Receita alerta para ‘Golpe do Amor’

Postado em 24/07/2017 15:50

Aposentada foi uma das vítimas. Leia abaixo como ela foi vítima

A Alfândega da Receita no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos/Cumbica alertou nesta segunda-feira (24) que vem recebendo “um número crescente de ligações” de vítimas do chamado “Golpe do Amor” ou “Don Juan”. O golpe geralmente tem início por meio de redes sociais e culmina na exigência de valores para que as vítimas tenham acesso a bens e dinheiro em espécie supostamente retidos no Aeroporto.

Segundo a Receita, os golpistas criam perfis falsos nas redes sociais, passando-se por estrangeiros em boas condições financeiras e com empregos prestigiados e estáveis. Após envolverem emocionalmente a vítima, declaram-se “apaixonados” e prometem o envio de bens diversos do exterior por via postal ou por meio de um viajante.

A Receita em Guarulhos já recebeu relatos de casos em que os estelionatários fizeram propostas de casamento e anunciaram que mandariam caixas contendo presentes diversos, como óculos, bolsas, celulares ou anéis de ouro para o “noivado” – além de documentos pessoais e, em muitos casos, dinheiro em espécie em dólares, libras ou euros.

Após o suposto envio dos presentes, a quadrilha solicita dinheiro da vítima alegando que as mercadorias estariam retidas na Alfândega e só seriam liberadas após o pagamento de taxas e outros valores. Em geral, é fornecida uma conta corrente de pessoa física para depósito. Se a vítima deposita o valor solicitado, a quadrilha faz nova exigência alegando outro empecilho para a liberação da remessa ou da bagagem e, assim, sucessivamente.

A Receita adverte que não exige qualquer pagamento em espécie ou por meio de depósito em conta corrente. Todos os tributos aduaneiros administrados pelo Fisco são recolhidos por meio Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf).

A Receita destaca que, em caso de dúvidas, o contribuinte pode enviar seu questionamento ou contatar as Unidades de Atendimento da Receita Federal por este link

Confira a história de uma aposentada que caiu no golpe do amor

Depois de quase 20 anos sozinha, uma aposentada de 60 anos encontra na internet um homem que promete transformá-la na mulher mais feliz deste mundo. Só que ela não imaginava que, por trás de declarações de amor, havia um vigarista e que iria cair no golpe do amor.

Enganada por ele, a aposentada fez oito empréstimos, incluindo instituições financeiras e agiotas, e agora está com uma dívida de cerca de R$ 40 mil e ainda corre o risco de perder o seu apartamento, em um bairro de Vitória.

Ela, que pediu para não ser identificada, faz parte das estatísticas de vítimas de criminosos, chamados de scammers, que aplicam golpes pela internet, em todo o Brasil, via países estrangeiros.

Sua história começou em dezembro de 2016, quando um desconhecido, que se identificou como Steven Kevin, pediu para que fosse adicionado a sua rede de amigos virtuais. No início, não aceitou, mas depois que pesquisou o seu perfil no Facebook e percebeu que ele estava fardado, aceitou sua amizade.

Ele dizia que morava nos Estados Unidos, mas que estava na Guerra do Iraque, onde comandava uma tropa de mil soldados.

Nas conversas iniciais, ele se mostrava muito cortez, dizia que era viúvo e que buscava uma pessoa para dividir os seus dias.

E foi a partir daí, já em janeiro, que ele partiu para a segunda parte do plano. Ele disse que tinha propriedades, que foram vendidas, e que queria enviar um pacote com dinheiro para a aposentada, já que sentiu que ela era uma pessoa de confiança.

Seu argumento era de que ela deveria guardá-lo por dois meses, prazo que ele chegaria ao Estado para conhecê-la. “No primeiro contato, ele disse que tinha ouro também, mas depois falou que só tinha dinheiro, 7,5 milhões de dólares (cerca de R$ 23 milhões).”

Ele dizia que iria enviar a encomenda para o Brasil e que um diplomata de sua confiança, que ele disse que se chamava David Johnson, faria a entrega.

Passados alguns dias, esse “diplomata” ligou para ela e disse que, para retirar a encomenda no aeroporto de São Paulo, ela precisaria pagar R$ 2 mil. Sem ter dinheiro, ela fez o primeiro empréstimo.

Só que o valor foi subindo e, sob ameaça de ser presa, ela acabou fazendo outros empréstimos, totalizando R$ 31 mil.

Com os juros, o valor se aproxima de R$ 40 mil. Desesperada, em maio, ela procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos (DRCE), que investiga o caso.

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