Fonte: webmotors
A moto foi feita para rodar na chuva e não dentro da água”. A
frase do mecânico paulista Alexandre Sauro alerta para os riscos de
atravessar enchentes e alagamentos. Os problemas são muitos e podem
ir de um simples mau cheiro, passando pela oxidação interna do
escapamento até o
travamento do motor.
Durante as recentes tempestades que atingiram São Paulo na última
semana, vimos muitos motociclistas correrem o risco de tentar
atravessar áreas alagadas ou enxurradas. A dica mais valiosa nesses
casos é “não faça isso”; veja porque.
ADEUS MOTOR
Já ouviu falar de calço hidráulico? Esse nome complicado pode levar
a resultados catastróficos para o motor da sua moto. Ele acontece
quando o nível da água fica acima da entrada de
ar do filtro.
Nesse caso, a água entra na câmara de combustão e o motor “morre”.
Ao tentar dar partida novamente, o pistão comprime a água que não
tem como sair e força biela, pistão e outras partes móveis do
motor. “Caso a moto morra, não tente ligar ou dar tranco, ponha em
ponto-morto e empurre até um local seguro”, ensina Alexandre.
ESCAPAMENTO SEM SAÍDA
Além da entrada para o filtro de ar a água também pode entrar no
motor pelo escapamento. Isso acontece quando o motor “apaga” ou a moto é
arrastada pela enxurrada. Se desconfiar que a moto ficou debaixo
d’água o ideal é não dar partida ou tranco, pois pode haver água
dentro do motor.
Mesmo que a água não tenha atingido o motor ela pode oxidar o
escapamento e destruir o catalisador causando grandes prejuízos.
Por isso, evite estacionar em locais onde há alagamentos. Mas caso
isso aconteça e você desconfie de que possa ter entrado água no
escapamento, não ligue a moto e leve-a para um mecânico
verificar.
CURTO CIRCUITO
Uma das partes mais sensíveis da moto, e que não convive bem com a
água, é o sistema
elétrico. Nos vídeos de enchentes vemos que, em
muitos casos, os carros e motos estão com farol aceso ou piscas
funcionando. Alexandre lembra que isso é o resultado da água que
“fecha” os circuitos e causa curtos, danificando módulos e afetando
componentes eletrônicos nas motos modernas. “Nas motos carburadas,
o CDI pode ser afetado” alerta o mecânico.
CÂMBIO, DESLIGADO
Os donos de scooters devem tomar ainda mais cuidado com o nível da
água, pois a entrada de ar nesses veículos fica numa posição mais
baixa do que nas motos. Além do risco ao motor e escapamento, os
scooters usam câmbio do tipo automático – conhecido como CVT. Se o
componente ficar abaixo da linha da água a caixa de engrenagem será
afetada assim como o óleo será contaminado com lama. Rodar com o
scooter nessas condições pode comprometer todo o conjunto do câmbio
e causar um grande prejuízo.
MARCAS ETERNAS
“A enchente deixa marcas eternas na moto”, o mecânico lembra que a
água entra em partes de difícil acesso – como interior do quadro,
por exemplo. Com o passar do tempo, essa água pode oxidar e corroer
o metal sem que você veja. O mesmo acontece com o painel que perde
sua cor ou fica com restos de lama na parte interna. Farol,
lanterna e piscas podem ficar esbranquiçados. A água também pode
encharcar a espuma do banco e, caso não fique ao sol para secar
apropriadamente, pode deixar um mau cheiro que será a lembrança de
atravessar um alagamento ou de que a sua moto ficou debaixo da
água.
















