Blog do Leo Lasmar – Quando a
Justiça funciona. 9 anos de prisão para Robinho.
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Atualizado
em:19 de janeiro de 2022
13:03
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Três mulheres são condenadas
pela morte de maratonista ocorrida em 2016, em Alfenas
A Corte de Cassação da Itália, última
instância do judiciário do país, confirmou nesta quarta-feira a
condenação do jogador Robinho e de seu amigo, Ricardo Falco, a nove
anos de prisão por violência sexual de grupo. A
sentença vai sair em 30 dias.
O
julgamento ocorreu na Corte de Cassação de Roma, que no ordenamento
jurídico italiano é equivalente ao Supremo Tribunal Federal no
Brasil. Robinho e seus advogados apresentaram nesta manhã o último
recurso, que foi negado pela corte italiana.
Mesmo com a condenação
em última instância, Robinho e Falco não poderão ser extraditados
para a Itália, já que a Constituição de 1988 proíbe a extradição de
brasileiros. Além disso, o tratado de cooperação judiciária em
matéria penal entre Brasil e Itália, assinado em 1989 e ainda em
vigor, não prevê que uma condenação imposta pela justiça italiana
seja aplicada em território brasileiro.
Assim, Robinho e Falco correm o risco de serem presos somente se
realizarem viagens ao exterior – não necessariamente à
Itália. Para isso, o Estado italiano precisa emitir um
pedido internacional de prisão que poderia ser cumprido, por
exemplo, em qualquer país da União Europeia.
Os dois foram
arrolados no artigo “609 bis” do código penal italiano, que fala
sobre a participação de duas ou mais pessoas reunidas para o ato de
violência sexual – forçando alguém a manter relações sexuais por
sua condição de inferioridade “física ou psíquica”. A vítima diz
que foi embriagada e abusada sexualmente por seis homens enquanto
estava inconsciente. Os defensores dos brasileiros dizem que a
relação foi consensual.
Jacopo Gnocchi,
advogado da vítima , comemorou a decisão em última instância e fez
um apelo à Justiça brasileira.
“Mais de 15 juízes
analisaram o caso em primeira, segunda e terceira instância e
confirmaram o relato da minha cliente. Agora é preciso ver como
será o cumprimento dessa pena, o Brasil é um grande país e espero
que saiba lidar com essa situação” – afirmou Gnocchi.
“Para
nós, a sentença deve ser cumprida. Se fosse na Itália, ele iria
para a prisão. Agora a bola estará com o Brasil, que tratará isso
com base na sua Constituição” – completou.
Durante a curta
sessão, apenas um dos advogados de Robinho, Franco Moretti, fez a
sustentação oral. Ele afirmou que a relação entre a mulher e
Robinho foi consensual, tentou trazer à audiência pontos sobre a
conduta da vítima e citou um dossiê da vida privada da vítima, que
foi rechaçado no julgamento em segunda instância. O presidente da
audiência na Corte de Cassação, Luca Ramacci, chamou a atenção do
advogado do jogador, dizendo que ali não era o local indicado para
tal discussão.
A vítima,
que completa 32 anos nesta sexta-feira, acompanhou a audiência. Ela
disse que não queria comparecer ao tribunal, mas foi convencida
pelo seu advogado.
O crime cometido por
Robinho aconteceu na Sio Café, uma conhecida boate de Milão, na
madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. À época, Robinho era um dos
principais jogadores do Milan. Além dele e de Falco, outros quatro
brasileiros, segundo a denúncia da Procuradoria da cidade,
participaram da violência sexual contra uma mulher de origem
albanesa.
Amigos do
jogador que o acompanhavam no exterior, os outros quatro
brasileiros deixaram a Itália durante a investigação e não foram
acusados, sendo apenas citados nos autos.
A vítima, residente na
Itália há alguns anos, naquela noite foi com uma amiga à boate – a
violência ocorreu dentro do camarim do local – para comemorar seu
aniversário de 23 anos. No final desta semana, completará
32.
Desde que
a vítima do estupro coletivo denunciou o jogador, há nove anos, a
Itália viu dezenas de episódios semelhantes ganharem destaque,
alguns deles envolvendo filhos de políticos. Os acusados, segundo
um balanço do judiciário realizado pelo equivalente ao IBGE
italiano, são majoritariamente jovens entre os 20 e 25 anos
(Robinho tinha 29 anos quando foi acusado do crime).
As gravações foram
transcritas na sentença inicial e confirmam, segundo disse uma
juíza que participou do julgamento em primeira instância, a versão
da vítima de que houve violência sexual cometida por seis homens
contra uma mulher que estava alcoolizada e inconsciente. “A mulher
estava completamente bêbada”, disse Robinho em uma das conversas
gravadas.
A primeira
condenação do ex-jogador do Santos e de Ricardo Falco data de
novembro de 2017. À época, Robinho jogava no Atlético. Ele deixou a
Itália em 2014, quando já tinha sido convocado a depor no inquérito
que apurava o crime – o jogador negou a acusação, mas confirmou que
manteve relação sexual com a mulher, ressaltando que ela foi
consensual e sem outros envolvidos. No caso de Falco, uma perícia
encontrou a presença de seu sêmen nas roupas da jovem.
No julgamento
realizado na segunda instância, em dezembro de 2020, a Corte de
Apelação de Milão manteve a condenação inicial de nove anos de
prisão. As três juízas responsáveis pela sessão destacaram o
“particular desprezo” de Robinho com a vítima, que foi “brutalmente
humilhada”, e o que consideraram uma tentativa de enganar a Justiça
italiana com uma “versão dos fatos falsa e previamente combinada”
com os outros envolvidos.
Depois do
Atlético, Robinho passou por dois clubes turcos: Sivasspor e
Istambul Basaksehir. Em outubro de 2020, chegou a ser anunciado
pelo Santos, mas não entrou em campo pelo clube, já que teve seu
contrato suspenso e posteriormente encerrado.