Congadeiros de diversas guardas de Divinópolis participarão da Missa Conga, às 14 horas deste domingo, 17 de maio de 2026, no Santuário de Santo Antônio, av. 21 de Abril, 655. O culto eucarístico comemora os 138 anos da assinatura, pela princesa Isabel, da Lei imperial nº 3.353, conhecida como Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, que aboliu a escravatura no Brasil e que é lida durante a tradicional cerimônia. A missa será presidida por frei Leonardo Lucas Pereira, OFM, que celebra a cerimônia ininterruptamente há 49 anos em Divinópolis, com participação de frades do Convento de Santo Antônio.
Antes da missa, as guardas e os Estados da Coroa de todas as irmandades vão se concentrar no Largo do Rosário, de onde seguirão em procissão com as imagens dos santos patronos até o Santuário de Santo Antônio, com chegada prevista para as 13h.
Está prevista a participação das guardas de Moçambique, Congo, Catupé, Vilão e Marinha. Após a celebração, será oferecido aos congadeiros o tradicional Café de São Benedito no Centro Cultural do Povo, na praça Governador Benedito Valadares. Em seguida, as guardas e os Estados da Coroa retornarão em cortejo ao Largo do Rosário.
Os santos de maior devoção dos congadeiros são Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida e São Benedito. A celebração conta com apoio da Congregação das Irmandades Congadeiras, de Reinado, Festa de Cruz, Folia de Reis e correlatas de Divinópolis (CongaDiv) e da Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
Nove ritos
A celebração de missas com participação das irmandades dos congadeiros ou reinadeiros na antiga matriz do arraial do Divino Espírito Santo do Itapecerica, atual Divinópolis, está registrada em documentos da década de 1850. Entretanto, a Missa Conga no formato atual começou no fim da década de 1960, a partir de pesquisas do folclorista, antropólogo e professor Romeu Sabará, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ele constatou semelhanças entre o ritual da missa católica e os rituais dos congadeiros em diferentes circunstâncias, como chegada à casa de alguém, almoço e agradecimentos. O professor identificou nove ritos para a Missa Conga, com músicas e danças próprias: ritual de entrada, penitencial, da palavra, do ofertório, da consagração, da amizade, da comunhão, de ação de graças e de despedida.
A primeira celebração nesse formato foi registrada no curta-metragem “Congadas”, dirigido pelo cineasta, professor e padre Edeimar Massote, em 1976, com fotografia de Hélio Márcio Gagliardi e colaboração do padre Nereu de Castro Teixeira. A missa foi celebrada em Ouro Preto, com participação das guardas Caboclinhos e Catopê do Serro, Marujos e Moçambique de Belo Horizonte, Congo de Raposos, Candombe e Congo da Lagoa de Santo Antônio e Vilão de Oliveira.
Em Divinópolis, por sugestão do antropólogo e professor José Alaor Bueno de Paiva e com apoio do antigo Setor de Programas Especiais da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, a primeira Missa Conga no rito atual foi celebrada em 15 de maio de 1977, em frente ao Santuário de Santo Antônio, pelo próprio frei Leonardo Lucas Pereira, OFM, que desde então mantém a tradição anualmente, reunindo irmandades de Divinópolis e de cidades vizinhas. Posteriormente, a celebração litúrgica se espalhou por municípios da região.
A Lei Áurea
A Lei nº 3.353, conhecida como Lei Áurea, foi assinada pela princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, decretando oficialmente o fim da escravidão no Brasil. Apesar disso, a abolição não ocorreu de forma imediata em todo o país, devido à demora na circulação das notícias e à resistência de fazendeiros conservadores.
Antes da assinatura da lei, muitos negros já haviam conquistado a liberdade por meio das leis do Ventre Livre, de 1871, e dos Sexagenários, de 1885, além da compra de cartas de alforria e da atuação de organizações abolicionistas. A própria princesa Isabel adquiriu cartas de alforria para libertar escravizados.
O texto da Lei Áurea é considerado curto e objetivo, declarando extinta a escravidão no Brasil a partir da data de sua assinatura. A lei foi sancionada enquanto o imperador Dom Pedro II estava em tratamento médico na Itália. Em carta enviada ao pai, a princesa Isabel comunicou a assinatura da lei e celebrou o momento histórico.
A princesa e a coroa de Nossa Senhora Aparecida
Católica fervorosa, a princesa Isabel era devota de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Após enfrentar dificuldades para engravidar, fez uma promessa à santa e, depois de ter filhos, presenteou a imagem de Nossa Senhora Aparecida com uma coroa de ouro adornada com diamantes e rubis, além de um manto azul bordado a ouro.
A doação foi feita em 6 de novembro de 1888, durante visita à antiga basílica de Aparecida, em São Paulo. A coroa permanece junto à imagem da padroeira do Brasil e foi colocada oficialmente na imagem em 1904. Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil em 1930 pelo papa Pio XI.














