Um novo episódio de tensão política na Câmara Municipal de Divinópolis ganhou destaque após o vereador Matheus Dias (Avante) protocolar um pedido de cassação contra o vereador Vitor Costa (PT). A representação foi motivada por uma publicação nas redes sociais envolvendo a Campanha da Fraternidade 2026.
Segundo o documento encaminhado à Corregedoria, Vitor Costa teria divulgado, em fevereiro deste ano, um print de uma mensagem originalmente publicada em março de 2025 em um grupo privado de vereadores. O conteúdo, que trazia críticas à Campanha da Fraternidade, foi reproduzido sem identificação de autoria, mas acompanhado da expressão “falso missionário”. Veja
Um dos principais pontos do caso é que o print tem origem em uma conversa ocorrida em 05 de março de 2025, em um grupo de vereadores. Na ocasião, o tema surgiu após a participação de Vitor Costa em uma coletiva de imprensa promovida por Dom Geovane sobre a Campanha da Fraternidade de 2025. Durante a conversa no grupo, um parlamentar questionou se outros vereadores também haviam sido convidados e mencionou ter visto Vitor presente. Em resposta a esse comentário, o vereador Matheus Dias fez uma crítica à Campanha da Fraternidade, enviando a mensagem.
Alegação de uso indevido de conteúdo privado
Em pronunciamento, Matheus Dias afirmou que a mensagem foi retirada de um grupo interno de trabalho dos parlamentares, utilizado para discussões institucionais. Embora não classifique o espaço como sigiloso, o vereador destacou que se trata de um ambiente restrito, voltado ao diálogo entre colegas de legislatura.
Ele sustenta que a divulgação do material fora de contexto, aliada à expressão utilizada na postagem, configurou exposição indevida, ataque à sua fé e tentativa de ridicularização pública. “É um grupo de trabalho dos vereadores, com assuntos internos. Ao retirar um print e publicar nas redes, houve quebra de confiança”, declarou.
Acusações e defesa pública
Na representação, Matheus aponta possíveis violações como quebra de lealdade entre parlamentares, ofensa à honra e quebra de decoro parlamentar. Como prova, anexou o print da conversa, assumindo a autoria da mensagem crítica à campanha religiosa.
O vereador também ressaltou sua atuação como missionário ligado à Renovação Carismática Católica e à Missão Maria de Nazaré, argumentando que a publicação atingiu não apenas sua atuação política, mas também sua identidade religiosa.
Contexto político amplia o conflito
Durante sua fala, Matheus Dias também criticou manifestações públicas em defesa de Vitor Costa, incluindo vídeos e posicionamentos de movimentos sociais e de um ex-presidente do Conselho Municipal de Educação (Comed). Ele afirmou que já foi alvo de pedidos de cassação anteriormente e não recebeu o mesmo apoio institucional.
O parlamentar ainda levantou questionamentos sobre articulações políticas e troca de informações de bastidores, sugerindo que o caso tem repercussões além do conteúdo publicado.
Tramitação e prazo de defesa
A Corregedoria da Câmara notificou Vitor Costa no dia 12 de março de 2026, concedendo prazo de 15 dias úteis para apresentação de defesa. O caso será analisado com base no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.
Entre os pontos que deverão ser avaliados estão os limites da liberdade de expressão de parlamentares, o uso de conteúdos oriundos de conversas privadas e a caracterização — ou não — de quebra de decoro.
Caso avance, o processo pode resultar em parecer da Corregedoria e eventual encaminhamento ao plenário, instância responsável pela decisão final.













