ONG esclarece foto de cães mortos que causou polêmica em Divinópolis

Postado em 21/03/2018 17:30

Foto: Redes Sociais

A reportagem do Sistema MPA recebeu nesta quarta-feira (21) imagens enviadas por leitores de cães mortos no Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) em Divinópolis. Em algumas postagens na internet, chegou-se a relacionar os animais mortos com os sete cães que teriam sido recolhidos pelo Crevisa para castração na última terça-feira (20).

Em entrevista ao Sistema MPA, Amanda Lopes do projeto Vida Animal explicou que os animais das fotos publicadas não são aqueles que foram recolhidos para serem castrados e sim cães com leishmaniose.

Entre os animais mortos estava um cão da raça Dálmata, que foi recolhido pelo Crevisa no mesmo dia. Para Amanda, o animal “deveria ter tido a chance de ser salvo”. A ONG defende que animais em situação semelhante à do Dálmata sacrificado não sejam recolhidos pelo Crevisa e o trabalho com esses animais fique com as ONG’s. “Esse animal foi eutanasiado porque conforme consta o veterinário, ele estava em fase final de agonia, com miíase, bicheira, com a pata quebrada. Como o Crevisa não cuida, não oferece esse tipo de tratamento, eles sacrificaram o cão. Nossa posição como ONG é que estamos solicitando ao Crevisa que não recolha mais cães em nenhum estado, de forma alguma. Muitas pessoas quando deparam com a situação, elas se mobilizam, nós nos mobilizamos e socorremos o animal. O Crevisa, se recolher ele vai eutanasiar”, comentou.

Amanda explicou ainda que o Crevisa terá de agir conforme as normas federais e não poderá castrar qualquer animal, atuando apenas no controle de zoonoses.“A gente pede a diretoria de vigilância em saúde para que o Crevisa não recolha o animal em sofrimento e atue somente no que preconiza a lei, que é o controle de zoonoses. A vistoria na cidade, nas áreas endêmicas, para verificar os animais. Esse deveria ser somente o papel do Crevisa, porque é a exigência da lei federal”, afirmou.

O Projeto Vida Animal reitera que não está defendendo o Crevisa em eventuais procedimentos ilegais. Segundo Amanda, a ONG tem adotado o diálogo como estratégia buscar ações seguras em prol dos animais em Divinópolis. “Estamos agindo de uma forma diferente. Não batemos a porta para brigar. Estamos procurando agregar, unir para estar juntos nas decisões dos procedimentos futuros do Crevisa e agir corretamente, dentro da lei e oferecer um serviço seguro para a nossa cidade, sem qualquer tipo de maus tratos. A gente sabe que algumas coisas ainda estão em desacordo com isso, e é nisso que estamos trabalhando – no absoluto controle de que tudo feito lá dentro esteja de acordo com a lei vigente. Por isso a gente não sai nas mídias fazendo ataques. Primeiro, a gente procura entender o que está se passando. Porque falar qualquer coisa é muito fácil, mas apresentar provas e mostrar resultados, exames é totalmente diferente.”

Prefeitura se posiciona

Em nota, a prefeitura de Divinópolis confirmou o recolhimento dos cães no bairro Niterói, para a realização de castração na última terça-feira (20). De acordo com o município, a ação é parte de um programa para controle da transmissão de leishmaniose visceral. Os agentes de saúde explica aos moradores que os cães recolhidos passariam pelo processo no Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) e depois do período pós-operatório, seriam devolvidos aos donos. No caso de cães de rua, eles seriam deixados no mesmo local onde seriam recolhidos.

Com relação ao Dálmata, o cão foi encontrado abandonado em um lote. Ele foi recolhido a pedido da população após ouvir choros e latidos na noite de segunda-feira (19). De acordo com o município, conforme a legislação e de acordo com laudo do médico veterinário, o animal foi eutanasiado. Ele estava caquético, com os membros traseiros paralisados, com bicheira nas patas dianteiras e secreção no corpo.

Segundo o Município, a Semusa fará um boletim de ocorrência contra protetores de animais que estiveram no Crevisa nesta quarta-feira (21) e teriam invadido locais com acesso restrito aos funcionários, sem a presença ou acompanhamento dos servidores.

Ainda de acordo com a Prefeitura, as diretrizes técnicas para a realização da eutanásia dos cães são sempre obedecidas pelos técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa). O município não se opôs a remoção das carcaças realizada nesta quarta-feira (21) pela Polícia Ambiental atendendo ao pedido do Ministério Público, a fim de não deixar dúvida à necessidade da medida de sacrifício adotada. Os animais removidos serão levados para a Universidade de Formiga para realização de perícia.

Os animais armazenados dentro dos freezers deram positivo para leishmaniose e os donos assinam autorização para o procedimento ou são animais terminais com laudo assinado pelo médico veterinário. Os animais ficam no local até a retirada pela empresa responsável pelo recolhimento, o que ocorre uma vez por semana às quintas ou sextas-feiras.

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