Carol passou a observar possíveis gatilhos, investir em exercícios e adotar cuidados preventivos. Ela explicou que o tratamento não representa uma cura, mas permite compreender a condição e lidar melhor com seus efeitos.

Para a atriz, receber um nome para o problema também ajudou a aceitar a existência de limitações físicas. Ela afirmou que esse processo inclui reconhecer que não é invencível e que, depois de aceitar a situação, é possível sentir mais liberdade para buscar tratamento e reorganizar a rotina.