O Departamento de Justiça dos Estados Unidos manifestou-se nesta terça-feira (22) apoiando a decisão do presidente Donald Trump de limitar o acesso de jornalistas a áreas restritas da Casa Branca, incluindo o Salão Oval. A posição do governo foi apresentada um dia antes de uma audiência judicial que analisa o pedido feito por três veículos de comunicação — CNN, MS Now e Politico — para suspender o veto presidencial.
Em documento encaminhado ao tribunal, o Departamento de Justiça argumentou que Trump possui a autoridade legal para controlar o acesso de repórteres às instalações presidenciais, alegando que essa prerrogativa inclui a restrição de entrada em espaços como o Salão Oval. Além disso, o governo ressaltou que o acesso à Casa Branca deve ser entendido como um “privilégio”, e não um direito garantido aos jornalistas, reforçando a justificativa do veto.
A restrição teve início no último sábado (19), quando Trump anunciou a decisão por meio de uma publicação em suas redes sociais, informando que as credenciais de jornalistas de veículos como CNN, MS Now e Politico haviam sido desativadas ou confiscadas. Como consequência, os profissionais desses veículos ficaram impedidos de entrar no complexo presidencial. Posteriormente, as empresas de comunicação ingressaram com uma ação judicial contestando a medida, alegando violação de direitos constitucionais e princípios de liberdade de imprensa.
No documento apresentado ao Judiciário, o Departamento de Justiça também afirmou que os veículos de comunicação não teriam cumprido padrões de profissionalismo e conduta considerados adequados para o acesso às áreas restritas da Casa Branca. Como parte do procedimento, cartas explicativas foram enviadas às organizações nesta terça-feira (22), detalhando os motivos do veto. Essas cartas citam diversas reportagens específicas, que, segundo o governo, colocariam em risco a segurança nacional ou conteriam informações falsas. Entre os exemplos destacados estão uma reportagem da CNN sobre planos para construção de um bunker sob o salão de baile da Ala Leste da Casa Branca, e outras relacionadas à guerra no Irã. A MS Now foi questionada por uma matéria sobre uma investigação envolvendo possível vazamento de informações confidenciais, enquanto o Politico foi citado por uma reportagem sobre melhorias de segurança realizadas pelo Serviço Secreto no salão de baile.
As organizações de mídia argumentam que a decisão de Trump viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão e de imprensa. Elas solicitaram ao tribunal uma medida liminar para suspender o veto e restabelecer suas credenciais de acesso ao complexo presidencial. A audiência para discutir o caso foi agendada para esta quarta-feira (23), e o juiz federal Timothy Kelly deverá analisar o pedido de suspensão do bloqueio enquanto o processo judicial tramita.
Este episódio evidencia uma crescente tensão entre o governo e os veículos de comunicação, levantando debates sobre os limites do poder presidencial na gestão do acesso à Casa Branca e os direitos constitucionais de imprensa. A decisão final do tribunal poderá estabelecer um precedente importante para futuras questões envolvendo a relação entre o Executivo e a liberdade de imprensa nos Estados Unidos.












