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Comunidade do Quintino celebra São Tiago Menor

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A comunidade do Bairro Quintino, em Divinópolis, está celebrando seu padroeiro São Tiago Menor, cuja festa é no dia 03 de maio (domingo). As 18h Missa com um dos padres da Paróquia São Pedro – Ministério de Música: Coral São Tiago Menor. Em Ação de Graças: Aos Sacerdotes, todos os devotos de São Tiago Menor, patrocinadores, apoiadores, festeiros e comunidades participantes.

“Irmão de Jesus”

São Tiago — chamado comumente “o menor” para distingui-lo de São Tiago “maior”, irmão de São João Evangelista — nasceu em Caná, na Galileia, onde Nosso Senhor Jesus Cristo operou seu primeiro milagre, a pedido de sua Mãe Santíssima. O seu nome vem do hebraico “ya’aqob”, que significa “a quem Deus favorece”. Era filho de Alfeu de Cleofas. Sua mãe, Maria — ou Maria Cleofas, como aparece no Evangelho — era irmã ou parente próxima da Santíssima Virgem, o que o fazia parente de Nosso Senhor.

Tiago tinha três irmãos (Mt 13,55), José, Simão e Judas. Esta enumeração certamente obedece à ordem de antiguidade dos mesmos, sendo, portanto, Tiago o irmão mais velho. Eles são chamados “irmãos” de Jesus.

Com relação a essa expressão, o saudoso arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo Silva, explica no seu abalizado livro Concordância dos Santos Evangelho: “Os judeus davam o nome de irmãos aos parentes mais próximos, como aliás se verifica em diversas passagens da Escritura. Lot é chamado irmão de Abraão, Jacó irmão de Labão, bem que fossem apenas seus sobrinhos. Misael e Elsafam, primos de Oziel, Tobias, primo de Sara, são chamados irmãos entre si. Assim também Tiago, José, Judas e Simão são chamados irmãos de Jesus, sendo apenas seus primos”.

Esse uso, aliás, ainda predominava há pouco em alguns países como a Índia, onde chamam ou chamavam os primos-irmãos simplesmente de irmãos.

Acrescenta o ilustre Prelado, citando o Pe. Fouard: “O termo hebraico […] habitualmente traduzido por irmão, tem um sentido mais lato, e designa, ora um parentesco remoto (Gn 12,5; 13, 12, Nm 8, 26), ora uma comunidade de raça ou de pátria (Gn 9, 25; Nm 20,14 etc,) ora simples relações de amizade (2,Rs 1,26; 3 Rs 9,13 etc.)”.

Já alguns hereges antigos, como Helvidio, sustentavam que os “irmãos de Jesus” eram os filhos de São José e da Virgem Maria. Essa opinião tem sido reavivada por hereges modernos, a maioria deles exegetas protestantes, que se baseiam em evangelhos apócrifos. Pelo contrário, nós, católicos, afirmamos que eles eram primos de Nosso Senhor por várias razões, entre as quais a antiguidade da crença na virgindade de Maria Santíssima.

Segundo a Legenda Dourada, de Jacques de Voragine, século XII, “Foi também chamado irmão de Nosso Senhor porque se assemelhava muito bem a Nosso Senhor em corpo, em visão, e nos modos. Foi chamado Tiago, o Justo, pela sua grande santidade […]. Cantou em Jerusalém a primeira missa que nela foi cantada, e foi seu primeiro bispo”.

Bispo de Jerusalém

Como afirmado acima, São Tiago Menor foi o primeiro bispo de Jerusalém, que governou por 30 anos. Segundo a tradição, ele conquistou grande autoridade pela austeridade de vida, assídua oração e observância escrupulosa da Lei.

O próprio São Pedro reconhecia essa autoridade, pois após sair da prisão libertado por um anjo, ele se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos, e lhes disse: “Contai isto a Tiago e aos irmãos” (At 12, 12-17).

Segundo o site The Catholic Spirit,”Tiago presidiu o Concílio de Jerusalém em 51, e com grande sabedoria e compaixão, argumentou que os convertidos gentios não eram obrigados a seguir as leis alimentares judaicas (At 15, 13-21); devido à sua justiça, ele é também conhecido como Tiago, o Justo. Paulo se encontrou com ele em Jerusalém pelo menos duas vezes, uma no ano 37, depois de ter passado 15 dias com Pedro (Gl 1,18-19), e outra vez em 56, quando conferenciou com Tiago e os outros presbíteros (At 21,18). Paulo o chamou de ‘pilar’ da comunidade, juntamente com Pedro e João (Gl 2,9)”.

São Paulo deve tê-lo encontrado pouco depois, e reconheceu sua autoridade, mencionando-o em sua visita a Jerusalém antes que todos os outros: Encontrei “Tiago, Cefas, João, considerados como as colunas” da Igreja de então (Gl 2,9).

São Tiago escreveu uma carta aos hebreus convertidos da diáspora, dispersos por vários países. É conhecida como a primeira “Epístola Católica”, da qual nos ocuparemos adiante.

Martírio

O historiador judeu Flávio Josefo (37 ou 38 – ca. 100), em sua obra Antiguidades do Judaísmo,escrita no final do primeiro século, descreve o martírio de São Tiago. Também Santo Hegésipo (séc. II) — do qual diz o Martirológio Romano que “muito chegado aos tempos apostólicos […] compôs uma História da Igreja, desde a Paixão do Senhor até a sua época” — traz um longo relato desse martírio, que muitos julgam que se baseiam em algumas legendas. O historiador Eusébio de Cesareia — chamado “pai da História da Igreja — transcreve por inteiro esse relato em sua História Eclesiástica.

Segundo esses autores, como Albino, sucessor de Festo como procurador da Judéia, não tinha chegado ainda à Palestina, no ano de 62 o sumo sacerdote Ananias, o Jovem, vendo que os sucessos de Tiago suscitavam feroz oposição entre os judeus, convocou o Sinédrio, que o condenou à prisão, exigindo que ele renunciasse a Jesus Cristo. Como o Apóstolo recusou categoricamente, levaram-no ao pináculo do Templo, de onde o jogaram para uma multidão enfurecida que estava em baixo. Como o santo não morreu na queda, começou a ser apedrejado.

De joelhos, São Tiago rezava pelos que o apedrejavam. Então “um deles, mais corpulento, pegou um porrete dos que se usa para bater panos, e golpeou violentamente a cabeça do justo”, matando-o instantaneamente.

São Tiago foi enterrado perto do Templo, onde ainda na época de Santo Hegésipo e Eusébio se encontrava seu monumento. E, segundo São Jerônimo, sua lápide permaneceu até o tempo do imperador Adriano (177-138), quando então se perdeu.

Seus restos mortais foram transferidos em 351 para uma igreja de Jerusalém, e depois transferidos novamente para outra igreja, na mesma cidade, construída sob o imperador Justino II (565-578), e a ele dedicada. Entretanto, isso colide com a notícia de que, no tempo do Papa Pelágio (556-561), foi construída uma basílica dedicada aos Apóstolos Tiago e Felipe, para abrigar seus restos mortais. Essa basílica foi completada pelo Papa João III e atualmente é dedicada aos Doze Apóstolos. Desde então a festa litúrgica dos dois santos era comemorada no Ocidente no dia 1o de maio, tendo sido transferida em 1955 para o dia 11, a fim de acomodar a festa de São José Operário no dia 1º. Uma revisão posterior do calendário mudou a festa para 3 de maio.