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Polícia turca realiza operações contra ativistas e locais ligados à comunidade LGBTQIAPN+

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Na madrugada deste domingo, 13 de novembro de 2023, a polícia da Turquia conduziu uma série de operações em diversas cidades do país, visando bares, organizações e residências de ativistas ligados à comunidade LGBTQIAPN+. A ação, oficializada sob o nome de operação “Minha Família Está Segura”, foi justificada pelo governo de Recep Tayyip Erdogan como uma medida de proteção à “família tradicional”. O ministro da Justiça, Ankin Gürlek, afirmou que a operação faz parte do programa “Década da Família”, lançado pelo presidente, com o objetivo declarado de proteger crianças, fortalecer a instituição familiar e manter a ordem social.

De acordo com Gürlek, foram instaurados processos judiciais contra 162 pessoas, além de nove associações e 13 empresas distribuídas por 15 províncias do país, incluindo as três maiores cidades turcas: Istambul, Ancara e Esmirna. Apesar de não divulgar o número exato de detenções, o ministro destacou que a ação faz parte de uma estratégia mais ampla de repressão, que visa reforçar valores tradicionais e combater o que o governo classifica como ameaças à ordem social.

Em Istambul, as operações tiveram foco em bares frequentados pela comunidade LGBTQIAPN+ e também em uma boate, locais considerados por autoridades como pontos de resistência às políticas de preservação dos valores familiares. A organização Kaos GL, que atua na defesa dos direitos LGBTQIAPN+ na Turquia, informou que o governo abriu uma investigação contra o grupo sob a acusação de “obscenidade”. Além disso, mais de 12 integrantes da organização foram detidos em suas residências após a operação policial. Segundo a própria Kaos GL, cerca de 50 defensores dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ estão atualmente sujeitos a processos judiciais, incluindo interrogatórios e prisões.

A repressão também se estendeu às plataformas de redes sociais, com o bloqueio de perfis de diversas organizações. O perfil oficial da Kaos GL no X, antiga rede social Twitter, foi alvo de bloqueio a pedido do governo turco. Outras 15 entidades que atuam na área de direitos humanos e direitos LGBTQIAPN+ relataram ter seus perfis também bloqueados, em uma tentativa de limitar a divulgação de suas ações e denúncias. Essa ação do governo turco ocorre em um contexto de crescente repressão às manifestações e grupos que representam a comunidade LGBTQIAPN+ no país, onde há uma forte resistência a políticas de direitos civis e liberdade de expressão para esses grupos.

Este episódio reforça o clima de tensão entre o governo turco e a comunidade LGBTQIAPN+, refletindo uma política de endurecimento que tem sido criticada por organizações internacionais de direitos humanos. As ações policiais e judiciais contra ativistas e entidades representam uma escalada na repressão às expressões de diversidade sexual e de gênero na Turquia, país que, historicamente, mantém uma postura conservadora em relação a esses temas. As consequências dessas operações ainda estão sendo avaliadas por especialistas, que consideram o episódio um indicativo da intensificação da perseguição às minorias sexuais no contexto político atual do país.