O Festival Grito volta a Divinópolis depois de dez anos fora de cena, com três dias gratuitos de rap, rock, samba e baile drag. A 10ª edição acontece na sexta-feira (9), no sábado (10) e no domingo (11) de outubro, dividida entre a Casa Coletiva, na Praça do Mercado, 183, no Centro, e o Black Garden, na Rua Pitangui, 250.
Sob o tema “Vozes Periféricas”, o festival coloca a periferia no centro do palco e reúne artistas de Divinópolis, da região Centro-Oeste, de Belo Horizonte e de outros estados. A realização é da Casa Coletiva, Ponto de Cultura da cidade, e o Grito integra, em 2026, o Circuito Mineiro de Festivais, pela Rota da Diversidade.
O que esperar da 10ª edição do Festival Grito? Resumo em 30 segundos
- Três dias de programação gratuita, de 9 a 11 de outubro.
- Shows divididos entre Casa Coletiva e Black Garden, em Divinópolis.
- Black Pantera, indicado ao Grammy Latino 2026, é o nome mais aguardado.
- Tamara Franklin, de Ribeirão das Neves, abre a programação na sexta.
- Entrada gratuita, mas com ingresso obrigatório pelo Sympla.
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Qual é a história do Festival Grito?
O Grito nasceu como Grito Rock, em 2003, em Cuiabá (MT), criado pelo Coletivo Cubo e espalhado pela rede Fora do Eixo num modelo colaborativo, em que cada cidade produz sua própria edição. Em 2013, o festival chegou a acontecer em cerca de 300 cidades de 30 países, segundo levantamento da Unicamp.
Em Divinópolis, o Grito teve nove edições a partir de 2009 e marcou a história da cultura independente no Centro-Oeste de Minas. Consequentemente, após uma década parado, o festival volta em 2026 maior que o rock original: hoje reúne rap, swing, forró, samba de roda e baile drag no mesmo evento. “O Grito sempre foi lugar de quem não cabia nos palcos da cidade. Dez anos depois, ele volta para dizer que a periferia não é margem: é de onde a cultura nasce”, afirma Paulo Mata, morador da Casa Coletiva Divinópolis.
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Como fica a programação dos três dias?
A sexta-feira abre com o “Grito Preto: Vozes Periféricas”, às 20h, na Casa Coletiva, com 2BEVTZ, Emily Sniper, Complex e Tamara Franklin. O sábado começa cedo, às 8h, com café da manhã coletivo, seguido de oficina e mesa de debate sobre produção cultural, e vai até a madrugada no Black Garden, cujos portões abrem às 17h30.
Por isso, o sábado concentra a maior parte dos shows: “Grito Rock: Periferia em Alto e Bom Som” reúne Mull (18h), Sagrada Escritura do Gueto (19h) e Black Pantera (20h15); na sequência, o “Grito Safado” traz DJ Renan Voodoo Fraga, Babi Jaques e Swing Safado a partir das 21h45. O domingo fecha a programação com o baile Eleganza, de madrugada, e a roda de samba do Coletivo Takara, a partir das 11h, na Casa Coletiva.
Por que Black Pantera é a atração mais aguardada?
O trio de Uberaba (MG), referência do rock antirracista no país, tocou no Palco Sunset do Rock in Rio em 5 de setembro e concorre ao Grammy Latino 2026 na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, com o disco “Ao Vivo no Circo Voador”. O show em Divinópolis acontece um mês antes da cerimônia, marcada para 12 de novembro.
Sobretudo, a presença da banda reforça o peso da 10ª edição do Grito dentro do cenário nacional do rock. Visto que o grupo também foi anunciado pela terceira vez consecutiva como atração do Rock in Rio em 2026.
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Quem são as outras atrações de destaque?
Tamara Franklin, de Ribeirão das Neves, é a atração principal da sexta-feira. Escreveu o primeiro rap aos 8 anos. Foi a segunda rapper de Minas Gerais a lançar disco solo, “Anônima”. Venceu a 8ª edição do Prêmio da Música de Minas Gerais, em 2021, pelo Centro Cultural UFMG.
Na prática, o Swing Safado leva ao palco a energia de 13 carnavais nas ruas de Belo Horizonte, misturando musicalidade baiana com o tempero mineiro. Antes dele, Babi Jaques chega de Franca (SP) trazendo forró, xote e ritmos nordestinos. Já na virada de sábado para domingo, o festival recebe o Eleganza. Festa que há mais de dez anos coloca drag no centro do palco em Belo Horizonte. Com Rafa Mártir convidando Mac Júlia, Fran Glam Glam e Voga.
Há atividades de formação além dos shows?
Enquanto isso, a manhã de sábado transforma a Casa Coletiva em espaço de formação e articulação para quem produz cultura no interior. Às 9h, Fran Glam Glam conduz a oficina “Produção Artística de Eventos Culturais”. Às 10h, a mesa “Som Dellas: mulheres na produção de festivais” reúne Doiska, Irlana Cassini, Fran Glam Glam e Marcela.
Todas as atividades de formação são gratuitas e abertas ao público, encerrando com um almoço coletivo ao meio-dia. A Casa Coletiva, realizadora do evento, é Ponto de Cultura certificado, ativo desde 2013, com sede própria em Divinópolis desde 2021, e cofundou o Circuito 037, rede de cerca de 60 coletivos em 15 cidades da região.
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