A escritora Adélia Prado, de 90 anos, apresenta melhora no tratamento de infecção sistêmica (sepse) após ser internada no Hospital São Judas Tadeu, em Divinópolis. De acordo com boletim médico divulgado nesta sexta-feira (15), ela tem previsão de alta para a próxima semana.
Adélia responde bem à fisioterapia, tem evolução favorável nos aspectos respiratório e motor, e mantém a nutrição adequada. O dia exato da internação não foi informado pela unidade.
A infecção sistêmica, que motivou a hospitalização, se espalha pela corrente sanguínea e pode comprometer diferentes órgãos, mas a equipe médica indica que o quadro da escritora está controlado.
Esta é a segunda vez que Adélia Prado é hospitalizada em 2026. No início do ano, ela caiu em casa e sofreu fraturas no fêmur, no cotovelo e no joelho. Internada em 19 de janeiro, passou por cirurgias e recebeu alta em fevereiro.
Saiba mais sobre Adélia Prado
Nascida em Divinópolis, em 13 de dezembro de 1935, Adélia Prado construiu uma trajetória marcada pela originalidade poética, pela linguagem simples e pela abordagem do cotidiano sob a perspectiva feminina.
Os primeiros poemas de Adélia Prado foram publicados em jornais de Divinópolis e Belo Horizonte. Em 1971, dividiu com Lázaro Barreto a autoria do livro A Lapinha de Jesus. A estreia individual ocorreu em 1975, quando seus poemas chegaram às mãos do crítico Affonso Romano de Sant’Anna, que os apresentou a Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond encaminhou os textos à Editora Imago, resultando na publicação de Bagagem, obra que chamou a atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.
Em 1978, Adélia publicou O Coração Disparado, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti. No ano seguinte, deixou o magistério para se dedicar exclusivamente à literatura. Além da poesia, lançou obras em prosa, como Solte os Cachorros (1979) e Cacos para um Vitral (1980). Também atuou no teatro, dirigindo montagens de textos de Ariano Suassuna e Dias Gomes.
Entre 1983 e 1988, exerceu o cargo de chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Divinópolis, função que voltou a ocupar em 1993. Sua obra passou a ser estudada em universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. A autora também participou de eventos literários no Brasil e no exterior, como a Semana Brasileira de Poesia, em Nova York.
A produção literária de Adélia Prado é marcada por uma linguagem direta e coloquial, que aborda temas como fé católica, família, cotidiano e a experiência feminina. Sua poesia destaca o olhar da mulher comum, sem caráter militante, e consolidou a autora como uma das referências centrais da poesia brasileira.
Casada desde 1958 com o bancário José Assunção de Freitas, Adélia é mãe de cinco filhos.
Reconhecimento recente
Em 2024, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Camões, considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa. Em setembro de 2025, publicou O Jardim das Oliveiras, seu primeiro livro inédito em 12 anos, enquanto suas obras anteriores foram reeditadas pelo Grupo Record.
No ano passado, também foi agraciada com uma bênção apostólica do Papa Leão XIV, em celebração ao seu aniversário, após um pedido encaminhado pela Diocese de Divinópolis. Recentemente, ela foi cotada para o Prêmio Nobel de Literatura, ganhando reconhecimento de leitores no exterior.
Atualmente, o Museu Histórico de Divinópolis tem uma exposição sobre ela.
Aos 90 anos, Adélia Prado segue ativa, participando de encontros literários, publicando textos e emocionando leitores no Brasil e no exterior, mantendo-se como uma das mais relevantes escritoras vivas da literatura brasileira.











