O vírus que infecta o WhatsApp Web é só uma pequena novidade no preocupante contexto geral do crime virtual no Brasil. O país registrou em 2024 aumento de 7,8% nos casos de estelionato comparado ao ano anterior, com aumento expressivo de fraudes com Pix e nas redes sociais, de acordo com edição recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Uma explicação convincente da fertilidade do terreno nacional para o desenvolvimento do crime virtual está explicada em detalhes no Teste Nacional de Privacidade (TNP), desenvolvido pela empresa de cibersegurança NordVPN.
Esse levantamento de 2025 pinta um cenário intrigante e desafiador para o Brasil, que ficou em 9º lugar entre 31 países. A pesquisa comparou as respostas de cidadãos internacionais sobre hábitos digitais diários, consciência sobre privacidade digital e ameaças à cibersegurança – e os brasileiros obtiveram notas inferiores à média global em todos esses quesitos.
Raio-X do Brasil online
O TNP já foi aplicado entre brasileiros em anos anteriores e a tendência observada é de piora na conscientização para riscos virtuais. A nota geral do Brasil em 2025 foi de 54 (do máximo de 100), inferior aos 57 de 2024 e aos 59 de 2023.
O melhor desempenho brasileiro foram em responder:
- Como criar uma senha forte (96% responderam corretamente),
- Como lidar com ofertas suspeitas de serviços de streaming (94%),
- Quais dados sensíveis devem ser compartilhados com aplicativos em suas configurações de permissão (93%),
- Os riscos de salvar detalhes do cartão de crédito nos navegadores (86%),
- Os tipos de dados que devemos evitar compartilhar em redes sociais (86%)
Os pontos mais fracos no país foram em responder: Quais ferramentas online protegem a privacidade digital (27% responderam corretamente) – como uma conexão VPN ou um firewall, por exemplo.
Quais dados os provedores de Internet coletam como parte dos metadados (11%),
Onde armazenar senhas em segurança (19%),
Como proteger a rede de Wi-Fi em casa (13%),
Quais problemas de privacidade devem ser levados em consideração ao se usar ferramentas de IA no trabalho (11%)
A relação com a IA, em particular, é um ponto de preocupação relevante no país. Empatados com os mexicanos, os brasileiros destacaram-se negativamente como os que menos sabem a respeito de golpes comuns conduzidos com ajuda da tecnologia de inteligência artificial.
Ambos os países nadam na contracorrente da tendência global nesse assunto: a compreensão dos participantes a nível mundial aumentou 5% em um ano (indo de 63% para 68%).
Práticas de segurança e privacidade com IA
Como a tecnologia de inteligência artificial está em evidência e deve se tornar cada vez mais presente, é relevante ter noção de alguns cuidados básicos, como:
- Devemos ajustar configurações de segurança e privacidade das ferramentas de IA a nosso favor antes de usá-las;
- Desativar o histórico de chats dessas ferramentas pode fazer tarefas cotidianas demorarem um pouco mais, mas aumenta significativamente a privacidade;
- Ativamente evitar compartilhar dados sensíveis com os modelos de IA;
- Não devemos confiar completamente nas respostas recebidas. Além das alucinações recorrentes e das eventuais limitações de pesquisa dentro da base de dados das IAs, os modelos estão sujeitos a ciberataques, como a injeção prompts – que podem resultar desde em informações falsas até a extração de dados sensíveis da conversa;
- Prestar atenção nos destinos dos links e na extensão dos arquivos gerados, também pelo eventual risco de contaminação do modelo por agentes maliciosos;
Quando possível, acessar os modelos de IA usando uma conexão VPN (https://nordvpn.com/pt-br/what-is-a-vpn/). Essa prática cria um meio seguro de se Tendências globais
No plano geral, o Brasil empatou com México e Argentina, no 9º lugar, e manteve-se acima de Espanha, Itália e Coreia do Sul. Porém, ficou abaixo de países como Lituânia, Singapura, Estados Unidos, Índia e Finlândia na colocação global.
Diferentemente do Brasil, a média global de respondentes indicou ter ganhado conhecimento em relação a ferramentas online que protegem a privacidade digital – subindo de 27% para 32% ante 2024.
Ainda assim, uma das proteções digitais mais simples, e no entanto fundamentais, continua sendo ignorada: a atualização de segurança de aplicativos. O conhecimento a respeito desse tema decaiu de 56% para 54% na média global. Finalmente, os resultados desencorajadores do Brasil e mistos dos respondentes globais reforçam aspectos incontornáveis da privacidade digital e da cibersegurança: conhecimento nunca é demais. É preciso se atualizar constantemente e revisar as práticas já conhecidas, para identificar vulnerabilidades. Afinal de contas, os cibercriminosos nunca perdem o incentivo financeiro para inovar para o mal.















