Publicidade

Qual a correlação entre não acreditar em Deus e ser bom?

Postado em 11/03/2020 17:58

Drauzio Varella, ateu convicto, foi destaque na imprensa nesta semana. Com vasta experiência em atendimentos em presídios, com mais de três décadas de trabalho voluntário, o médico emocionou telespectadores e internautas com a matéria sobre mulheres transexuais presas e abandonadas por familiares que foi ao ar no Fantástico, mas também foi acusado de ser uma pessoa má por dar destaque a uma pessoa que matou e estuprou um menor.

 

No entanto, o fato de não saber que Suzy tinha se envolvido em um crime hediondo, causou o furor de uma grande parcela da sociedade contra o Dr. Dráuzio, que foi acusado até de ser uma pessoa má apenas por conta de não ter uma religião ou crença em um deus. Mas afinal, há alguma correlação do ateísmo com crimes hediondos ou há motivo plausível para a sociedade se voltar contra o médico ?

 

 O abraço entre Drauzio  e uma das presas foi o ponto alto para a repercussão.

 

O psicanalista e filósofo Fabiano de Abreu acredita que não se pode generalizar e nem julgar o caráter e comportamento das pessoas com base na religião: “A minha avaliação sobre o comportamento do religioso e do ateu não pode ser levado em consideração para todas as pessoas, afinal, para todo caso há exceções. Contudo, os religiosos têm em sua doutrina o perdão embutido. Ao cometer erros, acreditam que se manifestarem arrependimento serão perdoados, então, tendem a cometer mais erros, com a premissa do amor e perdão divinos.” 

 

Abreu acredita que o comportamento religioso também pode apontar para uma certa arrogância, quando há um desequilíbrio: “a crença no céu garantido por ser religioso traz a soberba, por acreditar que terá uma boa vida após a morte e por pensar que é superior ao outro, já que escolheu pelo certo, que na sua concepção é a fé, enquanto outras pessoas não. A doutrina religiosa que diz o que temos que fazer e o que temos que ser, resulta naquele ar de que, eu escolhi o certo e outras pessoas o errado. Há também o extremismo em que, se você não é o que sou, você está errado. “

 

Ateu não é satanista nem indiferente

 

Fabiano de Abreu também aponta que o ateu não é satanista pois, quem não acredita em Deus não acredita também no diabo: “O ateu é aquele que não acredita que exista nada e que quando morrermos entraremos em decomposição até desaparecer totalmente da terra, ou que a morte do cérebro já determina o fim.

 

O psicanalista também aponta que o ateu não é uma pessoa indiferente ao sentimento ou sofrimento do outro na sociedade: “a questão é que poderá sim existir ateus que por não acreditarem em nada não se importam com o próximo, mas, como diversas pesquisas apontam, os ateus tendem a tomar atitudes sem querer receber nada em troca, pois não acreditam na necessidade de boas obras para herdar o céu. Muitos ateus são pessoas inteligentes e intelectuais e, pessoas com este retrospecto tendem a fazer coisas boas pois é inteligente ser bom. Quem é bom tem como consequências coisas boas para si seja através de uma ligação direta ou indireta fazendo o bem para uma sociedade, sociedade esta que ele vive e como somos um comboio social, tudo é reflexo de nossas ações, afinal, “ o leve bater das asas de uma borboleta pode ser sentido do outro lado do mundo. ”

 

Razão x Emoção

 

Segundo Abreu, grande parte dos ateus buscam uma razão e um raciocínio lógico para que possa ter um retorno favorável para ele ou para a sociedade que ele faz parte. Ou até mesmo pode fazer as boas ações como forma de marketing para a própria imagem.

Em sua visão, a religião é uma experiência emocional e sensorial enquanto o ateu usa somente da lógica e da razão para tomar suas decisões de vida: “Na religião, há os mandamentos que definem o que é certo e o que é errado e independente da sua crença.

Então, seja religioso ou ateu o certo é o certo e a experiência humana de milhares de anos já definiu isso com base nas consequências das ações comportamentais. Sejamos inteligentes e, se religioso ou ateu, alcançar a humildade para saber escutar, não julgar e ter atitudes que promovam o melhor para a sociedade que irá refletir em si mesmo.” 

 
 
Fabiano de Abreu – Psicanalista Clínico n’0.0543 pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Clínica e CBPC (Conselho Brasileiro de Psicanálise Clínica)
Especialista em estudo da mente humana e membro da Mensa, associação de pesoas mais inteligentes do mundo. 

Publicidade
Veja também
Noticias relevantes:
Comentários *Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem. comentarios
Publicidade
Publicidade
error: Este conteúdo é protegido!