A reflexão de Frei Jacir sobre as bem-aventuranças de Mateus 5, 1-12 propõe uma leitura prática do texto bíblico: viver é caminhar, e amar é a forma mais concreta de se preparar para as perdas inevitáveis. O frade franciscano e biblista Jacir de Freitas Faria apresenta a ideia em vídeo. Além disso, ele convida o público a trocar a palavra “bem-aventurado” por “em marcha” e perceber como o sentido do texto muda.
Em resumo, a mensagem combina três camadas: tradução de termos bíblicos, história da espiritualidade medieval e cuidado com o luto. Por isso, o tema interessa tanto a quem frequenta igrejas quanto a quem procura palavras para atravessar uma perda. Ainda assim, o frade não entrega uma resposta pronta; ele oferece um método de leitura e uma pergunta sobre como cada pessoa cuida dos próprios vínculos.
O que a reflexão de Frei Jacir diz em 30 segundos?
- Em Mateus 5, 1-12, Frei Jacir lê “bem-aventurado” como quem está em marcha, e não parado como imagem no altar.
- Segundo o frade, a tradição medieval pode ganhar novo sentido hoje, como convite a viver com amor.
- Ele afirma que, com o tempo, a dor se transforma em saudade.
- O frade alerta que o luto não pode ser eterno, porque a vida precisa continuar.
- Desde 2022, a ciência reconhece o luto prolongado como transtorno, quando a dor intensa persiste por tempo atípico e compromete a rotina.
Quem é Frei Jacir e por que a leitura das bem-aventuranças chama atenção?
Jacir de Freitas Faria é padre e frade franciscano, doutor em Teologia e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, segundo o Instituto Humanitas Unisinos. Além disso, ele atua como professor de exegese bíblica e mantém o canal Frei Jacir Bíblia e Apócrifos no YouTube, com aulas sobre Bíblia e textos apócrifos.
Em 2019, a Editora Vozes lançou o livro O Medo do Inferno e a Arte de Bem Morrer, de sua autoria, que investiga a devoção apócrifa à Dormição de Maria e as irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte. Portanto, o tema do vídeo dialoga com uma pesquisa publicada pelo próprio frade.
O que muda quando “bem-aventurado” vira “em marcha”?
No vídeo, Frei Jacir lembra que o termo hebraico e o grego, traduzidos para o português como “bem-aventurado”, significam, segundo ele, estar em marcha, a caminho e em movimento. Consequentemente, o frade desafia o espectador a reler as bem-aventuranças de Mateus 5, 1-12 com essa troca de palavra e observar como a compreensão do texto se transforma.
Frei Jacir afirma que a expressão “arte de bem morrer” foi cunhada na Idade Média, quando a Ars moriendi ensinava o tema com imagens gravadas em madeira. Segundo o frade, o objetivo daquela época era provocar medo do inferno. Entretanto, ele propõe aproveitar a experiência histórica e traduzi-la para hoje, como pedagogia do amor e da vida.
Por que Frei Jacir une amor, saudade e luto na mesma frase?
Frei Jacir afirma que a vivência da perda de uma mãe, de um filho, de uma filha ou de um amigo depende de como cada pessoa se relacionou com eles em vida. Nessa arte, diz ele, amor e morte são “palavras sinônimas”. Em síntese, o frade coloca a qualidade do vínculo antes do momento final.
O frade também descreve o caminho do luto: com o tempo, a dor se transforma em saudade eterna. Ainda assim, ele ressalta que o luto não pode ser eterno e fala em uma roda da vida que precisa continuar. Em outras palavras, a fala não sugere esquecer quem partiu, e sim impedir que a ausência paralise a rotina.
Como aplicar a reflexão de Frei Jacir na rotina?
O próprio frade sugere um exercício: reler as bem-aventuranças trocando “bem-aventurado” por “em marcha”. Na prática, o leitor pode fazer isso em grupo de estudo, em família ou sozinho, anotando quais ideias de movimento surgem.
Além disso, a reflexão abre espaço para conversas sobre vínculos. Perguntar a si mesmo como cultiva a relação com pais, filhos e amigos hoje conecta o texto bíblico a decisões concretas. Ainda assim, quem enfrenta perda recente deve respeitar o próprio tempo e buscar acolhimento, sem pressa para cumprir prazos.












