Internações por Guillain-Barré aumentam 36% em um ano

Postado em 01/03/2016 7:57

Em um ano, os casos de internação pela síndrome de Guillain-Barré em Minas cresceram 36%, e a alta pode estar relacionada à chegada do zika vírus no Estado. A doença é provocada pelo próprio organismo, que passa a atacar o sistema nervoso, causando paralisa e até a morte. Ela está ligada a uma infecção viral ou bacteriana anterior, e a suspeita é que o zika vírus tenha uma predisposição maior para causar Guillain-Barré. Especialistas acreditam que esse seja, inclusive, o motivo para o crescimento dos casos, considerado alarmante.

No ano passado, Minas teve 223 internações por Guillain-Barré. É o maior número desde 2010, e ele representa uma alta de 36% com relação a 2014, quando foram 163 casos. A elevação foi maior que no Brasil (de 29%, passando de 1.439 para 1.868).

Para o presidente da Sociedade Mineira de Neurologia, Rogério Darwich, tudo indica que o aumento tem relação com o zika. “É um número muito alto, um crescimento absurdo. Quando essa alta de casos acontece justamente quando há uma epidemia de um vírus, certamente a suspeita recai sobre ele, no caso, o zika”, explica. Também está sendo estudada a relação da síndrome com a dengue e a chikungunya.

A Síndrome de Guillain-Barré é provocada por uma confusão do sistema imunológico. Ela surge após uma infecção que tenha proteínas muito parecidas com a bainha que envolve os nervos do corpo humano.

Nesses casos pode ocorrer de os anticorpos atacarem o vírus, mas também os nervos do paciente. Há, então, uma inflamação que pode dificultar os movimentos, até mesmo causando paralisia. Há casos em que a síndrome afeta os músculos do sistema respiratório, interrompendo a capacidade de a pessoa respirar, o que pode causar a morte.

Evolução do problema

Desenvolvimento. A Síndrome de Guillain-Barré se desenvolve após os anticorpos atacarem as bainhas que envolvem os nervos, provocando uma inflamação. Quando essa estrutura começa a ser danificada, as transmissões dos nervos ficam mais lentas e começam os primeiros sintomas.

Diagnóstico. A síndrome provoca, inicialmente, dormência nas extremidades de mãos e pés. Em seguida, evolui para toda a extensão do braço. A dormência pode se transformar em dificuldade para se movimentar. Se a inflamação atingir os músculos, pode gerar atrofia de forma permanente.

Complicações. A tendência é que a síndrome atinja seu auge após 20 dias. A partir daí, a inflamação regride, e o paciente recupera os movimentos. Porém, se a doença avançar até o sistema respiratório, pode causar parada respiratória e demorar mais de um ano para o paciente voltar a respirar sozinho.

Cenário

Zika. Até o momento, Minas tem 501 notificações por zika, sendo 16 casos confirmados da doença. Desse total, 14 são gestantes. A doença já provocou um aborto.

Zika agrava quadro clínico

Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, realizam um estudo para tentar identificar a real relação entre o zika vírus e a Síndrome de Guillain-Barré. Em princípio, os casos da síndrome provocados pelo zika seriam mais agressivos que os demais.

“O Guillain-Barré continua sendo raro, só que nos chama atenção o fato de que esses pacientes (que tiveram zika vírus) apresentam o quadro clínico um pouco mais grave e com variantes da síndrome”, explicou o professor da Faculdade de Medicina da UFF, Osvaldo Nascimento.

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Fonte: O Tempo

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