O ex-vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), está cumprindo prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após voltar ao Brasil. A pena está sendo cumprida desde 9 de fevereiro, segundo determinação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).
Hildebrando é alvo da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais. Ele deixou o país dois dias antes da operação ser desencadeada, em setembro de 2025, o que levantou suspeitas de fuga estratégica.
Enquanto esteve fora, o político perdeu o mandato. A Câmara Municipal de Itaúna declarou a vacância do cargo de vice-prefeito em janeiro de 2026, com base na Lei Orgânica do Município, que proíbe a ausência do titular por mais de 15 dias sem autorização do Legislativo. A Prefeitura já havia suspendido seu salário em outubro do ano passado.
A defesa, no entanto, afirma que a viagem foi um “compromisso profissional previamente agendado” e que ele retornou “espontaneamente” para colaborar com as autoridades.
Operação ‘Rejeito’
Hidelbrando é apontado pela PF como integrante do nível operacional da organização criminosa. As investigações indicam que ele teria usado a experiência adquirida em sete anos na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) – onde foi secretário-executivo e subsecretário de Regularização Ambiental – para facilitar crimes ambientais e atos de corrupção.
Ele é sócio de empresas apontadas como fachada para blindagem patrimonial e aparece em conversas interceptadas como articulador de propinas.
A Operação Rejeito, que completa seis meses, desarticulou um esquema que movimentou R$ 1,5 bilhão e envolvia a concessão fraudulenta de licenças ambientais para exploração irregular de minério de ferro, inclusive em áreas tombadas.
Em dezembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a soltura de quatro investigados, entre eles o ex-deputado João Alberto Paixão Lages e o ex-superintendente da PF em Minas, Rodrigo de Melo Teixeira.
Com isso, todos os presos na operação foram liberados e passaram a responder em liberdade, mas submetidos a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o país.














