Blog do Leo Lasmar – Que os reforços
realmente ajudem o Cruzeiro, senão…
Por
Atualizado
em:9 de abril de 2022
12:36
4
minutos de leitura
4
minutos de leitura 0
O torcedor do
Cruzeiro passará o fim de semana com a cabeça inchada. O time
estreou na Série B com derrota por 2 a 0 diante do Bahia, fora de
casa, em um jogo que mostrou a cara do torneio. Competitividade,
necessidade de força do grupo e pouquíssimo perdão quando se
erra.
O primeiro tempo foi
de “trocação”. Jogo aberto, bom de assistir, mas muito perigoso
para quem joga. O controle da posse variou, os erros com e sem a
bola foram constantes dos dois lados, mas o Cruzeiro teve o
equívoco mais grave e que mudou o andamento do jogo.
Waguininho, livre, na
entrada da pequena área, perdeu a chance de abrir o placar logo aos
16 minutos. Lance que exemplificou a atuação daquele que talvez
tenha sido o pior em campo.
O segundo tempo, na
Fonte Nova, iniciou parecido com o que foi o primeiro. Mas o Bahia
dava mostras de que voltara mais ligado, intenso como o time de
Paulo Pezzolano tem se mostrado, mas não conseguiu ser em Salvador.
O recorte da segunda etapa teve o pior futebol do Cruzeiro em
2022.
O
treinador até tentou dar mais vida ao time com as entradas de Vitor
Roque e Daniel Junior. Do outro lado, Guto Ferreira colocou Davó e
Vitor Jacaré em campo. Antes de a dupla cruzeirense pegar na bola,
os dois do Tricolor criaram a jogada que terminou nas redes. Um a
zero, após erro de Pedro Castro no meio e cochilo geral da
defesa.
Dali em diante, o
Cruzeiro só funcionou em mais um lance. Aos 19 minutos, Daniel
Junior teve nos pés, na entrada da pequena área, a chance de
empatar. Errou na decisão: quis dominar, em vez de finalizar. Nada
de gol, e o golpe de misericórdia do Bahia saiu menos de 10 minutos
depois. Novamente com Jacaré, agora em erro de Canesin, no meio, e
em erro de posicionamento do Rafael Cabral.
O que mais assustou no
segundo tempo foi o psicológico do Cruzeiro Um time que se
mostrou forte nesse aspecto ao longo do primeiro trimestre, mas que
se perdeu completamente após o primeiro gol em Salvador. A cabeça
tirou o time de campo, e uma derrota até por mais de dois gols,
nesse contexto da etapa final, não seria absurda.
E isso mostra ainda
mais a importância de aproveitar as chances que tem. Cruzeiro teve,
em suas mãos, a oportunidade de saltar à frente e jogar a pressão
sobre um estádio inteiro e um time com início de ano
instável.
Não abriu o placar,
nem empatou, quando teve a possibilidade de voltar para o jogo e
colocar a casa em ordem. E
a Série B não perdoa os erros, principalmente jogando contra
equipes qualificadas. Teve chance, tem que matar.
Em relação
ao campo, além de noite individualmente ruim de praticamente todas
as peças, o time, coletivamente, mostra que ainda precisa melhorar
em alguns aspectos. O principal deles é a velocidade de
recomposição. Ataca com muita gente e em velocidade, mas precisa
recompor com igual volume e intensidade. Isso ainda
falta.
Além disso, o jogo na
Fonte Nova evidenciou o que já era alertado no decorrer do
Campeonato Mineiro, mesmo com o time jogando bem e conquistando
resultados: o elenco precisa de reforços. Guto Ferreira conseguiu
mudar o jogo com o que tinha no banco. Pezzolano, em desvantagem no
placar, simplesmente não tinha mais opções ofensivas, fosse de meio
ou ataque, para mexer na estrutura.
O cenário
vai mudar nas próximas rodadas, com as seis peças já contratadas,
sendo quatro atacantes. Chega quantidade e também variações no
estilo de jogo. Passa a ter atletas mais experientes, jogadores de
força física pelos lados.
A esperança também é
de agregação no que diz respeito aos duelos de um contra um, pelos
lados, o que faltou muito na Fonte Nova, diante do cenário de
trocação citado anteriormente. Pelas perdas recentes e pelo estilo
de Pezzolano, a zaga e o meio – na armação – mostram necessidade de
ajustes em termos de grupo.
Dizer que
o resultado e a atuação na Fonte Nova servem como alerta seria
oportunismo. O departamento de futebol inteiro do
Cruzeiro sabe bem que as dificuldades da Série B são maiores e
que a competição vai exigir mais de todos, inclusive
internamente.
O trabalho de Paulo
Pezzolano é bom, segue no caminho certo, e ele terá mais 37 rodadas
para mostrar isso. Ambiente tranquilo, salários em dia,
planejamento pensado por muitas cabeças. Vida que segue e foco no
Brusque para tentar iniciar, ao lado do torcedor, a caminhada que
se almeja na Toca da Raposa.