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Consumo de açúcar na infância está ligado a menor risco de demência na velhice, aponta estudo com mais de 64 mil participantes

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Um estudo que acompanha mais de 64 mil pessoas sugere que limitar a ingestão de açúcar já nos primeiros anos de vida pode estar associada a uma redução no risco de desenvolver demência na vida adulta. A pesquisa, que envolveu 64.737 indivíduos, examinou se o consumo de açúcar antes do nascimento e nos primeiros anos de vida influencia a saúde cerebral em fases posteriores. Os dados indicam que pessoas que viveram com menor exposição ao açúcar no início da vida apresentam menor probabilidade de diagnóstico de demência por volta dos 50 a 60 anos, quando os pesquisadores monitoraram a saúde médica ao longo do tempo, com idade média dos participantes em torno de 55 anos.

Segundo os responsáveis pelo estudo, publicado na revista Neurology, os resultados destacam a potencial importância da nutrição na primeira infância para reduzir o risco de demência décadas depois. A pesquisa se apoia em um critério inédito para a avaliação: o histórico de racionamento de açúcar no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, que influenciou o ambiente alimentar de várias gerações.

Metodologia e estratificação dos dados
Para investigar a associação entre consumo de açúcar e risco de demência, os pesquisadores classificaram os participantes com base no período de nascimento em relação ao racionamento de açúcar. O racionamento foi implementado durante o conflito e permaneceu vigente por algum tempo após, encerrando-se apenas em setembro de 1953. A partir dessa linha do tempo, os autores criaram três grupos distintos:

– Nascidos antes do nascimento e durante o primeiro ano de vida, com 15.025 indivíduos; nesse grupo, 388 casos de demência foram identificados.
– Nascidos antes do nascimento e até os dois primeiros anos de vida, com 15.256 participantes; nesse grupo, 456 casos de demência foram registrados.
– Nascidos após o fim do racionamento, com 23.774 pessoas; nesse último grupo, 504 diagnósticos de demência foram observados.

Além da contagem de casos, o estudo ajustou os resultados para diversas condições de saúde que podem influenciar o risco de demência, como hipertensão e diabetes. Mesmo após esses ajustes, a análise indicou diferenças relevantes entre os grupos.

Resultados principais
A comparação entre os grupos revelou que as pessoas que vivenciaram o racionamento de açúcar antes do nascimento e até o primeiro ano de vida tinham, em geral, menor risco de desenvolver demência em idade média. Especificamente, o estudo aponta uma redução de 21% no risco de demência para esse grupo em comparação com aqueles nascidos após o período de racionamento. Já em relação ao grupo que nasceu antes do nascimento e até os dois primeiros anos de vida, a redução de risco observada foi de 23%.

Complemento de dados de imagem cerebral
O estudo também incluiu exames de neuroimagem em parte dos participantes. Essas avaliações ampliaram a compreensão sobre o impacto do açúcar no início da vida na estrutura cerebral. Consta no comunicado da pesquisa que aqueles com menor consumo de açúcar no início da vida apresentaram maior volume de massa cinzenta e índices menores de dano ao tecido cerebral, o que sugere, de forma indireta, uma relação entre a nutrição precoce e a integridade da matéria cinzenta.

Interpretações, limitações e caminhos futuros
Os autores destacam que, embora os achados indiquem uma associação entre o menor consumo de açúcares adicionados na gravidez e na infância e um menor risco de demência décadas depois, ainda são necessárias mais pesquisas para entender os mecanismos que conectam exposições precoces à saúde cerebral ao longo do tempo. Além disso, as evidências de imagem corroboram a hipótese de que padrões nutricionais na primeira infância podem influenciar a formação e a preservação da massa cinzenta, aspectos relevantes para o risco de demência. A conclusão do estudo enfatiza a possibilidade de que a limitação de açúcares adicionados durante a gravidez e a infância seja uma medida benéfica a ser considerada por famílias e comunidades, desde que novas pesquisas esclareçam os impactos exatos dessas exposições precoces e orientem políticas públicas de saúde.

Em síntese, o trabalho reforça a ideia de que hábitos alimentares na gestação e nos primeiros anos de vida podem ter repercussões duradouras na saúde cerebral, abrindo espaço para investigações sobre intervenções nutricionais como estratégias de prevenção à demência.