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Partido de extrema-direita conquista maior bancada na eleição estadual de Saxônia-Anhalt, na Alemanha

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Na eleição realizada no último domingo, 6 de outubro, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma vitória histórica ao conquistar 43,8% dos votos na região de Saxônia-Anhalt, localizada no leste do país. Este resultado marcou a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que uma força de extrema-direita alcança a maior bancada em um parlamento estadual alemão, sinalizando uma mudança significativa no cenário político nacional.

A vitória do AfD foi confirmada pelos resultados preliminares divulgados pelas emissoras públicas ARD e ZDF, que indicaram uma expressiva vantagem sobre a União Democrata Cristã (CDU), partido do atual chanceler Friedrich Merz, que obteve aproximadamente 17,5% dos votos. A diferença substancial entre as duas legendas reflete o aumento do apoio à agenda do AfD, que inclui propostas de restrição severa à imigração, fortalecimento das relações com a Rússia, redução do apoio à Ucrânia e a saída do euro como moeda comum.

Ulrich Siegmund, líder regional do AfD, comemorou o resultado, afirmando que a eleição “faz história” e representa um sinal para toda a Alemanha. Segundo ele, o partido recebeu um mandato para atuar no governo regional e estendeu a mão a quem desejar colaborar na resolução dos problemas do país. No entanto, apesar da expressiva votação, o AfD ainda não possui maioria suficiente para nomear um ministro-presidente — equivalente ao cargo de governador —, o que indica que eventuais negociações com outras forças políticas serão necessárias para formar uma administração estável na região.

O impacto da vitória do AfD também foi sentido na esfera nacional. O chanceler Friedrich Merz declarou que o resultado demonstra a necessidade de reformas no país, mas reforçou que os valores democráticos continuam firmes. Em nota, Merz afirmou que as instituições alemãs permanecem resilientes e protegidas pela Constituição, destacando a estabilidade do sistema democrático mesmo diante do crescimento de forças de extrema-direita. Ele também classificou a derrota da CDU na eleição de Saxônia-Anhalt como a pior para o partido em décadas.

Por outro lado, a vitória do AfD gerou preocupação entre líderes europeus. Na segunda-feira, 7 de outubro, o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, considerou o resultado um “momento grave na Europa” ao destacar o avanço da extrema-direita na Alemanha. O ministro polonês dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski, também manifestou preocupação, afirmando que o resultado é “um sinal muito preocupante”, embora tenha ressaltado que o partido quase atingiu a maioria absoluta, o que reforça a sua relevância política na região.

Por outro lado, líderes de partidos de extrema-direita em outros países europeus celebraram a vitória do AfD. Santiago Abascal, líder do partido Vox, na Espanha, considerou o resultado “ótimo para a Alemanha e para a Europa”. Já o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, destacou a vitória como um “sinal de mudança, segurança e emprego”. Fora do continente europeu, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também demonstrou apoio ao partido, compartilhando um gráfico com os resultados eleitorais na Saxônia-Anhalt, em um gesto de solidariedade à força política alemã.