A popularidade da minissérie “Profundezas”, atualmente líder entre as séries mais assistidas na Netflix, trouxe à tona uma questão que há décadas intriga a comunidade científica e o público: as lulas gigantes realmente existem? A produção, que mistura elementos de suspense e aventura, aborda a possibilidade de encontros com esses animais colossais no fundo dos oceanos, além de retratar relatos de pescadores que alegam ter avistado essas criaturas. Para fundamentar a narrativa, a série contou com a consultoria de uma bióloga marinha, que afirmou categoricamente que as lulas gigantes vivem de fato nas profundezas marítimas.
Segundo Annie Mercier, pesquisadora do Centro de Ciências do Oceano em Newfoundland, no Canadá, as evidências científicas suportam a existência dessas criaturas. Ela explica que as lulas gigantes podem atingir entre 10 e 15 metros de comprimento e possuem os maiores olhos do reino animal, uma adaptação que lhes permite enxergar na escuridão das profundezas oceânicas. Mercier também destaca que, ao encontrarem restos de cefalópodes — grupo que inclui polvos, lulas e, especificamente, as gigantes — muitas vezes já em estado de decomposição, é provável que esses animais estivessem ainda maiores em vida.
Por serem habitantes de regiões extremamente profundas, geralmente abaixo de 1.000 metros de profundidade, as lulas gigantes são de difícil estudo. No entanto, avanços recentes na pesquisa marítima vêm contribuindo para ampliar o conhecimento sobre esses animais. Uma dessas estratégias envolve a instalação de câmeras em baleias cachalotes, predadoras naturais dos cefalópodes, permitindo a captura de imagens e vídeos dos animais em seu habitat natural. Essas evidências visuais reforçam a hipótese de que as lulas gigantes existem e vivem em ambientes de difícil acesso.
Relatos históricos de avistamentos dessas criaturas datam de mais de um século. Há registros que atribuem a elas supostos ataques a navios, incluindo eventos durante a Segunda Guerra Mundial, quando alguns relatos indicam encontros com objetos ou criaturas de tamanho e características incomuns. No entanto, a bióloga Annie Mercier afirma que esses comportamentos, embora registrados, são considerados improváveis para a espécie, dado que as lulas gigantes não possuem força suficiente no esqueleto para ferir objetos ou embarcações acima da superfície. Ela acrescenta que, na maior parte do tempo, esses animais são pacíficos, tendendo a se afastar ao se sentirem ameaçados, embora possam se tornar mais agressivos em situações de proteção de seus filhotes.
A narrativa apresentada na minissérie “Profundezas” reforça essa compreensão, ao retratar uma lula gigante que reage de forma agressiva ao ser ameaçada por um pescador e uma bióloga marinha. A trama também aborda o impacto do aquecimento global, sugerindo que as mudanças ambientais podem estar alterando o comportamento dessas criaturas, especialmente na proteção de seus ovos e filhotes. Os cefalópodes, incluindo as lulas gigantes, demonstram estratégias parentais altamente dedicadas, com os pais dedicando meses à proteção e cuidado dos ovos, até o ponto de interromperem a alimentação, o que resulta na própria morte após esse período.
A série, composta por seis episódios, está disponível na Netflix e contribui para o debate científico e popular sobre a existência e o comportamento dessas criaturas enigmáticas, cuja presença no fundo dos oceanos ainda guarda muitos segredos.












