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NORD Research

Finanças: Guia de bolso das Opções, parte 2

Postado em 12/08/2020 13:00

De onde surgem as opções? Como negociá-las? O que os traders não te dizem. Put como proteção, venda coberta de put e venda coberta de call. E muito mais…

"Aposto que VALE3 estará 70 reais"

A minha ideia ao escrever a newsletter da semana passada era montar um guia prático sobre como usar as opções para o bem (ganhar dinheiro).

Mas o tema é riquíssimo e vamos dar continuidade por aqui. Recapitulando:

Opções é como são chamados os contratos que definem a compra ou venda de um ativo em uma determinada data.

"Eu aposto com você que VALE3 estará acima de 70 reais em 21 de dezembro de 2020."

Quem cria esta opção?

De onde surgem as opções?

As opções são contratos. São criados pelos vendedores no momento que são negociados.

Sim, as opções são criadas do nada, só precisam de garantias de que seu valor será pago no vencimento ou no fechamento da operação.

Assim como vendemos uma ação "short" e recebemos o dinheiro da venda, podemos vender uma opção e receber o dinheiro na conta.

Só precisamos depositar garantias que cubram nosso risco.

Na prática, existem duas formas de negociar opções:

Criando ativos como em um passe de mágica

O papo seria, mais ou menos, assim:

"Alfredo, meu AAI querido, me dá o preço em cem unidades de uma call de VALE3, com strike 70 e vencimento em 21 de dezembro, por favor."

E a mesa, mesmo que não tenha aquela opção, pode criar um contrato naquele mesmo momento e vendê-lo a você. A mesa de risco da corretora se encarrega de reservar a garantia para a operação.

Lembre-se: só os vendedores de opções (que possuem uma obrigação) precisam de garantias.

Os contratos podem ser de acordo com a vontade do cliente ou podem seguir uma série padrão do mercado (exemplo: VALEL708).

Preferimos negociar séries padrão, pois são mais líquidas (e baratas), ou seja, é mais fácil para o trader da mesa se desfazer da posição.

Liquidez significa que ele pode se livrar do risco com mais facilidade.  Quanto menor o risco, menor o preço.

São infinitas as opções (de opções)

Como as opções podem ser criadas da forma que desejamos, por nós mesmos ou pelas mesas de operação, são infinitas as possibilidades de tipos de opções disponíveis.

Poderíamos negociar opções sobre se vai chover ou não no mês de agosto em São Paulo.

É perfeitamente possível, o desafio é precificar estas opções.

Ou seja, calcular as probabilidades daquele evento se concretizar. Lembre-se: os preços das opções são baseados sempre em probabilidades.

E calculamos os preços com o B&S (comentamos semana passada).

A obrigação do trader é cotar as duas pontas

Trader destemido, arrojado, ganhador de dinheiro, é o que dá preço nas duas pontas.

Mas, no Brasil, inventaram uma cultura "Nutella", onde o trader, com "medinho" de abrir sua posição ou de tomar risco (seu trabalho) só dá preço para a compra ou para a venda.

Explico.

"Alfredo, meu AAI querido, me dá o preço em cem unidades de uma call de VALE3, com strike 70 e vencimento em 21 de dezembro, por favor."

A resposta deveria ser: "compro a 2,50 reais e vendo a 3 reais".

O equivalente a comprar a 38 vol e vender a 42 vol (o que chamamos de 4 vols de spread).

Mas a resposta aqui é: "Você quer comprar ou vender?".

E o trader, com medo do mercado, só dá preço para um lado.

Enquanto o correto, o padrão internacional, é que o trader tenha coragem e dê preços para os dois lados.

Desta forma, o comprador sabe o spread do que está pagando e pode julgar se está sendo bem atendido (pagando caro?) pelo trader e pelo AAI.

Shame on you traders.

Os códigos e as opções (de opções)

Lembrando que:

Call = opção de compra. Put = opção de venda.

O comprador da opção tem o direito, então sempre pode decidir o que fazer até o vencimento. Por isso sua perda máxima é o valor da opção.

O vendedor da opção tem a obrigação, pode recomprar a obrigação na quantidade vendida e "se zerar" (fica sem risco). Por isso, sempre faça "vendas COBERTAS de opções".

A cobertura é a forma de se proteger das loucuras do mercado. A forma de reduzir drasticamente o risco e mitigar perdas. Explicamos mais abaixo.

E, para negociar no seu Home Broker, como as ações, você precisa entender os códigos das opções.

Os códigos são apenas representações das ações subjacentes, tipo (call ou put), vencimento e strike das opções.

Para calls: A = janeiro, B = fevereiro, …

Para puts: M = janeiro, N = fevereiro, …

Pois é, nem sempre os números ao final das opções batem com os strikes (preços de exercício) das opções.

Os strikes ficam quebrados quando as ações pagam dividendos e outros proventos  a BMF ajusta os valores dos strikes.

Passo a passo de como negociar opções

1. Peça preço ao seu AAI ou vá ao Home Broker e procure a opção que você gostaria de negociar.

Sugiro fazer os dois (para comparar os preços) e sempre usar as opções já listadas que são mais baratas (aqui você encontra as negociadas).

