Conheça o divinopolitano que hoje é dono de empresa bilionária

Postado em 30/11/2018 10:34

Conheça o divinopolitano que hoje é dono de empresa bilionária

André Penha se define como um “nerd introvertido”. Um dos fundadores do QuintoAndar, a startup que garante o pagamento do aluguel em locação de imóveis e fornece seguro-fiança grátis para locadores e locatários, eliminando a burocracia de cartórios e papéis, é uma das cabeças pensantes da nova geração de empreendedores brasileiros que apostam na inovação permanente de suas companhias.

Na adolescência, o mineiro de Divinópolis, de 38 anos, era um daqueles meninos curiosos que gostava de mexer com eletrônica e de programar computadores, numa época em que a internet ainda não era tão popularizada.

Esse interesse levou o rapaz para a Universidade de Campinas (Unicamp), onde o CTO da startup que está revolucionando o mercado imobiliário nacional cursou engenharia da computação. Em 2002, egresso da Unicamp, o jovem Penha desejava atuar com games, um mercado muito enxuto à época. A saída: fundar a própria companhia.

Anos depois, esse tino empreendedor voltou à tona, mas agora com um propósito maior. A ideia de André era construir um negócio que transformasse o mundo real de verdade. Foi então que, em 2012, o QuintoAndar nasceu para “impactar positivamente a vida de muita gente”, relembra

André Penha conheceu Gabriel Braga, o outro fundador e CEO da empresa, na Universidade de Stanford (EUA), onde ambos cursaram MBA. Viver o zeitgeist do Vale do Silício iluminou a cabeça dos dois, que carregam até hoje a filosofia daquele universo disruptivo em QuintoAndar

“Acho que trazemos de lá a segurança para fazer coisas que parecem anormais. Quase todas as grandes inovações do mundo foram contra o consenso. O consenso é normalmente conservador. Então, se a gente quer realmente inovar, a gente tem que estar confortável com remar contra a maré e tentar algo que, nas condições normais de temperatura e pressão, daria errado. E ir mudando essas condições.

Os primeiros passos, porém, foram bem racionais. Os sócios analisaram o tamanho do mercado brasileiro de imóveis e a proporção que a solução deles poderia afetá-lo. O passo seguinte foi observar a gravidade dos problemas que eles almejavam resolver. Por fim, a qualidade do produto a ser ofertado.

André não é modesto em dizer que, nesse último quesito, QuintoAndar é bem melhor do que o mercado como um todo, mas também reconhece que ainda existe um longo caminho pela frente. Atualmente, a empresa atua em 15 cidades brasileiras, das quais cinco são capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Goiânia – Porto Alegre e Curitiba devem as próximas.

Curiosamente, a ideia de empreendedorismo de André Penha não está ligada à independência financeira, ou a ficar rico e milionário. “Acho que existem jeitos mais simples de ganhar dinheiro do que empreender. Quando comecei a minha primeira empresa, eu nem conhecia a palavra ‘start-up’”, recorda.

E os desafios foram tantos que o empreendedor considera difícil eleger o mais  marcante nessa trajetória. No entanto, ele narra um episódio no início do Quinto Andar, quando ele e Braga voltaram dos Estados Unidos, em que ambos tinham uma dívida de aproximadamente 200 mil dólares. Quitar esses valores rapidamente e abraçar um emprego convencional, que oferecesse um bom salário, parecia muito mais tentador.

“Só não desistimos porque esse problema do aluguel, que tem um mercado muito ineficiente, é muito sério. E também porque a gente não precisava provar nada para ninguém. Fundos de venture capital até conheciam a gente, mas não acreditavam muito na ideia. Eles esperaram a gente ‘provar que fazia sentido’ antes de investirem. E a gente provou”, diz.

Sobre a nova rodada de investimentos de R$ 250 milhões, feito pelo fundo de private equity americano General Atlantic, que colocou a startup no ‘clube das bilionárias’, André faz uma reflexão sobre a evolução do mercado de investidores desde a época em que a empresa foi fundada.

“[Conseguir] dinheiro é difícil, mas o mercado hoje é muito mais profissional do que em 2012. As empresas também são muito mais preparadas do que a média das empresas na época, além de haver mais disponibilidade de capital, que é algo que o ecossistema de companhias bem-sucedidas faz acontecer. À medida em que mais empresas crescem e dão lucro aos investidores, outros investidores (ou os mesmos) vão se arriscar mais na próxima geração de empresas”, diz.

Para 2019, QuintoAndar projeta expandir a atuação para novas cidades e lançar novos produtos. Um deles é QuintoAndar para imobiliárias. Ao invés de sufocar os concorrentes, a empresa vai selecionar algumas companhias que vão poder usar a plataforma para acelerar o aluguel dos imóveis e a segurança dos proprietários. “Vai ser bom para todo mundo”, comenta André.

André também acredita que a dinâmica do mercado brasileiro de imóveis deve mudar nos próximos anos e que muitas pessoas vão preferir alugar do que comprar, privilegiando maior mobilidade habitacional. E nessa toada QuintoAndar entra com o desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas para seguir desburocratizando o aluguel de imóveis

“Acho que inteligência artificial pode ajudar muito na eficiência dos processos e a realidade virtual vai poder, em breve, ajudar na eficiência dos corretores, reduzindo as visitas dos clientes que não gostam do imóvel. O ideal para todo mundo seria que o cliente só visitasse imóveis que ele realmente gosta, e talvez um tour de realidade virtual, quando for amplamente adotado, ajude nisso”, diz.

Essa constante inovação foi um dos fatores que alçou a empresa ao posto de uma das startups mais desejadas do Brasil. Os louros, porém, são compartilhados entre os 600 funcionários do QuintoAndar. Na visão do fundador, os valores da companhia e os métodos de trabalho, em um ambiente que preza pela horizontalidade, promovem maior desenvolvimento profissional e aprendizado.

“Temos um time muito competente que eleva o nível das discussões e nos faz desenvolver autocrítica. A gente valoriza transparência e autonomia. Transparência porque você pode e deve dizer o que pensa de maneira estruturada. E autonomia porque os times podem tomar decisões bem embasadas por conta própria, mas sempre com a responsabilidade de entender e discutir com outros times da empresa”, pontua.

A empolgação, no entanto, é comedida quando o assunto é projetar QuintoAndar como um dos próximos unicórnios brasileiro. “Quem trabalha no QuintoAndar sabe que a gente não gosta de títulos. A gente gosta mesmo é de resultado. Então prefiro não confirmar, nem negar essa história de unicórnio”, brinca.

 

Fonte: Startse

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