Pular para o conteúdo

Canetas emagrecedoras batem recorde no Brasil e mercado deve chegar a R$ 46 bi

Caneta de aplicação de medicamento emagrecedor à base de semaglutida, símbolo do avanço das canetas emagrecedoras no Brasil
62% dos brasileiros conhecem alguém que usa ou já usou canetas emagrecedoras, aponta o Instituto Locomotiva. [Foto: iStock.com/ugurhan]

As canetas emagrecedoras no Brasil deixaram de ser um nicho restrito e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de famílias em poucos anos. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada em abril, 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que usa ou já usou medicamentos à base de semaglutida ou tirzepatida.

Além disso, em 33% dos domicílios entrevistados há pelo menos um morador que recorreu a esse tipo de tratamento.

Esse percentual representa um salto expressivo. No fim do ano passado, apenas 26% dos domicílios relatavam algum morador usuário das canetas. A pesquisa ouviu 1.004 pessoas entre 3 e 9 de fevereiro, com amostra ponderada conforme o perfil da população na PNAD do IBGE. Portanto, o levantamento reflete um recorte nacional representativo, não apenas grandes centros urbanos.

O que os números revelam sobre o mercado de canetas emagrecedores?

Consequentemente, o crescimento do consumo aparece refletido no comércio exterior. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que a importação das canetas emagrecedoras saltou 88% em 2025. Na prática, esse avanço superou produtos tradicionais da pauta brasileira de importação, como salmão, smartphones e azeite de oliva.

A compra de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro somou US$ 1,6 bilhão, cerca de R$ 9 bilhões, ante US$ 888 milhões em 2024. A Dinamarca, sede da farmacêutica Novo Nordisk, liderou a origem dos produtos, com 44% do total — cerca de US$ 734,7 milhões, ou R$ 3,8 bilhões.

Ainda assim, a concentração em um único país de origem expõe o Brasil a oscilações cambiais e logísticas. Enquanto isso, a expectativa do setor é de que a produção nacional reduza essa dependência nos próximos anos.

Como a chegada de medicamentos nacionais muda o cenário?

Em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Ozivy, primeiro medicamento nacional à base de semaglutida, fabricado pela EMS. Em junho, a Eurofarma passou a vender suas versões Poviztra e Extensior com desconto de quase 50% em relação aos concorrentes importados.

Esses lançamentos surgem na esteira da quebra da patente do Ozempic no Brasil. Por isso, a tendência é de que mais fabricantes disputem o mercado, os preços caiam gradualmente e o acesso ao tratamento se amplie para uma parcela maior da população.

Quanto o setor pode crescer até 2030?

Um relatório do Itaú BBA projeta que o mercado de medicamentos emagrecedores deve saltar do atual patamar de US$ 1,7 bilhão por ano para US$ 9 bilhões, o equivalente a R$ 46 bilhões, até 2030. Sobretudo, esse crescimento depende da entrada consistente de novos concorrentes nacionais.

Para Menezes, a chegada de novos medicamentos permite que mais pessoas realizem o tratamento com mais segurança, além de inibir o mercado ilegal de canetas emagrecedoras. Em síntese, a combinação entre concorrência, produção local e queda de preços tende a redesenhar esse mercado nos próximos anos.

Quem avalia iniciar o tratamento deve buscar orientação médica antes de qualquer decisão, considerando custcustos, riscos e alternativas terapêuticas disponíveis no país.

Caneta de aplicação de medicamento emagrecedor à base de semaglutida, símbolo do avanço das canetas emagrecedoras no Brasil
62% dos brasileiros conhecem alguém que usa ou já usou canetas emagrecedoras, aponta o Instituto Locomotiva. [Foto: iStock.com/ugurhan]