2. Com os preços em mãos, vá ao B&S e calcule a volatilidade implícita (quanto maior a volatilidade, maior o preço da opção).

3. Compare a volatilidade com o histórico da volatilidade da ação (aqui temos a volatilidade histórica dos ativos).

4. Negocie (chore) o preço das opções com seu AAI.

5. Negocie  diga "fechado" ou "não, obrigado"  para seu AAI ou negocie no Home Broker.

Fim.

PUT como proteção

Comprar opções secas (apenas comprar uma call, por exemplo) são formas de alavancar ganhos (ou, principalmente, perdas).

Mas uma forma mais inteligente é unir opções com ações e formar estruturas.

Por exemplo, se temos ações de Petrobras e gostaríamos de nos proteger de quedas nas ações, podemos comprar opções de venda (puts) nas ações.

Possuo 100 ações de PETR4. Compro 100 opções de PETRX240 (put, vencimento dez, strike 22,61 reais).

Se PETR4 (hoje em 23 reais) cai para 20 reais eu comprei o DIREITO (a opção) de vendê-la a 22,61 até 21 de dezembro.

Logo, estou protegido das quedas de PETR4 (abaixo de 22,61) até dezembro.

O problema é que pagamos ao redor de 2,60 reais (29 por cento de vol) por este direito, ou 11,3 por cento do preço de PETR4 (2,60/23).

Vale a pena pagar 11,3 por cento para se proteger de uma queda de PETR4 até dezembro?

Eu diria que não. O valor da proteção é, simplesmente, alto demais.

Venda coberta de PUT

Podemos fazer o contrário do acima e usar a put como uma forma de rentabilizar nosso caixa, o que chamamos de "venda coberta de put".

Por exemplo: eu possuo 2.261 reais e gostaria de comprar PETR4 até dezembro se as ações caírem abaixo de 22,61.

Coloco meu caixa de garantia (é importantíssimo ter garantia quando vendemos opções) e vendo 100 opções de PETRX240 (put, vencimento dez, strike 22,61 reais).

Logo, tenho a OBRIGAÇÃO de comprar PETR4 em 21 de dezembro por 22,61 reais. Por isso, recebi ao redor de 2,60 reais (29 por cento de vol) por vender este direito, ou 11,3 por cento do preço de PETR4 (2,60/23).

Vale a pena receber 11,3 por cento para ficar exposto a quedas mais fortes de PETR4 até dezembro?

Eu diria que não. Com o mercado subindo, prefiro esperar uma correção para fazer a operação.

Mas, claro, é importante avaliar se você gostaria de ter as ações de PETR4  eu vejo oportunidades mais interessantes.

Venda coberta de CALL

Caso você possua uma posição que gostaria de vender acima de certo preço, podemos usar a "venda coberta de call".

Por exemplo: eu possuo 100 ações de PETR4 e gostaria de vendê-las a 25 reais.

Coloco minhas ações de PETR4 em garantia (importantíssimo ter garantia quando vendemos opções) e vendo 100 opções de PETRL260 (call, vencimento dez, strike 25,11 reais).

Logo, tenho a OBRIGAÇÃO de VENDER PETR4 em 21 de dezembro por 25,11 reais. Por isso, recebi ao redor de 1,40 (38 por cento de vol) por este direito, ou 6 por cento do preço de PETR4 (1,4/23).

Vale a pena receber 6 por cento para ter a OBRIGAÇÃO de vender PETR4 a 25,11 em dezembro?

Eu diria que sim. Com o mercado em alta, embolsar mais 6 por cento em 4 meses parece interessante no momento.

Mas, claro, é importante avaliar se você gostaria de ter as ações de PETR4 e se está confortável em carregá-las até dezembro.

Travas, Vol implícita, Gregas e muito mais

Percebeu como as calls (38 por cento de vol implícita) de PETR4 estão muito mais caras do que as puts (28 por cento de vol implícita)?

Normalmente, acontece o contrário – puts (risco de queda) são mais caras do que calls (risco de alta).

Isso quer dizer que para o mercado o risco é bem maior das ações subirem do que caírem. Ou, a demanda por calls é muito maior do que por puts (mercado otimista demais?).

O nível de vol implícita nos dá uma ideia dos riscos que o mercado enxerga.

Na próxima semana vamos comentar mais sobre a precificação das opções durante sua vida, as temidas gregas, e muito mais…

E, lembre-se sempre que não exercemos as opções (quase) nunca.

Opções possuem valor no tempo e (quase) sempre vale mais negociá-las do que exercê-las.

As opções são ótimos instrumentos que podem ser usados para o bem, para ganhar dinheiro.

Mas muito cuidado com apostas, as probabilidades ficam enormes contra você.

Apostas não são investimentos. Apostas e acumulação de patrimônio não combinam.

Com muito cuidado e ajudando nosso assinante a todo momento via canal no Telegram do ANTI-Trader, nos preparamos para utilizá-las.

E vamos destrinchar em muito mais detalhes todas as características acima quando decidirmos montar estas estruturas.

Aproveite que, na semana de aniversário da Nord, a série ANTI-Trader está aberta para novos membros.

Estamos de olho no que o mercado está nos dizendo.

Conte conosco.

Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.

Postado originalmente por: Nord Research

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