O não comparecimento de pacientes em consultas pré-agendadas na rede pública de saúde de Divinópolis tem gerado impactos financeiros significativos e também prejuízos no atendimento à população. Conhecido como absenteísmo, o problema provocou um prejuízo estimado em R$ 4,5 milhões aos cofres do município ao longo do último ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).
A informação foi apresentada durante prestação de contas realizada na Câmara Municipal pela secretária de Saúde, Sheila Salvino. De acordo com ela, além do impacto financeiro, a ausência de pacientes nas consultas compromete o funcionamento do sistema e impede que outras pessoas que aguardam na fila possam ser atendidas. “Além do prejuízo financeiro, ainda há o prejuízo para outros pacientes que estão aguardando. Quando o paciente não aparece, a equipe não pode substituir por outro que está na espera”, explicou a secretária.
Mesmo com uma leve redução registrada em 2025, os índices de faltas ainda são considerados elevados pela pasta. Na Atenção Primária à Saúde, o percentual de absenteísmo caiu de 24,7% em 2024 para 24,4% em 2025. Isso significa que, a cada 100 consultas agendadas, aproximadamente 24 pacientes não comparecem.
Nos serviços especializados, a redução foi mais expressiva. O índice passou de 19,6% em 2024 para 15,7% em 2025. Ainda assim, os números indicam que uma parcela significativa dos atendimentos agendados deixa de ser realizada por causa das ausências.
Segundo levantamento da Semusa, considerando os custos operacionais e estruturais das consultas agendadas que não foram realizadas, o prejuízo estimado chega a cerca de R$ 4,5 milhões apenas nos serviços de Atenção Primária e Secundária do município.
Além da questão financeira, o problema também afeta diretamente a assistência à saúde. Cada vaga reservada para um paciente que não comparece representa uma oportunidade perdida de atendimento para outra pessoa que permanece aguardando na fila do sistema público.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu adotar medidas para reduzir o número de faltas e melhorar a utilização dos recursos públicos. Em novembro do ano passado, foi publicada uma portaria estabelecendo novas regras e possíveis punições para pacientes que não comparecerem aos atendimentos agendados.
Segundo a pasta, as medidas administrativas foram adotadas com o objetivo de otimizar o uso da estrutura de saúde e ampliar o acesso da população aos serviços disponíveis.
Pelas novas regras, o paciente que confirmar presença e não comparecer à consulta, exame, procedimento ou cirurgia agendada, sem apresentar justificativa comprovada, terá sua solicitação retirada da fila de espera. Para voltar a ser atendido, será necessário iniciar novamente todo o processo de marcação, com novo encaminhamento e protocolo.
A justificativa para ausência poderá ser aceita apenas em casos considerados urgentes, emergenciais ou imprevisíveis, desde que devidamente comprovados e avaliados por uma comissão gestora responsável.
Entre as situações que permitem reagendamento mesmo em caso de ausência ou cancelamento em prazo inferior a 24 horas estão doença comprovada por atestado médico, óbito na família, impossibilidade de dispensa do trabalho mediante declaração da empresa, convocação judicial ou a existência de outro exame ou consulta agendada na mesma data.
Já quando o cancelamento ocorre com antecedência superior a 24 horas do horário marcado, o paciente mantém automaticamente o direito ao reagendamento, independentemente do motivo apresentado.
A Secretaria também esclarece que pacientes que informarem previamente, durante contato realizado pelo call center, que não poderão comparecer à consulta agendada não sofrerão penalidades. Nesses casos, a solicitação permanece na fila de espera e o atendimento será remarcado conforme a disponibilidade da rede pública de saúde.
Para a Semusa, a conscientização dos usuários é fundamental para reduzir o absenteísmo e garantir que o sistema público funcione de forma mais eficiente, beneficiando toda a população que depende dos serviços de saúde do município.









