Por que Divinópolis é chamada de Capital Mineira da Moda?
- O município reúne mais de 2.550 empresas ativas no setor de confecção.
- Cerca de 500 delas são indústrias formais, segundo o Sinvesd.
- A produção anual chega a cerca de 19 milhões de peças.
- O setor gera mais de 4 mil empregos formais diretos, segundo o Caged.
- Desde 2018, o título tem respaldo em lei estadual específica.
A Capital Mineira da Moda é o título que Divinópolis carrega há décadas, e os números ajudam a explicar o porquê. Enquanto muitos associam a cidade à siderurgia, ao comércio e à saúde, é na indústria de confecção que o município concentra um dos maiores polos produtivos do interior de Minas Gerais. Por isso, entender como esse setor se consolidou ajuda a explicar boa parte da economia local.
Segundo dados do Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), divulgados pela Prefeitura de Divinópolis, o município abriga mais de 2.550 empresas ativas na cadeia têxtil, entre confecções, facções, estamparias e fornecedores. Desse total, cerca de 500 são indústrias formais, responsáveis por produzir aproximadamente 19 milhões de peças por ano. Consequentemente, Divinópolis se consolidou como o segundo maior polo de confecção de Minas Gerais, atrás apenas da capital, Belo Horizonte.
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Como surgiu a vocação têxtil de Divinópolis?
Muito antes de conquistar o título de Capital Mineira da Moda, Divinópolis já demonstrava vocação para o empreendedorismo. Essa tradição começou ainda no século XX, quando pequenas oficinas de costura e empresas familiares passaram a produzir roupas para atender o mercado regional. Com o tempo, essas iniciativas cresceram e deram origem a um dos maiores polos de confecção do interior mineiro.
A localização estratégica da cidade, cortada por importantes rodovias e com forte influência da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, facilitou o transporte de matérias-primas e a distribuição das peças para diferentes estados. Esse cenário impulsionou o surgimento de centenas de indústrias, facções, estamparias, lavanderias e fornecedores especializados ao longo das décadas seguintes.
Quais espaços da cidade simbolizam a força da confecção?
Nas décadas de 1990 e 2000, Divinópolis se consolidou como destino de compradores de todo o Brasil. Era comum a chegada diária de ônibus de excursões de lojistas em busca da pronta entrega nas ruas Goiás e Pernambuco e nos centros atacadistas da cidade, movimento que por anos definiu a rotina do comércio local.
Com a transformação digital, o setor se reinventou. As viagens de compras deram lugar ao comércio eletrônico, permitindo que as marcas locais passassem a vender diretamente para clientes em todo o país. Na prática, isso ampliou o alcance das confecções de Divinópolis sem depender exclusivamente do fluxo físico de compradores.
Qual o peso da moda na economia de Divinópolis hoje?
O setor de vestuário representa uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, com estimativas oficiais apontando para algo próximo de 10% da economia local ligado direta ou indiretamente à cadeia têxtil. Além disso, o segmento gera mais de 4 mil empregos formais diretos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sem contar postos indiretos em fornecedores e serviços associados.
Sobretudo, a força do setor também aparece em iniciativas como a Semana da Moda de Divinópolis, promovida pela Prefeitura em parceria com o Sebrae e o Sindicato do Vestuário, criada justamente para dar mais visibilidade a um polo que, apesar do volume de negócios, ainda busca maior projeção nacional.
Como o poder público reconheceu oficialmente a Capital Mineira da Moda?
O reconhecimento do setor também ganhou respaldo legal. Em 2018, a ALMG sancionou a Lei Estadual nº 22.895, que instituiu Divinópolis como sede do Polo da Moda e Confecção do Centro-Oeste Mineiro. Segundo relatos do setor, esse arranjo produtivo reúne outros municípios da região.
Ainda assim, a legislação estadual reforça o papel de Divinópolis como referência regional na cadeia de moda e confecção, consolidando institucionalmente um protagonismo que já era reconhecido na prática pelo mercado havia anos.
O que explica a força atual da Capital Mineira da Moda?
A combinação entre tradição, qualidade de produção, inovação tecnológica e capacidade empreendedora ajuda a manter Divinópolis como referência para quem busca roupas produzidas em Minas Gerais. Enquanto isso, a concorrência de outros polos nacionais e a própria transformação digital do varejo seguem pressionando as empresas locais a se reinventarem.
Mais do que produzir roupas, Divinópolis construiu uma identidade econômica baseada na criatividade, no empreendedorismo e na capacidade de inovação. Por isso, o título de Capital Mineira da Moda não é apenas um apelido: é o reconhecimento de uma história construída por milhares de empresários, costureiras, modelistas, vendedores e trabalhadores que ajudaram a transformar a cidade em referência nacional do setor têxtil.
E você? Já comprou roupas produzidas em Divinópolis ou conhece alguma marca da cidade?














