Prefeito mineiro decide romper com a
Copasa e empresa cobra R$ 100 milhões
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Atualizado
em:12 de novembro de 2021
10:22
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(foto: João Gustavo/Asscom
PMSSP) Prefeito decide romper com a Copasa e empresa cobra R$ 100
milhões
(foto: João Gustavo/Asscom PMSSP)
Prefeito decide romper com a Copasa e empresa cobra R$ 100
milhões
Em
reunião com o presidente da Copasa (Companhia de Saneamento
de Minas Gerais), Carlos Eduardo Tavares de Castro, o prefeito de
São Sebastião do Paraíso, Marcelo Morais, insatisfeito com
os serviços prestados pela empresa no município, decidiu romper o
contrato que estaria em vigor até 2040.O município decidiu
pela encampação do serviço e deve abrir processo de licitação para
que empresas privadas interessadas no serviço de esgotamento e
abastecimento de água possam assumir estes trabalhos com preço
acessível e justo à comunidade.
Por
meio de nota, a Copasa informa que não foi notificada oficialmente,
mas ressalta que “o encampamento da companhia pela administração
municipal implica no pagamento de aproximadamente R$ 100 milhões de
valores investidos e não amortizados”.Mas
tranquiliza a população afirmando que os serviços não serão
cortados até que haja uma decisão final sobre o
assunto.
Marcelo
Morais relembrou os processos envolvendo a empresa e um
descumprimento de contrato por parte da autarquia, principalmente
entre outubro de 2015 e setembro de 2019, quando a gestão anterior
fez acordo com a Copasa para finalização de obras.Durante
este período, a empresa teria cobrado o serviço de tratamento de
esgoto da população sem que houvesse o tratamento efetivo.“A gente
entende que a indenização paga à Copasa é em torno de R$ 60
milhões. O município vai fazer a encampação, vai colocar de forma
transparente para o mercado quais são as empresas que têm interesse
de prestar o serviço na cidade, desde que faça um serviço de
qualidade, com preço acessível, não explore a população como a
Copasa está explorando, não só em Paraíso como no estado inteiro”,
disse o prefeito de São Sebastião do Paraíso, acrescentando que
“todos os municípios deveriam fazer a mesma coisa, porque a gente
tem percebido que há uma reclamação constante, não só em São
Sebastião do Paraíso, como em toda a região nossa, em todo o
estado”.
O
prefeito de São Sebastião do Paraíso informou ainda durante a
reunião com o presidente da Copasa que todos os incentivos fiscais
hoje concedidos pelo município à empresa serão
revogados.
A
encampação é garantida uma vez que existe a possibilidade do
desequilíbrio econômico que possa estar ocorrendo e prejudicando a
população em geral.Para
se efetivar a encampação, deve ser enviado para a Câmara Municipal
autorizando o município a realizar todo o processo envolvendo a lei
específica, como processo de licitação e análise documental
requerendo o rompimento de contrato com a Copasa e contratação de
empresa que consiga realizar o serviço com qualidade e preço mais
acessível.
“Esgotei
tudo o que foi possível para que houvesse um equilíbrio de ambas as
partes, porém não houve sucesso na diminuição desse valor, não me
restando outra alternativa a não ser começar o processo de
rompimento do contrato através da encampação, que é nossa única
esperança, além do debate judicial que ocorre desde 2017”, destaca
o prefeito.Em
2017, Marcelo Morais, então vereador e presidente da Câmara,
entrou com uma ação civil pública contra a Copasa porque ela
estaria cobrando tratamento de esgoto sem ter construído as ETE’s
(Estações de Tratamento de Esgoto).
Segundo
o prefeito, uma comissão será formada para começar as tratativas e
mostrar que o valor cobrado pelo metro cúbico do abastecimento de
água é exorbitante em Paraíso, o que impacta diretamente no preço
final ao consumidor.
A
posição da Copasa
Por
meio de nota, através da assessoria de comunicação, a Copasa diz o
seguinte:
“A
Copasa informa que não foi notificada oficialmente pela
administração municipal. A companhia afirma que o atendimento à
população de São Sebastião do Paraíso não será interrompido até que
haja uma decisão final. Neste período, a Copasa continuará com os
serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário com o
padrão de qualidade estabelecido pelo Ministério da Saúde e está
aberta a negociações. É importante ressaltar que o encampamento da
Companhia pela administração municipal implica no pagamento de
aproximadamente R$ 100 milhões de valores investidos e não
amortizados, além do lucro cessante. Ou seja, o montante
deverá ser pago à Companhia após a rescisão do
contrato.
Com
o objetivo de aprimorar cada vez mais os serviços oferecidos à
população, a Copasa mantém os seus investimentos e já está
implementando soluções para melhorar o abastecimento de água em São
Sebastião do Paraíso. Serão disponibilizados mais três quilômetros
de adutora e canalizações destinadas a conduzir água potável para
reforçar o abastecimento no Bairro Jardim
Diamantina.
Foram
também definidos e autorizados cinco locais para perfuração de
poços artesianos. A Companhia também vai ampliar as captações de
água no córrego Pilões e no Ribeirão
Santana.
Para
solucionar situações emergenciais, a Copasa vai contratar mais
caminhões-pipa para atendimento à população. O plano de ações da
empresa prevê ainda a contratação de gerador, quando necessário,
para atender a cidade e região na falta de energia
elétrica”.
A
reunião, realizada na quarta-feira (10/11), teve a presença também
do vice-prefeito, Daniel Teles, do presidente da Câmara, Lisandro
José Monteiro, e vereadores, além da gerência regional da Copasa em
Paraíso.