Governo anuncia novidades para o “Minha Casa, Minha Vida”

Postado em 30/03/2016 9:35

Reportagem de Queila Ariadne para o Jornal “O tempo”

O governo vai lançar nesta quarta a terceira fase do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A grande novidade será a criação da faixa intermediária, chamada de 1,5. Hoje, o programa dá subsídios de até 95% para quem ganha até R$ 1.800 (faixa 1) e de até 25% para quem recebe entre R$ 1.800 e R$ 5.000 (faixas 2 e 3 ). A partir de agora, quem ganha entre R$ 1.800 e R$ 2.350 ficará na nova faixa. Os detalhes serão divulgados nesta quarta-feira, mas, segundo a resolução 790 do Conselho Curador do FGTS (de 29 de outubro de 2015) quem se enquadrar no perfil 1,5 terá subsídios de até R$ 45 mil, para imóveis que custem até R$ 135 mil.

Segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, para Minas Gerais a faixa 1,5 deve financiar imóveis de até R$ 125 mil. “Ainda não sabemos exatamente como serão as regras, mas sabemos que, ao contrário da faixa 1, onde a Caixa Econômica compra o empreendimento da construtora e repassa para os mutuários, os consumidores da faixa 1,5 passarão por uma seleção no portal da habitação, receberão uma carta de garantia do subsídio e irão procurar o imóvel por conta própria, no mercado”, explica.

Na prática, vai funcionar como um cupom de desconto, que o consumidor apresentará na hora de fechar o financiamento. Todos os subsídios só valem para imóveis novos.

Hoje, além dos critérios para a nova faixa, serão divulgados novos limites de preço a serem financiados nas faixas já existentes, assim como reajustes. A faixa 2, que contempla quem ganha até R$ 3.250, deve subir para R$ 3.600. Já a faixa 3, para quem recebe até R$ 5.000, deve ser elevada para R$ 6.500. Os valores serão confirmados nesta quarta-feira, pelo Ministério das Cidades.

A fase 3 do MCMV era esperada há um ano e, segundo Júnior, deveria ter sido anunciada em fevereiro de 2015. O atraso surtiu efeito direto no volume de recursos em Minas, que despencou 97% de 2014 para 2015, na faixa 1, caindo de R$ 852,41 milhões para R$ 25,03 milhões. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério das Cidades explicou que o atraso na fase 3 pode ser justificado pela demora no processo de construção das novas regras, que demandou muita conversa; e pelo contingenciamento do Orçamento da União. “O programa é muito bacana, mas o dinheiro acabou”, afirma Júnior. Desde 2009, quando foi criado, o MCMV entregou 313 mil moradias em Minas Gerais.

Sobre o programa

De 2009 até agora ( em Minas Gerais):
– Unidades contratadas: 435.292 unidades, sendo 141.220 na faixa 1
– Unidades entregues: 313.714, sendo 94.297 na faixa 1
– Valor contratado
R$ 32,21 bilhões
Fase 3 do MCMV (*)
– Faixa 1: para quem ganha até R$ 1.800, imóveis de até R$ 76 mil
-Faixa 1,5: para quem ganha até R$ 2.350, para imóveis de até R$ 125 mil em Minas
-Faixa 2 : renda até R$ 3.600
– Faixa 3: renda até R$ 6.500
(*) Valores serão confirmados nesta quarta pelo ministério das cidades

Menos de 3% dos R$ 83 bi já saíram

Brasília. O pacote do governo anunciado há dois meses para irrigar setores como habitação, agricultura, infraestrutura e pequenas e médias empresas continua praticamente no papel. Levantamento feito com números dos bancos oficiais e do FGTS mostra que, até o momento, apenas 2,7% – ou R$ 2,24 bilhões – dos R$ 83 bilhões prometidos para reanimar a economia foram efetivamente desembolsados.

O pacote anunciado em janeiro conta com recursos do FGTS e de bancos públicos e está travado por uma série de fatores, entre eles, segundo analistas, o pouco apetite de famílias e empresas em tomar empréstimos neste momento, com endividamento alto e falta de confiança no rumo da economia do país. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que havia restrições de oferta na maioria das linhas que receberam incremento. 

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