O ator José de Abreu voltou a cobrar colegas do meio artístico por manifestações públicas em relação ao cenário político brasileiro, especialmente diante do crescimento de discursos e ações considerados fascistas. Em um vídeo divulgado nesta semana, Abreu questionou a ausência de posicionamentos de artistas que, na sua avaliação, deveriam se manifestar contra o avanço de ideologias autoritárias no país. Entre os nomes citados por ele estão Selton Mello, Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello, sendo este último o único a se manifestar publicamente até o momento, segundo o ator.
Abreu destacou que muitos artistas poderiam se pronunciar sem necessariamente apoiar candidaturas ou partidos políticos, enfatizando que a questão central é a denúncia do que chamou de “fascismo querendo tomar conta do país”. Ele citou exemplos de figuras públicas que já se posicionaram, como a cantora Anitta, que declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu o respeito à democracia durante o voto de 2024, e a ex-reality show Ana Paula Renault, também engajada em manifestações contra o autoritarismo.
O ator expressou sua indignação com o que considera uma omissão por parte de colegas de profissão, ressaltando que a falta de manifestação contribui para o silêncio que, na sua visão, favorece o avanço de ideias extremistas. “Vamos parar com essa coisa de se omitir”, pediu Abreu, reforçando que a postura de silêncio não é justificável frente ao momento político atual.
Contexto do filme “Ainda Estou Aqui” e sua relevância histórica
A crítica de Abreu também fez referência ao filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, que retrata a trajetória da família de Eunice Paiva após o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado federal Rubens Paiva. Interpretado por Selton Mello, o personagem foi levado por agentes da ditadura militar em 1971 e, posteriormente, assassinado, fato que marcou profundamente a período de repressão no Brasil. O filme acompanha a luta de Eunice, interpretada por Fernanda Torres, para reconstruir sua vida e buscar justiça, enquanto a personagem de Fernanda Montenegro aparece na fase da velhice. A obra é baseada no livro de memórias de Marcelo Rubens Paiva, filho do casal, publicado em 2015.
O longa obteve reconhecimento internacional, tendo sua estreia no Festival de Veneza em 2024, onde os roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega receberam o prêmio de melhor roteiro pela adaptação do livro. Fernanda Torres, que interpreta Eunice, conquistou o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama em janeiro de 2025, tornando-se a primeira brasileira a receber tal premiação na categoria de atuação. Além disso, “Ainda Estou Aqui” ganhou o Oscar de melhor filme internacional em março de 2025, uma conquista inédita para o cinema brasileiro na categoria. A produção também foi indicada a melhor filme e melhor atriz, com Fernanda Torres, que recebeu o reconhecimento pelo seu papel. Ao receber a estatueta, o diretor Walter Salles dedicou o prêmio à resistência de Eunice Paiva e à luta contra o regime autoritário.
A ausência de posicionamento de artistas como Selton Mello, que participou de um filme com forte carga histórica e política, foi alvo de críticas de Abreu, que reforça a importância do papel de figuras públicas na defesa da democracia e na denúncia de regimes autoritários. A discussão reflete o momento de tensão política no Brasil, onde o setor artístico é visto por alguns como um espaço de resistência e manifestação de valores democráticos.












