Inadimplência entre pessoas acima de 50 anos aumentou quase 60%

Postado em 21/02/2017 14:29

O aumento do custo de vida provocado pelo desequilíbrio econômico vem impactando diretamente na renda das famílias. O resultado desse cenário é quase inevitável: aumento da inadimplência. De acordo com o Indicador de Dívidas em Atraso do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais, o número de pessoas inadimplentes junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em Minas Gerais cresceu 59,50%, na faixa etária acima de 50 anos, no mês de janeiro de 2017 em comparação com janeiro de 2016.
 
Na opinião de Bruno Falci, presidente do SPC Brasil e do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais, inflação alta, juros elevados e aumento do desemprego formam uma espécie de “ciclo vicioso” que dificulta ao cidadão honrar todos os seus compromissos. “As pessoas acima de 50 anos são, normalmente, as responsáveis financeiras pelas famílias e, por isso, são as que mais sentem no bolso os reflexos desse desequilíbrio da economia. Algumas delas, inclusive, vivem apenas com a renda da aposentadoria”, explica Falci. Ainda segundo o dirigente, planos de saúde mais caros em função da idade e gastos com remédios também contribuem para a alta inadimplência nessa faixa etária.
 
Variação anual de pessoas inadimplentes por faixa de tempo
 
Já entre os mais jovens, com idade entre 18 a 24 anos, esse índice apresentou queda de 25,68% em janeiro de 2017 na comparação com o mesmo mês em 2016. “Isso se deve ao fato de os jovens estarem demorando mais a conseguir entrar no mercado de trabalho. Sem emprego, eles não têm renda e, consequentemente, não podem consumir”, afirma o presidente do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais. 
 
Na análise segmentada por gênero, a maior inadimplência está entre os homens, com aumento de 4,43% na comparação anual contra 4,17% das mulheres. “Aqui também observamos a questão do impacto sobre o responsável familiar. Os homens são os maiores responsáveis financeiros, 30,6% segundo pesquisa de uso do crédito da CDL/BH. Além disso, nos últimos meses, houve aumento na proporção de homens desligados do mercado de trabalho”, salienta Falci. 
 

Gênero do devedor- Anual 

 

Inadimplência de pessoas físicas – Em janeiro de 2017 houve alta de 4,47% do número de pessoas físicas inadimplentes, na comparação com janeiro de 2016, quando o patamar foi de 3,94%. “Aqui, mais uma vez, vemos o impacto do cenário econômico desequilibrado. Com menor capacidade de pagamento, muitas pessoas têm focado seus recursos para a subsistência da família, deixando de quitar débitos passados”, observa Bruno Falci.

Já na comparação mensal (jan.2017/dez.2016) houve queda de 0,15% no número de pessoas inadimplentes. Em 2016, o índice foi de alta de 0,59%. 

Pessoas inadimplentes – Variação anual

Número de dívidas – Na comparação anual, em janeiro de 2017 foi verificado um aumento de 2,87% no número de dívidas de pessoas físicas em Minas Gerais junto ao SPC. No mesmo período de 2016, o aumento foi de 7,29%. “Mesmo sendo um resultado um pouco melhor, ainda assim verificamos os reflexos do efeito corrosivo da inflação alta que diminui o rendimento da população, das taxas de juros elevadas, bem como da piora dos indicadores de emprego. A conjunção destes fatores aliado à falta de planejamento financeiro levou a este aumento”, ressalta o presidente do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais.

Na comparação mensal (jan. 2017/dez.2016), houve queda no número de dívidas de 0,01%. Em 2016, esse índice foi de alta de 0,87%.

Total de dívidas – Variação anual

Na abertura por faixa etária, a maioria das dívidas na comparação anual também ocorreu com consumidores acima dos 50 anos, com 57,24%. “Assim como observado na análise da inadimplência, o desequilíbrio econômico afeta principalmente essa faixa etária, porque nela estão os responsáveis financeiros das famílias”, pontua Falci. Entre os mais jovens, com idade de 18 a 24 anos, esse índice apresentou queda de 24,81%. De 25 a 29 anos a queda foi de 5,48%. Na faixa etária dos 30 a 39 anos, o índice teve crescimento de 1,97% e na de 40 a 49, alta de 8,36%. 

Já na análise segmentada por gênero, são as mulheres que possuem mais dívidas, com 2,87% na comparação anual. Os homens somam 2,43%. “Uma pesquisa de uso do crédito realizada no 2º semestre de 2016 indicou que a maior parte das mulheres não possui nenhum controle financeiro, fator que pode contribuir para o aumento de dívidas desse público”, explica o dirigente. 
 
Empresas inadimplentes – Em janeiro de 2017 houve alta de 9,16% no número de pessoas jurídicas inadimplentes, na comparação com janeiro de 2016, quando o índice foi de 16,02%. “Encontramo-nos ainda em um cenário econômico desequilibrado, mesmo com o resultado desse ano sendo menor que o do ano passado”, salienta Bruno Falci. Para ele, a presença de inflação alta e a taxa de juros elevada “afetam diretamente a estrutura de gestão e a capacidade de pagamento das empresas”.
 

Pessoas jurídicas inadimplentes – Variação anual

 
Na base de comparação mensal (jan.2017 / jan.2016) houve um crescimento de 0,86% no número de pessoas jurídicas inadimplentes. Em 2016, o aumento foi de 0,79%. 
 
O setor que registrou a maior quantidade de empresas inadimplentes foi o de serviços. Na comparação anual, a alta foi de 13,92% em janeiro de 2017, frente ao mesmo período do ano anterior. Falci atribui esse resultado à retração das atividades no setor de serviços. “Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse segmento assinalou uma retração de 4,7% em suas atividades no acumulado do ano (Jan.16/Dez.16)”, disse. “Esse resultado é reflexo, sobretudo, da alta taxa de inflação que prejudicou as vendas e o caixa desses negócios”, completa.
 
A inadimplência nos outros setores comportou-se da seguinte forma em janeiro de 2017 frente ao mesmo período de 2016: indústria (+7,84%); comércio (+7,22%); agricultura (+6,76%) e outros tipos de estabelecimentos (-4,23%).
 
Variação anual de devedores por CNAE
 
 
Dívidas das empresas – De acordo com os dados do SPC das CDL’s de Minas Gerais, o número de dívidas em atraso das empresas cresceu 7,68% em janeiro de 2017, na comparação com o mesmo período do ano anterior. “Novamente percebe-se que o consumo familiar desacelerou por causa do desemprego e a inflação elevada. Como resultado disso, o empresário vende menos e acaba acumulando dívidas”, afirma Falci. Na comparação mensal (Jan.17/Dez.16), as dívidas em atraso apresentaram crescimento de 0,79%.
 
Total de dívidas – Variação Anual
 
 
Metodologia – Os indicadores de inadimplência apresentados nesse material contêm todas as informações disponíveis nas bases de dados a que o SPC Brasil e as CDL’s de Minas Gerais têm acesso. O indicador de pessoas físicas inadimplentes mostra a variação mês a mês no número de pessoas registradas na base do SPC Brasil. Cada pessoa física inadimplente é contada apenas uma vez, independente do número de dívidas que tenha em atraso. Já o número de dívidas em atraso mostra a quantidade média de dívidas em atraso de cada pessoa física.
 

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