Estudantes divinopolitanos apresentam aplicativo em evento internacional

Postado em 24/04/2017 14:55

O descarte de rejeitos, quando realizado de maneira incorreta e em locais inadequados, provoca impactos no meio ambiente, na estética das cidades e, também, na saúde pública. Pensando em transformar essa realidade, alunos da Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira, em Divinópolis, desenvolveram o “EcoApp: Plataforma Sustentável”, aplicativo para ajudar moradores da cidade a descartarem corretamente os resíduos e adotarem práticas sustentáveis.

A iniciativa, já apresentada em feiras de ciências nacionais, representou o Brasil no 13º Concurso de Projetos Empresariais, Ciência, Tecnologia e Inovação, realizado entre 20 e 22 de abril, em Ambato, no Equador. Participaram também estudantes da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá e Peru.

“Participar do encontro representa ampliação dos horizontes, uma oportunidade para apresentarmos nosso trabalho a estudantes de outros países e trocarmos conhecimento. É um reconhecimento para a escola e para o projeto”, comenta Fernando Gontijo Resende Souza, ex-aluno da Escola e um dos idealizadores do aplicativo, criado em 2016.

Juntamente com Fernando, o projeto foi desenvolvido, no ano final do ensino médio, pelas estudantes Karla Guimarães e Patrícia Teixeira Reis durante a disciplina de Biologia, para a Feira de Ciências da Escola.

“O trabalho está totalmente alinhado às aulas de ecologia em que estudávamos os impactos ambientais provocados pelo descarte de rejeitos em locais como encostas de rios e lixões, que contamina lençóis freáticos, o solo, destrói a biodiversidade e leva à intoxicação dos seres humanos por ingestão de alimentos contaminados. Então, buscamos uma ação para ajudar a diminuir esses problemas e que alcançasse as pessoas”, explica Karla Guimarães.

Os estudantes foram orientados pelos professores Elrison Ferreira, de Biologia, e Eliane Santos, de Matemática.

Antes de lançarem o “EcoApp: Plataforma Sustentável” – disponível para sistema Android e download gratuito na PlayStore –, a equipe realizou uma pesquisa online com 277 famílias da região para mensurar o conhecimento da população em relação aos locais e formas corretas de se descartar os resíduos.

“Constatamos que 87% não sabem como descartar, 65% não sabem onde levar os materiais e 78% dos entrevistados desconhecem a existência e o funcionamento da coleta seletiva em seus bairros”, afirma Karla.

De acordo com o estudo, semanalmente são reciclados em Divinópolis mais de 370 quilos de materiais, sendo 81,75 de vidro (22%), 84,11 de garrafa pet (22%), 181,96 de papelão (48%), 23,73 de alumínio (6%) e 5,82 de aço (2%).

”Divinópolis tem muitos lixões a céu aberto, a cidade não valoriza e tem dificuldade de manter cooperativas e pontos de descarte. Diante desses números, torna-se evidente a necessidade de uma mudança de hábitos por meio de uma reeducação ambiental completa e gradativa”, pontua Karla.

Segundo o professor Elrison, a ferramenta fomenta a consciência sustentável e democratiza o conhecimento. “O aplicativo insere-se no cotidiano da população que, mesmo com a falta de tempo, utiliza smartphones como meio de informatização. A ideia é que ele sirva como uma plataforma educacional, dotada de informações objetivas a respeito de práticas sustentáveis no dia-a-dia”, diz.

Os estudantes desenvolveram o aplicativo (em uma plataforma online), o design e as ferramentas que o compõem, e fizeram a divulgação na escola, na comunidade, nas redes sociais e mídias locais. “Os moradores receberam bem a proposta e ressaltaram a importância da iniciativa. Entendemos que a sustentabilidade é uma preocupação social de todos e transformando-se em ações práticas e efetivas mudará a realidade do planeta”, ressalta Karla.

Na página inicial do EcoApp, os usuários têm acesso a oito ícones, que oferecem diferentes serviços – dicas e sugestões sobre sustentabilidade para incorporarem na rotina; descarte de recicláveis, eletrônicos e infecto-cortantes com mapeamento de locais para a população descartar cada tipo de material.

 “Os mapas constituem a principal ferramenta do aplicativo, pois informam os postos que realizam a coleta e dão novos ciclos aos diversos tipos de resíduos, funcionando como logística reversa, que são procedimentos que visam à restituição dos rejeitos sólidos ao meio empresarial para reaproveitamento ou destino final ambientalmente adequado”, explica o professor de Biologia.

Além de Divinópolis, o aplicativo incorporou à área de abrangência dos mapas as cidades de Belo Horizonte, Contagem, Pará de Minas, Bom Despacho, Nova Serrana e Juatuba. “Estamos tentando entrar em contato com alguns órgãos para tornar o aplicativo nacional”, comenta Fernando Gontijo que, atualmente, cursa Medicina na Universidade Federal de Lavras.

Fernando destaca o caráter econômico do projeto. “É uma oportunidade de geração de renda para os catadores e para as empresas. Utilizando o aplicativo, as pessoas podem encontrar locais que pagam pelos materiais”, diz.

De acordo com o estudante, a equipe está trabalhando para disponibilizar o EcoApp em aparelhos com sistema IOS e em uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) para disponibilizar o domínio e permitir que o público acesse o site do projeto.

Referência

A Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira já é referência na cidade por estimular seus estudantes a elaborarem projetos, promover eventos para divulgações das ações e inscrever seus educandos em encontros científicos pelo Brasil.

“O intuito é cultivar neles a cultura cientifica, ensiná-los a escrever uma pesquisa, compreender etapas metodológicas e saber aplicá-las. Além disso, essas iniciativas aproximam educando e educador, visto que trabalham em conjunto, e a comunidade local, pois eles se envolvem e trocam conhecimento com os moradores”, afirma o professor Elrison.

Fernando compartilha do pensamento do professor. “Os projetos são interdisciplinares e estão sempre relacionados às matérias estudadas em sala. Além do científico, também são realizadas ações culturais, sociais, entre outras, que estimulam o conhecimento acadêmico e o protagonismo estudantil”, destaca.

Em 2015, Fernando e outros estudantes desenvolveram o trabalho “Energia Piezo Elétrica” – que demonstrou a transformação da energia mecânica em elétrica – e conquistaram o 3º lugar na Feira de Ciências da Escola. O projeto foi apresentado na feira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG Jovem).

Em 2016, o “EcoApp: Plataforma Sustentável” ganhou o 1º lugar na feira interna da escola e na Feira de Ciência, Tecnologia, Educação e Cultura (Fecitec) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Campus Formiga –, na categoria Ciências Biológicas, recebendo bolsa de iniciação científica e credenciamento em feiras internacionais.

Em março de 2017, o aplicativo foi exposto na Universidade de São Paulo (USP), durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrece), a maior do Brasil. “O importante é o intercâmbio de ideias, que eles consigam trazer informações e conhecimento para a escola. É uma grande alegria para todo professor perceber que seus alunos tornam-se mais atuantes a partir do conhecimento aprendido na escola, saber que a iniciativa funciona, que o aluno tem uma formação ampla, cidadã e que modifica olhar para o mundo”, comenta Erilson.

Adriana Lacerda, vice-diretora do turno da tarde, destaca o empenho dos estudantes. “Eles estão sempre dispostos em encontrar soluções para os problemas, buscar o bem-comum e contribuir para a sociedade. Essas ações demonstram que, apesar das dificuldades, a escola pública tem projetos bons e alunos inovadores e com um enorme potencial”.

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