Advogados pedem perícia psiquiátrica para agressor de Bolsonaro e negam ligação política em defesa

Postado em 11/09/2018 7:32

A defesa de Adélio Bispo de Oliveira protocola na segunda-feira (10), na Vara Federal de Juiz de Fora, na Zona da Mata, pedido para que a saúde mental do homem que esfaqueou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), durante ato de campanha na última quinta-feira (6), seja avaliada por perícia técnica. A tese dos defensores do agressor é  que há indícios de um quadro de insanidade mental e por isso a avaliação médica é fundamental para o julgamento do pedreiro, de 40 anos. 

De acordo com Zanone Manuel de Oliveira, advogado que compõe equipe de defesa de Bispo, somente a análise psiquiátrica poderá definir a capacidade ou incapacidade mental do réu. A ação é considerada prioridade do caso. O documento com o pedido será adicionado ao processo ainda na tarde desta segunda. 

“Nosso cliente é confesso e as atenuantes já estão presentes. No entanto, há indícios de que Adélio tem problemas de ordem mental. Pode ser que sim ou que não: quem nos dirá é o especialista. Não é um advogado, nem uma procuradora”, disse, em referência à afirmação de Zani Cajueiro, do Ministério Público Federal de Juiz de Fora, de que Adélio apresentou “lucidez e coesão” em audiência um dia após sua prisão.

Ainda segundo Zanone, a perícia de um psiquiatra poderá tornar o réu, que confessou o crime ‘a mando de Deus’, inimputável, o que garantiria sanção diferenciada. 

Como explica Fernando Costa Oliveira Magalhães, também integrante da equipe de defesa de Adélio, o documento médico impediria a prisão do réu desde que fosse cumprida medida de segurança (em um hospital psiquiátrico, por exemplo). Outra possibilidade é que o laudo reduza de um a 2/3 da pena de Adélio.

Pagamento de quatro honorários

“Sabe quando é que as pessoas vão descobrir quem paga os honorários? Nunca”, disse Zanone. Segundo ele, o pagamento não vem de uma igreja, como tem sido ventilado, e muito menos de partido político. “É uma pessoa, não sei se pastora, amiga ou parente, que o conheceu na igreja e quis ajudá-lo. Ela pediu sigilo”, afirmou. 

Já Fernando Magalhães afirma que as pessoas querem acreditar que há um partido por trás. “Não há e se houvesse nós não teríamos concordado (em trabalhar no caso).  É absurdo”, explicou. 

A equipe de defesa de Bispo ainda é composta pelos advogados associados Marcelo Manoel da Costa e Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, ambos de Barbacena, e chamados às pressas por Zanone devido à proximidade geográfica com Juiz de Fora.

Sanidade mental

O advogado Fernando Magalhães também opinou sobre a saúde mental de Adélio. Segundo ele, a possibilidade de um distúrbio é grande. “Para ser bem franco, eu acredito que ele tenha algum déficit porque ele se acha um salvador. Ele diz que foi ali para defender o Brasil de um mal. Isso não condiz com uma pessoa que está em plena condição mental”, ponderou. 

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Fonte: Jornal Hoje em Dia/Anderson Rocha

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Foto: Reprodução

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