Raphael Lorenzo Barros da Silva, de 10 anos, é uma criança natural de São Gonçalo do Pará, que foi diagnosticada com anemia falciforme desde os 13 dias de vida, após ser feito o Teste do Pezinho. Com o diagnóstico, muitas batalhas foram travadas em conjunto à família, até que uma doadora mudou a vida de Raphael: sua própria irmã, Ana Clara, de 15 anos.
A medula doada foi aceita pelo organismo do irmão, devido a alta taxa de compatibilidade genética entre eles. Com essa grande vitória, a família organizou uma carreata nesta segunda (25) para comemorar a recuperação do filho.
A LUTA DE RAPHAEL
Aos 13 dias de vida de Raphael, sua família descobriu, através do teste do pezinho, que o garoto era portador de Anemia Falciforme, doença hereditária em que os glóbulos vermelhos do sangue se assemelham a uma ‘foice’. As membranas dessas células se rompem mais facilmente, causando a anemia.
Com sintomas que incluem crises de dor, infecções e úlceras, a vida de Raphael foi uma intensa luta até que ele começou a fazer um acompanhamento na Rede Pública de Saúde no Hemominas de Divinópolis-MG, de caráter paleativo, ou seja, sem expectativa de cura.
O pai de Raphael, Romulo, em contato com o Portal MPA, disse que essa notícia deixou a família sem chão, por ser uma doença grave e sem expectativa de cura. Ele disse que o filho “teve várias internações devido aos sintomas da doença, que eram crises álgicas, cansaço ao praticar algum exercício ou esporte, dores nas articulações”.
Complementa, surpreso por descobrir que, ao assistir TV, viu “uma reportagem onde uma criança portadora da mesma anemia em São Paulo foi curada através de um Transplante de Médula”, diz Romulo. A partir disso, a família agendou uma consulta no Hospital Sírio Libanês em São Paulo.
Por lá, o médico avaliou Raphael e disse que, quando fosse necessário, havia chances de cura pelo Transplante, porém, na época, o garoto não tinha a quantidade de crises necessárias para passar por um transplante, devido ao risco do procedimento.
O TRATAMENTO
No início de 2024, o jovem garoto passou a ter crises seguidas devido à anemia falciforme. Em cada uma delas, a família se deslocava até Divinópolis para o hospital São João de Deus. Em uma das internações, Raphael foi inclusive para a sala vermelha e quase veio a óbito, conforme conta o pai.
Com isso, foi feito um novo contato com os médicos do Sírio Libanês em SP, para que fosse agilizado o transplante. Depois de diversas buscas por doadores compatíveis na família e diversas dificuldades enfrentadas, os pais encontraram, em Belo Horizonte, uma médica especialista em transplante de medula óssea.
Foi aí que a vida da família, e principalmente de Raphael, começou a mudar para melhor. A esperança veio no nome de Ana Clara, sua irmã, que era 100% compatível para o transplante. Imediatamente, deslocaram-se para Nova Lima, MG, onde foram iniciados os procedimentos para que o garoto pudesse receber a medula.
Raphael e Ana Clara foram internados no dia 6 de novembro, e seus pais também precisaram de internação devido ao isolamento necessário. A medula da irmã foi doada no dia 12 de novembro e, já no dia seguinte, ela recebeu alta da operação.
Com 13 dias corridos da operação, no dia 24, foi constatado pelos médicos que a medula de Ana Clara foi aceita pelo organismo de Raphael. O vídeo abaixo mostra o momento em que a família recebe a notícia dos médicos. Raphael agora passa a ter dois aniversários, pois “reviveu” após o transplante.
COMEMORAÇÕES PELA CURA DA ANEMIA FALCIFORME
Tomados pela emoção após receber a melhor notícia possível, de que Raphael estava em recuperação do transplante bem sucedido, a família iniciou as comemorações pelo milagre presenciado. Um tio teve a ideia de organizar, em São Gonçalo do Pará, uma carreata para homenagear dois grandes heróis: Raphael, que lutou e venceu a anemia falciforme, e Ana Clara, por salvar a vida do irmão.
De acordo com o pai, o filho está passando bem, ainda internado por ter sido uma operação recente. Em breve, irão retornar para casa, cheios de alegria e com “dois aniversários para comemorar”. O pai, Romulo, afirmou que o garoto “vai poder viver tranquilamente, vai apenas fazer acompanhamentos pós transplante mais coisa normal mesmo”, explica.
Também contou que Raphael “vai poder praticar qualquer esporte, não vai sentir mais dores nem ter crises. Ele graças a Deus está curado!”, exclama. Veja abaixo vídeos da carreata organizada pela família, em comemoração à cura alcançada pelo filho.













