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Finanças: Magalu é Bolha?

Postado em 14/09/2019 15:00

Magalu é fenômeno?

Magazine Luiza (MGLU3) é um fenômeno.

E eu, infelizmente, não consegui enxergar este foguete quando ainda estava decolando.

MGLU3. Fonte: Bloomberg.

As ações saíram de uma mínima de R$ 0,12, em 14 de dezembro de 2015, para R$ 35 atualmente (após diversos desdobramentos).

E, para um Investidor de Valor raiz, só significa uma coisa – perdemos a oportunidade.

Perdemos a oportunidade de comprar uma das maiores ganhadoras da bolsa brasileira nos últimos anos.

Mas, vale a pena correr atrás do prejuízo hoje?

EV/Ebitda (marrom) e P/L (branco). Fonte: Bloomberg.

Vale a pena comprar Magazine Luiza, hoje, a 40x Ebitda e 108x lucros?

Magalu é crescimento?

Magalu já cresceu muito.

Mas, atualmente, o crescimento de Magalu vem, apenas, de não-recorrentes como:

Magalu deixa tudo bem claro em sua divulgação de resultados.

Fonte: Magazine Luiza.

Sim, todas as empresas estão tendo ganhos similares no Ebitda (IFRS 16) e todas as varejistas também estão com ganhos similares de créditos tributários (ICMS).

Magalu negocia a preço de empresa que crescerá violentamente de forma contínua. Mas, se descontarmos os não-recorrentes, o crescimento desaparece.

Marcamos na tabela acima o Ebitda, com os não recorrentes, e o Pró-forma, sem os não-recorrentes.

Acumulado no primeiro semestre de 2019, Magalu teve receita líquida +18 por cento, Ebitda +2 por cento e lucros -14 por cento.

O crescimento forte de Magalu ficou no passado.

Mas, para o mercado, Magalu não seria mais regida pelas regras do varejo tradicional. Magalu, agora é tech!

Magalu é tecnologia?

Magazine Luiza era uma companhia que vendia eletrodomésticos a crédito.

Vender eletrodomésticos a crédito não é o melhor negócio do mundo, vamos concordar.

Mas, por imenso mérito de sua gestão atual, a companhia evoluiu para além do comércio de rua. Magalu se transformou em um gigante do e-commerce.

O e-commerce já significa 42 por cento das vendas totais de Magalu – e cresce aceleradamente.

Destes, 76 por cento são 1P (first party ou vendas próprias) e 24 por cento são 3P (third party ou marketplace ou terceiros vendendo na plataforma da Magalu).

O problema é que, no e-commerce, a competição é muito maior. Na internet, é muito mais fácil comparar preços.

E Magalu vem sentindo esta mudança em sua margem.

Margem bruta. Fonte: Bloomberg.

As margens não importam agora. Magalu está focada em crescer, dominar o mercado e, lá na frente, elevar novamente as margens.

Magalu estaria seguindo os passos da Amazon.

Magalu é Amazon?

O Ragazi comprou um estudo de caso de Harvard sobre Magalu.

Muito interessante. Mas, o que mais me chamou a atenção, foi o argumento de que Magalu deveria ser precificada como empresa de tecnologia.

Mas, calma, vamos dar um passo atrás.

Por que empresas de tecnologia deveriam ser precificadas de forma diferente? Por que tech vale mais?

Por que a Amazon é precificada a 26x Ebitda e 76x lucros?

Amazon (negociada nos EUA) EV/Ebitda (marrom) e P/L (branco). Fonte: Bloomberg.

Eu não sei. Coloquemos, então, a Amazon em perspectiva.

A companhia vem crescendo muito rapidamente desde que abriu seu capital, em 1997.

Amazon (negociada nos EUA) Receita líquida (branco), Ebitda (azul) e lucro (verde). Fonte: Bloomberg.

Amazon cresceu muito seu faturamento, mas não seus resultados (Ebitda e lucros).

E a Amazon não é só e-commerce. O gigante ganha (muito) mais dinheiro em suas outras iniciativas (são muitas e diversas).

A AWS (Amazon Web Services ou aluguel de servidores ou serviços cloud) representa menos de 10 por cento da receita e gerou mais da metade do resultado operacional (Ebit) da Amazon em 2018.

A AWS cresceu ao redor de +48 por cento ao ano, nos últimos 3 anos.

A Amazon não ganha dinheiro vendendo produtos na internet – e nunca quis ganhar (leia o ótimo livro "A loja de tudo" para entender a cabeça de Jeff Bezos).

E Magalu poderia ir pelo mesmo caminho. Magalu poderia, lá na frente, se transformar em plataforma.

Magalu é plataforma?

Uma plataforma 3P gera ótimos resultados – a plataforma ganha uma taxa para que outros vendedores vendam em seu site.

É um ótimo negócio. Afinal, os problemas do varejo ficam com o vendedor e a plataforma se preocupa apenas com a tecnologia por trás do site e dos pagamentos.

Este é o "Santo Graal" das empresas de e-commerce.

E Magalu está fazendo um ótimo trabalho crescendo seu negócio 3P.

É o que o Mercado Livre (MELI, negociada nos EUA) faz.

Mas, no meio do caminho tinha um rio, o maior rio de todo o mundo!

Magalu é MELI?

No México, quando a Amazon lançou seu serviço Prime, o Mercado Livre se viu obrigado a entrar na briga.

Para competir com a oferta Prime do gigante americano, o Mercado Livre financiou a entrega dos produtos para seus clientes.

O resultado foi a compressão de margens abaixo.

Fonte: Paolla Melo (@PaolaMelloM).

E as margens de MELI nunca mais foram as mesmas.

Esta semana, a Amazon anunciou o início de seu serviço Prime, no Brasil.

Após mais de 4 anos vendendo livros e entendendo nossas jabuticabas, a Amazon finalmente desembarcou no Brasil.

É completamente plausível que Amazon e Magalu compitam amigavelmente no mercado – sem compressão de margens para as empresas.

Mas é altamente improvável que a Amazon não tente dominar nosso mercado.

Afinal, a Amazon simplesmente não quer ganhar dinheiro com e-commerce. O objetivo de Bezos é, nada menos que, disruptar completamente o varejo.

Magalu é Bolha?

E, voltamos, como sempre, ao Grande, Excelentíssimo, Magnânimo Preço.

O preço é sempre a variável de ajuste. O preço define as probabilidades de sucesso de seu investimento.

Preço baixo é sinônimo de baixas expectativas de resultados das empresas.

Preço alto, por outro lado, significa grandes esperanças de Ebitda e lucros aumentando significativamente no futuro.

A Amazon acabou de chegar para revolucionar nosso varejo

Nos últimos anos, Magalu surfou um período sem competição no mercado brasileiro – Via Varejo (VVAR3) à venda e sem gestão e Máquina de Vendas com enormes problemas internos.

Mas o Amazon Prime chegou.

Magalu, a 40x Ebitda e 108x lucros, tem seu crescimento ameaçado.

No ANTI-Trader, estamos de olho. Magalu pode ser uma enorme oportunidade de short (venda a descoberto ou aposta na baixa) para o investidor atento à competição deste mercado.

A competição chegou. Os próximos passos da Magalu serão decisivos.

Estamos atentos.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

Postado originalmente por: Nord Research

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