Convenção terraplanista resulta em brigas, ameaças de processo e confusão

Postado em 15/11/2019 22:35

A Flatcon 2019, anunciada como primeiro e principal evento terraplanista do Brasil, não atendeu às expectativas do seu excêntrico público. A reunião ocorreu domingo (10) na capital paulista.

Doze youtubers, que acreditam que o planeta Terra não é um globo, se uniram para realizar uma palestra para centenas de pessoas. A conferência falou exclusivamente sobre “Terra plana”, uma pseudociência que ganhou popularidade nos Estados Unidos a partir de 2015.

Apesar das promessas de sucesso, o evento foi um fiasco.

Brigas e Ameaças

Já nos primeiros meses de divulgação, uma briga pública entre os palestrantes causou divisões no movimento.

 O youtuber Gideão Cerqueira foi acusado de arrecadar doações para realizar um experimento científico e não prestar contas dos valores (cerca de R$5.000,00). Em seguida, saiu do quadro de palestrantes.

O também youtuber Sniper One decidiu abandonar o movimento. Em sua saída, denunciou que alguns dos palestrantes tinham posicionamentos anti-éticos e que só pensavam em lucro.

Após trocas de ofensas e ameaças, outros palestrantes abandonaram o projeto.

Mesmo assim, a Flatcon seguiu a vender ingressos. Novos participantes foram chamados para suprir as vagas abandonadas.

Local

Porém, os terraplanistas começaram a enfrentar outro problema: o local. O evento estava marcado para ocorrer no colégio católico Maria Imaculada, mas a direção se recusou a receber a convenção ao saber o tema.

Em seguida, alugou-se um salão de escola, no bairro Liberdade. Novamente, os donos do local se recusaram a receber o evento assim que souberam qual era o assunto.

Conspiração Maçônica

Os organizadores  disseram que os cancelamentos ocorriam por causa de uma conspiração da Maçonaria. Na visão de muitos terraplanistas, maçons são os donos do planeta e manipulam a população mundial.

Decidiu-se, portanto, que a sede da conferência só seria divulgada com 24 horas de antecedência, para evitar supostas perseguições.

Mas às vésperas da data programada, os organizadores, ironicamente, alugaram um salão do Teatro Liberdade, que é ligado à Maçonaria e exibe seus símbolos na fachada.

O público que já havia comprado ingressos ficou surpreso ao chegar ao endereço avisado e se deparar com os símbolos da Maçonaria.

Estou revoltado. Nós, terraplanistas, sabemos como as sociedades secretas dominam o mundo. Entrar nesse local vai totalmente contra as minhas convicções morais. Fui lesado. Vou pedir meu dinheiro de volta”, afirmou o jovem G.A.,  de 23 anos, que se deslocou de Belo Horizonte até São Paulo para acompanhar o evento.

Fracasso de Público

Foram disponibilizados 400 ingressos no primeiro lote, e os organizadores prometiam aumentar a capacidade. Todavia, o resultado foi frustrante. Pelas imagens divulgadas até o momento, é estipulado um público entre 100 e 200 pessoas.

Doze palestrantes se revezaram durante as palestras. O evento durou algumas horas e transcorreu tranquilamente.

Cobranças

Os youtubers que participaram da Flatcon estão sendo duramente criticados pelo fato de terem ido até um local ligado à Maçonaria. Para o público conspiracionista, foi um erro imperdoável.

Os palestrantes estão sendo acusados de se venderem ao “sistema” e de serem traidores do movimento.

Loucura

Numa mistura de pseudociência, teorias da conspiração e fundamentalismo religioso, a idéia da Terra plana cresce no Brasil. O tema prospera no YouTube e tem sido fonte de renda para teóricos da conspiração, e principalmente para oportunistas.

À primeira vista, parece engraçado. E realmente é. Mas trata-se, também, de um problema social grave que afeta a saúde mental de muitos brasileiros.

 

Palestrante Gilberto Assef. (Foto: Paulo Sampaio/UOL).

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