O impasse envolvendo o Hospital Regional de Divinópolis voltou ao centro das discussões na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A deputada estadual Lohanna (PV) vem alertando há tempos sobre os atrasos e as indefinições do governo estadual em relação à doação do imóvel, cuja construção se arrasta há mais de uma década.
Apesar de existir um acordo prévio entre o Governo de Minas, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) — que previa a doação do terreno e do prédio para viabilizar a abertura da unidade —, o hospital permaneceu na lista de bens que o Estado pretende transferir à União para abatimento da dívida pública.
Nos últimos dias, durante as discussões do projeto que trata desses imóveis, Lohanna cobrou a retirada do hospital da lista, lembrando que o processo de doação já havia sido encaminhado e que o atraso prejudica a população de toda a região Centro-Oeste. No dia 24 de outubro, a parlamentar apresentou o Projeto de Lei 4.690/2025, que autoriza oficialmente a doação do imóvel à UFSJ, reforçando o compromisso com a instalação definitiva do hospital universitário.
Antes disso, Lohanna já havia protocolado uma emenda ao texto do projeto do governo, tentando impedir que o prédio fosse incluído entre os ativos negociáveis. “Divinópolis e toda a região do Centro-Oeste mineiro esperam há anos por esse hospital. A doação à UFSJ é uma solução responsável e duradoura, que garante gestão pública, transparente e voltada para o ensino, a pesquisa e o atendimento de qualidade à população. E cumpre uma promessa do presidente Lula feita em 2022 a mim, ao ex-prefeito Demetrius e à Laiz”, afirmou Lohanna.
O Hospital Regional de Divinópolis, cuja construção foi iniciada em 2010, é considerado uma das obras mais aguardadas da saúde pública mineira. Quando concluído e em funcionamento, deve se tornar referência no atendimento hospitalar e na formação de profissionais de saúde para toda a região Centro-Oeste do estado.
O Governo do
estado
O Governo de Minas informa que irá
realizar a doação do imóvel do Hospital Regional de Divinópolis
(HRDV) para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com
a finalidade exclusiva de abrigar o HRDV. A decisão foi tomada após
alinhamento entre o governador Romeu Zema e o ministro da Educação,
Camilo Santana, realizado no último dia 29/10, para dar celeridade
à inauguração da nova unidade de saúde, que vai beneficiar 1,3
milhão de pessoas no Centro-Oeste de Minas. A medida tem como
principal objetivo garantir a assistência de saúde adequada aos
mineiros e agilizar os trâmites necessários para a inauguração do
hospital.
A doação vai permitir que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), gestora do HRDV, tome todas as medidas necessárias para equipar a unidade de saúde e formalizar os contratos de prestação de serviços necessários para a operacionalização do hospital. Neste contexto, o imóvel será removido da lista de propriedades do Estado arroladas para eventual doação ao Governo Federal, no âmbito do Propag.
Avaliado em R$ 184 milhões, o imóvel do HRDV está inserido em uma área de 17 mil metros quadrados construídos. “Decidimos, em comum acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, que o Hospital Regional de Divinópolis ficará subordinado no guarda-chuva da UFSJ. Para que isso aconteça, estamos providenciando a doação não só do imóvel, mas de todos os equipamentos para a Ebserh, que é a entidade que administra os hospitais universitários em todo o Brasil. A obra do Hospital Regional de Divinópolis está orçada em cerca de R$ 180 milhões. E isso significa que o estado de Minas está doando para a União, via Ministério da Educação e UFSJ, o Hospital Regional de Divinópolis, para que ele sirva como um hospital universitário”, disse o governador Romeu Zema.
Perfil assistencial
O HRDV vai atender 54 municípios da região Centro-Oeste. A edificação tem 16.761,80 metros quadrados de área construída em um terreno de 53.464 metros quadrados e foi projetada para atender casos de média e alta complexidade.
Serão 202 leitos, sendo 30 de UTI, dez de UTI neonatal, outros dez de Cuidados Intermediários Neonatais convencional (UCI) e cinco de UCI Canguru. Também contará com 69 leitos de internação adulta, 31 para internação pediátrica, 20 leitos de observação no pronto atendimento, três de emergência e 12 consultórios para urgência e emergência.
O hospital disponibilizará atendimentos de obstetrícia clínica, obstetrícia cirúrgica, além de Centro de Parto Normal (CPN) tipo II e Gestação de Alto Risco (GAR) tipo II.
Também será disponibilizado acesso às clínicas cirúrgicas para procedimentos nas áreas de cirurgia geral, otorrinolaringologia, cirurgia pediátrica, cardiologia, neurologia, ortopedia e traumatologia, cirurgia plástica, cirurgia vascular e endovascular e procedimentos cirúrgicos na área de urologia. Além disso, atendimentos em clínica médica, pediatria clínica, oftalmologia e cuidados com a saúde mental serão outros serviços ofertados pelo hospital.
Os recursos de R$ 40 milhões para a conclusão do HRDV são provenientes do Acordo Judicial assinado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas e a mineradora Vale S.A após o rompimento das barragens em Brumadinho, em 2019, que tirou a vida de 272 pessoas e provocou uma série de danos sociais e ambientais.












