A prática de ioga aquecida, também conhecida como hot yoga, demonstrou potencial para reduzir os sintomas de depressão moderada a grave, com benefícios que aumentam conforme a frequência das aulas. Essa é a conclusão de um estudo publicado no Journal of Affective Disorders, que acompanhou um grupo de adultos ao longo de um período de oito semanas.
A ioga aquecida é realizada em ambientes com temperaturas variando entre 32°C e 40°C. O calor presente nas salas favorece o relaxamento muscular, facilita os alongamentos e intensifica a atividade física. Considerando que tanto a prática de ioga quanto a terapia com calor já haviam mostrado efeitos positivos na saúde mental de forma isolada, os pesquisadores decidiram investigar os benefícios da combinação dessas abordagens para indivíduos com depressão.
O estudo envolveu 80 adultos que apresentavam depressão moderada a grave e que não eram praticantes regulares de ioga. Os participantes foram divididos em dois grupos: um deles iniciou imediatamente um programa de ioga aquecida por oito semanas, enquanto o outro aguardou este mesmo período antes de começar a prática. Essa metodologia permitiu que os cientistas comparassem os efeitos da ioga aquecida com um grupo de controle, minimizando a possibilidade de que eventuais melhorias fossem atribuídas apenas à expectativa de participação no estudo.
As aulas ocorreram em estúdios comunitários na região de Boston, nos Estados Unidos, onde a temperatura das salas era mantida em torno de 40°C. Os participantes foram incentivados a participar de pelo menos duas aulas semanais de hatha yoga, cada uma com duração de 90 minutos e seguindo uma sequência padronizada de 26 posturas e dois exercícios respiratórios.
Os resultados mostraram uma correlação direta entre a frequência das aulas e a diminuição dos sintomas de depressão. Entre os 65 participantes que completaram todas as avaliações, a pontuação média na escala clínica utilizada para medir a gravidade da depressão caiu cerca de 13 pontos durante o programa. Além disso, cada aula adicional frequentada foi associada a uma melhora estimada de 0,72 ponto na escala de avaliação dos sintomas. Os pesquisadores observaram que os benefícios continuaram a aumentar mesmo entre aqueles que participaram de até 30 sessões ao longo do estudo, sem indícios de que os efeitos positivos atingissem um limite.
Outro dado importante é que os indivíduos que já faziam uso de medicamentos antidepressivos apresentaram melhorias semelhantes às observadas nos que não estavam sob tratamento farmacológico. Os efeitos positivos foram consistentes independentemente de fatores como idade, sexo ou nível educacional dos participantes.
A depressão é considerada uma das mais significativas crises de saúde pública atualmente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, em 2021, cerca de 727 mil pessoas perderam a vida por suicídio em todo o mundo, e aproximadamente 280 milhões de pessoas conviviam com a depressão em 2019. Embora tratamentos como psicoterapia e antidepressivos sejam eficazes para muitos, estima-se que apenas metade dos pacientes experimente uma melhora significativa. Ademais, os medicamentos podem causar efeitos colaterais, incluindo ganho de peso, fadiga, alterações no sono e dificuldades de concentração.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que intervenções acessíveis e comunitárias, como a ioga aquecida, possam servir como uma estratégia complementar ao tratamento convencional. Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo enfatizam a necessidade de novas pesquisas com um número maior de participantes para validar os achados e determinar a frequência ideal de aulas para otimizar os benefícios. Além disso, pretendem investigar em que momento as melhorias deixam de aumentar com a participação em sessões adicionais.












