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Lula defende fortalecimento das Forças Armadas para proteger soberania após tarifas dos EUA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (24/7) que pretende investir nas Forças Armadas do Brasil e mantê-las bem equipadas, com armamento e conhecimento científico e tecnológico, para que o país possa andar de cabeça erguida, sem arrogância, falando em paz, mas preparado para não permitir que ninguém “meter o nariz” em suas questões. Lula fez as declarações durante visita a unidades industriais da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). O pronunciamento ocorre em meio à adoção, pelos Estados Unidos, de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, com sobretaxas que chegaram a até 37,5%. O governo brasileiro rejeitou as medidas, classificando-as como “caráter completamente arbitrário e injustificado” e informou que acionará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade.

Durante a passagem pela unidade de Avibras Aeroco, empresa responsável por projetar e desenvolver produtos e serviços de defesa fornecidos às Forças Armadas do Brasil (FAB), Lula defendeu que a defesa do país não é gasto supérfluo, mas uma salvaguarda da soberania. Ele declarou: “[Quero as Forças Armadas] Com armamento e conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz. Mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”.

A fala do presidente ganhou contornos no momento em que o Brasil enfrenta uma etapa de atrito comercial com os Estados Unidos. As sobretaxas aplicadas por Washington sobre exportações brasileiras provocaram, na prática, reajustes de tarifas que em alguns casos atingiram a casa dos 37,5%. O governo brasileiro reiterou a posição de rejeitar as medidas, afirmando que elas são arbitrárias e injustificadas, e confirmou a intenção de recorrer aos mecanismos previstos pela Lei de Reciprocidade para buscar equilíbrio nas relações comerciais.

Ao enfatizar a defesa como instrumento de proteção da soberania, Lula mencionou a potencial importância de explorar riquezas minerais nacionais, incluindo minerais críticos e terras raras, apontando para a necessidade de manter a capacidade tecnológica em defesa. Em tom firme, o presidente ressaltou que a Defesa não pode ser tratada de forma leviana. “Nós precisamos levar em conta que a Defesa é séria. Porque, se a gente vai conversar com algumas pessoas, elas falam: vai gastar dinheiro com Forças Armadas? Para quê? Não precisamos disso. Eu sempre falo isso. As Forças Armadas é que nem Deus, você pode não acreditar, mas a primeira vez que você tiver dor de barriga, você vai dizer: ai, meu Deus. Então as Forças Armadas a mesma coisa”, afirmou.

Em seguida, Lula advertiu sobre a existência de “loucos no mundo querendo fazer guerra” e destacou as extensas fronteiras do Brasil com países da América do Sul — “A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos com o Chile e com o Equador” — além de situar o continente africano como um polo estratégico na agenda de defesa. Ele complementou: “A gente tem a África na nossa frente e a gente tem os loucos pelo mundo querendo fazer guerra. A gente não pode se esquecer que, embora a gente só gosta de paz, a gente seja de paz, […], a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu Uruguai, ao mesmo tempo invadiu Argentina. E aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, disse o presidente.

Ao fim da visita, a Avibras Aeroco foi apresentada como uma empresa que atua no desenvolvimento de soluções de defesa para as Forças Armadas brasileiras, fortalecendo um ecossistema industrial local voltado ao setor de defesa, com ênfase em tecnologia e inovação. A declaração de Lula, associada ao contexto de tarifas externas, sinaliza uma leitura de que a ampliação de capacidades militares pode integrar uma estratégia mais ampla de proteção da soberania frente a pressões internacionais e desafios geopolíticos.