Quando se fala em Setembro Amarelo e prevenção ao suicídio, geralmente a primeira pergunta relacionada é: “É possível prevenir?” Logo em seguida: “Como?” O primeiro grande ponto a ser avaliado é o comportamento. Na correria do dia a dia, muitos de nós não damos a devida importância ou não percebemos potenciais comportamentos suicidas. Quando identificados, esses comportamentos de risco se tornam uma orientação para os profissionais que estudam o caso poder diagnosticar e tratar o paciente da melhor forma possível.
O principal comportamento de risco é justamente a tentativa. Ou seja, a pessoa que tenta suicídio tem maior risco de tentar novamente e, por isso, deve ser levada aos profissionais de saúde o mais rápido possível. De acordo com o blog Vittude, outros comportamentos de risco podem ser a presença constante de um sentimento de culpa, de que a pessoa não tem valor ou importância para os próximos; acreditar que ela é um peso, um fardo na vida das outras pessoas; se mostrar sem esperança e sem perspectiva de futuro; escrever cartas, textos e frases de despedida, de términos, de morte e de fim do caminho. Na palestra do psiquiatra Carlos Reche, ele mostrou que existem três características psicopatológicas comuns nos suicidas. A primeira é a ambivalência, ou seja, a pessoa transita entre um desejo profundo de viver e de morrer. Ela não fica pensando em cometer suicídio em todos os momentos do dia. A segunda característica é a impulsividade. O impulso para colocar um fim na vida que pode durar alguns minutos, algumas horas, mas não para sempre. Por último, tem-se ainda a rigidez, em que a pessoa não consegue perceber outra saída a não ser essa.
O que leva uma pessoa a cometer suicídio pode ter inúmeras respostas. Na página da campanha Setembro Amarelo, os chamados fatores de risco são separados em dois grupos. Os fatores não modificáveis, como o próprio nome diz, são aqueles que não variam, independente da situação em que a pessoa se encontra. Como exemplo, tem-se a tentativa prévia de suicídio, alguns grupos de idade e gênero, eventos traumáticos na infância e adolescência, genética e a presença de transtorno psiquiátrico. É importante mencionar que transtornos psiquiátricos podem sim evoluir para essa situação, mas nem todo suicídio se deve a esse fator, assim como nem todo transtorno psiquiátrico resultará em uma tentativa de suicídio. Já dentre os fatores modificáveis, estão pessoas que passam por conflitos familiares, conflitos internos como a orientação sexual incerta, pela solidão, que se encontram desempregados e com problemas financeiros graves, moradores de rua e pessoas com fácil acesso a meios letais. Muitas vezes, é justamente num momento de vulnerabilidade e impulsividade, acompanhado de algum (ou mais) fator de risco, que a decisão de colocar fim em sua própria vida é tomada.
Por mais que seja um assunto pesado, complexo e muito delicado, não podemos deixá-lo de lado. É uma questão de saúde pública global. Nunca conseguiremos tratar e diminuir as estatísticas se continuarmos sem falar, sem discutir, sem disseminar o conhecimento e as formas de identificar e ajudar para prevenir!













