
Mortandade de abelhas, adulterações de produtos apícolas, falta de dados consolidados sobre o setor, necessidade de maior profissionalização e ausência de sistemas de rastreabilidade são alguns dos gargalos da cadeia produtiva do mel. Com o objetivo de enfrentá-los, foi lançado, na sede da Fundação de Amparo à pesquisa (Fapemig) o programa Colmeia de Minas, iniciativa da Federação Mineira de Apicultura (Femap), com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), suas vinculadas Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Emater e Epamig, e outros parceiros como a Unimontes e o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFS-Bambuí).
A iniciativa nasceu da experiência da professora dos cursos de Agronomia e Zootecnia do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Bambuí, Ana Cardoso, que, com representantes da Femap, passou a organizar, anualmente, Seminários de Apicultura e Meliponicultura da Bacia do São Francisco e também o Circuito Mineiro de Apicultura, com participação da Seapa.
“Com o tempo, fomos identificando os gargalos do setor e percebemos que os apicultores tinham dores que não estavam sendo estudadas, ou sequer percebidas por nós. Então, sentamos e esboçamos alguns eixos do programa”, observou a professora.
Na opinião dela, o programa deve mirar, principalmente, ações que possibilitem bons pastos apícolas, rastreabilidade e um selo que ateste a origem dos produtos, agregando valor e maior confiabilidade para o consumidor, seguindo os mesmos passos dados pelos produtores de Queijo Minas Artesanal.
Segundo o vice-presidente da Femap e coordenador da Câmara Técnica do Mel da Seapa, Elizeu Araújo, eles sentiram necessidade de organizar o setor, que se encontrava com problemas relacionados ao comércio, produção e qualidade da produção.
“Precisávamos ter um programa que centralizasse as ações de todas as instituições que trabalham na área. Tínhamos ações do Senar, da Seapa e do Sebrae, por exemplo, mas todas dispersas. Nossa ideia é centralizar essas atividades para que tenham mais força e efetividade”, explicou.
Segundo ele, Minas tem um enorme potencial produtivo. A ideia é promover o desenvolvimento sustentável de toda a cadeia produtiva por meio de seis eixos estratégicos: governança, inovação, qualificação produtiva, rastreabilidade, defesa sanitária, bioeconomia e valorização territorial. “Queremos desenvolver ações integradas e de longo prazo que realmente transformem o setor”, explicou.
Umas das primeiras providências práticas deve ser a Indicação Geográfica (IG) do própolis verde e a realização de um diagnóstico detalhado do setor. “Vamos sentar e ver quais projetos devem fazer parte do programa e, a partir daí, buscar parceiros como o Sebrae, o Sistema Faemg, a Codevasf e a própria Seapa”, informou Elizeu Araújo.
Políticas públicas
A assessora técnica da Diretoria de Cadeias Produtivas da Seapa, Priscila Abreu, disse que a secretaria vai ficar responsável pela formulação de políticas públicas, articulação de parcerias institucionais e captação de recursos, que também são executadas em campo por suas vinculadas – Emater-MG, Epamig e IMA.
“Atualmente, a Seapa distribui kits apícolas a agricultores familiares, compostos por garfo, luva, formão, fumigador, cera, suporte, macacão, calçado e colmeia”, detalhou.
Já o fiscal agropecuário e coordenador dos programas de sanidade de abelhas e de animais aquáticos do IMA, Eduardo Lage Palmieri, reconhece que “a cadeia produtiva está querendo se estabelecer de forma mais responsável e sustentável. E que isso é visto pelo órgão com muito bons olhos. Queremos ser mais um parceiro dos produtores”.

Ranking dos principais municípios produtores em Minas:
1° Itapecerica (460 t),
2° Bocaiúva (325 t),
3° Sabinópolis (228 t),
4° Itamarandiba (185 t),
5° Formiga (168 t)












