O apresentador e humorista Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos, reafirmou seu compromisso de seguir atuando profissionalmente enquanto puder, destacando que sua ligação com o programa “A Praça é Nossa” é fundamental para sua vida. A declaração foi feita durante um encontro com jornalistas realizado nos estúdios do SBT, em Osasco (SP), no dia 13 de outubro, antes da gravação de uma edição especial comemorativa aos 45 anos da emissora, que foi ao ar na noite do dia 20, às 23h15, após o “Programa do Ratinho”. O especial contou com a participação do elenco atual do humorístico, apresentando releituras de personagens que marcaram a história do programa.
Carlos Alberto afirmou que a rotina de gravações semanais do programa é o momento mais feliz de sua vida. Desde sua estreia na atração, em 1987, ele tem dedicado sua carreira ao programa, que considera uma extensão de sua própria essência. Para ele, o amor pelo “A Praça é Nossa” é tão grande que, aos 90 anos, sua vontade é de continuar trabalhando por mais décadas, reforçando que essa atividade é sua fonte de felicidade. Ele declarou: “Essas coisas me fazem ter, aos 90 anos, vontade de ficar mais 90 trabalhando. Porque o amor que eu tenho por esse momento da quinta-feira… É o momento da minha felicidade.”
O veterano também revelou que não consegue imaginar sua vida sem o humorístico. Segundo suas palavras, abandonar o programa equivaleria a perder uma parte essencial de sua rotina, afirmando categoricamente: “No dia em que me tirarem ‘A Praça’, acabou a minha vida. Eu vivo pela Praça.” Ele reforçou ainda que deseja evitar passar seus últimos anos afastado do trabalho, mesmo sendo bisavô. Sua prioridade é permanecer ativo enquanto estiver em condições, vinculando seu futuro ao destino do programa. “Se tiver que acabar ‘A Praça’ — e um dia vai, porque tudo o que começa acaba — vai ter que acabar comigo. Porque isso aqui é minha vida,” declarou.
Carlos Alberto relembrou uma ocasião há cerca de dez anos, quando adiou um procedimento de cateterismo para não faltar a uma gravação. Ele contou que, ao saber da necessidade do procedimento na véspera, optou por gravar o programa antes de se internar, demonstrando seu comprometimento com a atração. “Falei: ‘Amanhã eu gravo’. Saí do hospital, fui para casa, gravei e depois voltei para fazer o cateterismo,” recordou.
Sobre os personagens do programa, o apresentador destacou a durabilidade de figuras criadas a partir de tipos sociais do cotidiano, como a Velha Surda, interpretada por Roni Rios, falecido em 2001. Mesmo após décadas, esses personagens continuam presentes na memória do público, o que revela a força e o impacto de sua criação. Ele explicou que essa longevidade se deve ao fato de que os personagens foram inspirados em pessoas reais, encontradas na rotina das ruas, uma fórmula que remonta aos tempos de seu pai, Manoel de Nóbrega, na “Praça da Alegria”, e que foi mantida na versão do SBT.
O apresentador também comentou a contribuição de humoristas do stand-up, que ajudaram a renovar o elenco do programa. Segundo ele, esses comediantes passaram a adaptar seus textos de pé para o formato sentado, transformando-os em diálogos no banco da Praça, o que contribuiu para a modernização do humor apresentado. Ele destacou que a geração atual conseguiu preservar a essência do humor que marcou sua trajetória, afirmando que tem orgulho de manter esse legado, trazendo novos talentos que, embora jovens, mantêm a mesma essência do sucesso obtido por seu pai.
Carlos Alberto enfatizou a importância do especial de 45 anos, que apresenta uma inovação inédita na história do programa: a participação de humoristas atuais interpretando personagens clássicos, muitos dos quais já não estão mais entre nós. Ele destacou que essa iniciativa é única e que nunca viu algo semelhante em seus 72 anos de carreira. Além disso, reforçou a relevância dos artistas que surgiram ao longo do tempo no programa, muitos deles inicialmente desconhecidos, mas que hoje construíram carreiras sólidas graças à oportunidade proporcionada pelo humorístico.
Para o apresentador, o maior reconhecimento de sua trajetória é ver esses humoristas alcançando sucesso e independência financeira, algo que considera mais valioso do que qualquer prêmio. “O meu grande prêmio é quando chega uma pessoa desconhecida e consegue construir a vida. Isso vale mais do que qualquer prêmio,” afirmou.
Por fim, Carlos Alberto destacou que a longevidade de “A Praça é Nossa” também se deve à liberdade artística concedida por Silvio Santos, fundador do SBT. Ele contou que, ao aceitar o convite para comandar o programa, pediu carta branca, uma promessa que foi mantida pela família do empresário. Essa autonomia, segundo ele, foi fundamental para que o humorístico permanecesse por tanto tempo no ar, sem interferências externas. Para ele, o segredo do sucesso é o compromisso sério com o humor, que é levado a sério por toda a equipe, incluindo ele próprio.












