Conta-nos uma antiga parábola que,
certo dia, um alfinete e uma agulha encontraram-se numa cesta de
costuras. Estando os dois desocupados, começaram a discutir, porque
cada um se considerava melhor e mais importante do que o outro:
– “Afinal, qual é mesmo a sua utilidade?” disse o alfinete para a
agulha. “E como pensa você vencer na vida se não tem cabeça?”
– “A sua crítica não tem a menor procedência” respondeu a agulha
rispidamente. “Responda-me agora: de que te serve a cabeça se não
tem olho? Não é mais importante poder ver?”
– “Ora, e de que lhe vale seu olho se há sempre um fio impedindo a
sua visão?” retrucou o alfinete.
– “Pois fique sabendo que mesmo tendo um fio atravessando o meu
olho, eu ainda posso fazer muito mais do que você.”
Enquanto se ocupavam nessa discussão, uma senhora pegou a cesta de
costura, desejando coser um pequeno rasgo no tapete. Enfiou a
agulha com linha bem resistente e se pôs a costurar o mais rápido
que pôde. De repente a linha emaranhou-se, formando uma laçada que
dificultou o acabamento da costura. Apressada, a mulher deu um
puxão violento que rompeu o olho da agulha.
Tendo que ultimar aquele trabalho, ela amarrou a linha na cabeça do
alfinete e conseguiu dar os pontos finais; mas na hora de
arrematar, a cabeça do alfinete se desprendeu. Impaciente com tudo,
jogou a agulha e o alfinete na cesta e saiu resmungando.
Ambos estavam enganados: o alfinete e a agulha! Nenhum dos dois era
insubstituível. Nenhum dos dois era perfeito. Nenhum dos dois era
tão versátil que pudesse julgar-se com o direito de se considerar
melhor do que o outro.
“Porque também o corpo não é um membro, mas muitos. Se o pé disser:
Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser
do corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de
ti.”
Josué Mello Salgado
Mensagem do dia: Ninguém é melhor que ninguém

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