Um homem de 46 anos foi vítima de um sequestro, julgamento clandestino e execução por integrantes de um grupo criminoso na cidade de Uberlândia, localizada no Triângulo Mineiro. Seu corpo foi encontrado enterrado em uma cova aberta em uma área de mata no bairro Shopping Park, na madrugada desta quinta-feira (10 de setembro). As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indicam que a ação foi motivada por uma acusação de violência sexual feita por uma mulher, e até o momento, ninguém foi preso pelo crime.
Segundo informações da PCMG, as apurações tiveram início na quarta-feira (9 de setembro), após denúncias de que um vídeo mostrando a execução circulava entre moradores do bairro Shopping Park. Durante as diligências, os policiais ouviram testemunhas locais e localizaram uma mulher que tinha conhecimento da vítima, contribuindo para a reconstrução dos fatos ocorridos entre a madrugada de domingo (6 de setembro) e a execução do homem.
De acordo com os relatos obtidos pelos agentes, a vítima, a mulher envolvida na acusação, e outras pessoas participavam de uma confraternização que envolvia consumo de bebidas alcoólicas por volta das 4 horas da manhã daquele domingo. Após o encerramento do encontro, a mulher teria relatado que manteve uma relação sexual sem consentimento com o homem. Este relato teria sido compartilhado pelo irmão da mulher, que é menor de idade, com integrantes de um grupo criminoso que atua na região.
Cerca de uma hora e meia após o episódio, por volta das 5h30, a vítima teria sido retirada de sua residência e levada para um cativeiro localizado em outro bairro de Uberlândia. A Polícia Civil suspeita que a execução tenha sido transmitida ao vivo para a mulher que fez a denúncia, indicando uma possível participação em tempo real na morte do homem. A vítima foi morta por enforcamento utilizando uma corda, e posteriormente seu corpo foi colocado em um veículo, levado até uma área de mata no bairro Shopping Park, onde os criminosos escavaram uma cova para ocultar o cadáver.
Na madrugada de quinta-feira (10), equipes da Delegacia de Homicídios de Uberlândia analisaram imagens de câmeras de segurança e reuniram informações para localizar o local exato do sepultamento. Por volta das 4 horas, os policiais localizaram a cova e solicitaram apoio do Corpo de Bombeiros para realizar a escavação e remoção do corpo. O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para realização de necropsia, que determinará as causas da morte e possíveis lesões.
A vítima, natural da Bahia, residia em Uberlândia há pelo menos seis anos, porém, não tinha familiares na cidade, tendo seus parentes sido comunicados do falecimento pela própria Polícia Civil. Até o momento, não há registros anteriores de denúncia de violência sexual ou de desaparecimento do homem. A investigação também inclui apurações sobre a denúncia de abuso sexual, com o delegado responsável, Carlos Fernandes, afirmando que a responsabilização pelo crime será avaliada pelo Poder Judiciário, caso seja comprovada a autoria e a materialidade.
A Polícia Civil de Minas Gerais reforça que a prática de “justiça paralela” representa uma grave afronta ao Estado Democrático de Direito, ressaltando que a realização de julgamentos e execuções por particulares é ilegal. As equipes continuam reunindo imagens, depoimentos e demais elementos de prova para identificar todos os envolvidos no sequestro, na execução e na ocultação do corpo, buscando responsabilizar os autores por seus atos.















