A masculinidade tem sido construída, ao longo de séculos, em torno de uma ideia rígida de força, invulnerabilidade e controle. Homens são, tradicionalmente, ensinados a não demonstrar emoções que possam ser vistas como “fraqueza” – como tristeza, medo, ou insegurança. Essa construção social, tão arraigada na cultura, tem levado a um dos maiores desafios contemporâneos: a saúde mental masculina.
Desde a infância, meninos aprendem que “homem não chora”. A imposição dessa narrativa de invulnerabilidade cria um bloqueio emocional, tornando a expressão de sentimentos mais profundos algo temido e reprimido. Em uma sociedade que valoriza a virilidade, muitos homens são forçados a sufocar suas dores e ansiedades. O resultado é um silêncio perigoso, que cresce com o passar dos anos e transforma-se em uma barreira para o autocuidado.
O psicólogo Landry Rios durante participação no programa Toca Uma Pra Mim, conversou francamente com a apresentadora Michele Fernanda, sobre os desafios do homem “se encontrar” em meio a tantas mudanças da sociedade:
Homem Também Deve se Expressar
Como Buscar o Equilíbrio
Pesquisas sobre saúde mental indicam que homens têm maior dificuldade em procurar ajuda psicológica. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os índices de suicídio entre homens são significativamente maiores do que entre mulheres. Parte disso se deve ao fato de que eles tendem a internalizar o sofrimento e a resistir a reconhecer suas vulnerabilidades. A falta de espaço para falar abertamente sobre sentimentos, medos ou dificuldades leva muitos a buscarem refúgio em comportamentos autodestrutivos, como o abuso de álcool e drogas, ou a adoção de posturas agressivas.
Especialistas afirmam que essa dificuldade em expressar emoções está diretamente ligada a conceitos ultrapassados de masculinidade, muitas vezes reforçados pela mídia, pelo ambiente de trabalho e até nas dinâmicas familiares. A exigência de que o homem seja o “provedor”, o “forte”, o “imperturbável” cria um ciclo onde o medo de falhar ou de ser julgado por expressar fragilidade prende o indivíduo em um labirinto de solidão emocional.
O resultado desse modelo é claro: crises de ansiedade, depressão, e uma enorme dificuldade de estabelecer relacionamentos genuinamente saudáveis. Para muitos homens, admitir que estão sofrendo ou precisando de ajuda pode parecer sinônimo de fracasso pessoal, quando na verdade deveria ser visto como um ato de coragem e autoconhecimento.
O movimento em direção a uma masculinidade saudável envolve uma revisão profunda desses conceitos. Homens que encontram apoio, seja em terapia, seja em grupos de conversa, são aqueles que, de maneira gradual, começam a romper com o ciclo de silêncio. A vulnerabilidade é, na verdade, um atributo humano, e a capacidade de lidar com as próprias emoções não só fortalece os indivíduos, como transforma a sociedade.
É necessário, portanto, incentivar a criação de espaços de diálogo sobre saúde mental, focando em desconstruir mitos sobre a masculinidade e ensinando homens a valorizarem o autocuidado. Só assim será possível superar os conflitos da masculinidade, permitindo que homens possam, finalmente, expressar o que realmente sentem, sem medo de julgamento, e construir uma vida emocional mais equilibrada e saudável.















