Ex-presidente da Samarco poderá assumir cargo no Governo do Estado

Postado em 28/02/2019 7:56

Em comunicado enviado por e-mail a funcionários da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), o atual presidente da estatal, Marco Antônio Castello Branco, informa que quem vai assumir o comando da Codemig e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) é José Tadeu de Moraes. Indicado pelo governador Romeu Zema, Morais presidiu de 2003 a 2011 a mineradora Samarco, responsável pelo rompimento da barragem em Mariana, em 2015.

No texto, explica-se que, no dia 8 de março, os conselhos de administração das duas companhias vão eleger Moraes e convocar assembleias para a renovação das cadeiras e a unificação dos dois conselhos. A assessoria de Zema não confirma a informação.

Moraes presidiu a Samarco de setembro de 2003 a dezembro de 2011, mas trabalhou na empresa desde 1982, começando como trainee. Ele saiu da empresa e foi para a Manabi SA, onde tem o cargo de diretor de operações, quando foi sucedido por Ricardo Vescovi, o presidente da Samarco, mineradora controlada pela Vale e pela BHP Biliton, no rompimento da barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015. A tragédia matou 19 pessoas e provocou o maior acidente ambiental do Brasil. 

Na investigação sobre a catástrofe, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontou, entretanto, que o processo de construção da barragem começou de forma irregular em 2007, ainda no comando de Moraes, sem a apresentação do projeto executivo aos órgãos de licenciamento e fiscalização de Minas Gerais. 

Sobre a investigação do MP, ele disse que a informação não se confirmou e não houve confirmação sobre o fato. Moraes saiu da Samarco para assumir o cargo de diretor de operações da mineradora Manabi SA, que mudou de nome para Mlog, que tem ativos de minério de ferro em Morro do Pilar, na Região Central de Minas. Desde 2015, ele atua como consultor de negócios. No seu currículo de Moraes, ele aponta como principais realizações ter sido responsável pela manutenção da unidade de Germano, complexo onde ocorreu o rompimento, e ter sido responsável pelo aumento da capacidade de produção da Samarco em 54%.

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