Blog do Leo Lasmar – O laboratório
do Cruzeiro começa a apresentar resultados.
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Atualizado
em:6 de fevereiro de 2022
09:14
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Paulo Pezzolano diz,
desde o primeiro dia no Cruzeiro, que vai utilizar o Mineiro para
fazer experiências e observar jogadores. Segue cumprindo com o
planejamento, mas também agregando com resultados importantes para
solidificar o início de trabalho. Venceu a Caldense, candidata a
uma das vagas na semifinal, por 2 a 1, em mais um jogo que deixa
lições.
Estruturalmente, a
maior mudança para a partida foi a ausência de jogadores velozes
pelos lados do ataque. Foi a primeira vez que o técnico uruguaio
iniciou uma partida sem ao menos um atleta com essas
características.
O meio-campo do
Cruzeiro tinha cinco jogadores. Um volante mais próximo à zaga e
quatro meias em uma linha que seria de maior aproximação a Thiago.
O quinteto tinha liberdade para se movimentar, trocar de função.
Adriano, Marco Antônio e Pedro Castro, por exemplo, foram esse
“primeiro volante” em algum momento da partida.
Mas não deu certo.
Apesar dos cinco jogadores terem qualidade com a bola no pé, o que
em tese facilitaria a saída e a criação, o Cruzeiro teve
dificuldades nesses dois aspectos da transição: era lento na saída
e não conseguia municiar Thiago, que se viu isolado durante todo o
primeiro tempo. João Paulo, importante peça de criatividade, não
rendeu, principalmente quando atuou aberto. Giovanni até se
movimentava, mas também não conseguiu ser efetivo.
O time também não
conseguia coordenar os movimentos sem a posse, com muitas
dificuldades na marcação. Com Bidu ofensivo, sofreu pelo lado
esquerdo, com Mateus Silva atuando por aquele lado da defesa pela
primeira vez. Estava mal, chegou perto de ser expulso e acabou
substituído pelo canhoto Brock, aos 29 do primeiro
tempo.
As
dificuldades do Cruzeiro persistiram até os 13 minutos do segundo
tempo, quando Rafael Santos entrou no lugar de Marco Antônio. Bidu
avançou para ser extremo pela esquerda, e o Cruzeiro passou a ter
uma válvula de escape. No primeiro tempo, o garoto até tentativa se
aventurar no ataque, mas se via sem companhia também.
Rafael e Bidu fizeram
uma boa dobradinha, criando as principais oportunidades de gol. Foi
em uma jogada por ali que Pedro Castro teve chance de finalizar
livre, com cruzamento de Rafael. E também nasceu da aparição
ofensiva de Bidu a falta que originou o gol de empate, marcado por
Giovanni.
Nos 35 minutos finais
de jogo, o Cruzeiro conseguiu ser aquele time que se propõe a ser
com Paulo Pezzolano. Retomava rapidamente a posse e era agressivo
quando estava com ela. Queria criar, finalizar. Buscava o resultado
com apetite. Não era lento como na primeira etapa. O volume levou
ao segundo gol, após uma pressão e sequência de cruzamentos, fosse
com bola rolando ou em escanteios.
E a virada
acabou sendo justa. O time criou volume bem superior ao que a
Caldense teve quando foi melhor na partida. Encerrou o primeiro
tempo com três finalizações, acabou a partida com 12. Além de criar
por ter melhorado técnica e taticamente, também criou porque teve
mais apetite, mais alma, como Paulo Pezzolano cobra diariamente nos
treinos. Estava ligado.
O treinador,
inclusive, está correto em seu planejamento. Por mais que saiba
sobre a necessidade de resultados e que a ausência deles pode
impactar na tranquilidade de seu trabalho, segue realizando os
jogos para ganhar, mas também para experimentar.
Paulo
Pezzolano volta de Poços de Caldas sabendo, no mínimo, que a
posição pela esquerda não é a ideal para Mateus Silva, que Rafael
Santos desponta como titular da lateral e que precisará de extremos
para ver seu estilo de jogo funcionar melhor. Aos poucos, o
uruguaio vai colecionando elementos para montar o Cruzeiro ideal na
disputa da Copa do Brasil e da Série B.