Em Oliveira: Menina de 6 anos é excluída de formatura por ter síndrome de down

Postado em 20/12/2018 7:32

Reportagem de Pedro Ferreira para o Jornal “O tempo”

 

A pequena Isabela, 6, tem síndrome de down e, durante um ano após seu nascimento, teve que lutar para sobreviver devido a um problema cardíaco. Mas os desafios enfrentados pela garotinha não pararam por aí. E é na própria escola, que deveria incluir ao ensinar a todos a conviver com as diferenças que a ela tem que lutar contra o preconceito. A família da menina afirma que ela foi excluída da festa de formatura da Escola Municipal Cristo Redentor, em Oliveira, no Centro-Oeste de Minas.

A mãe de Isabela, Telma Cassiano, 39, só teria descoberto o evento, por acaso. “A mãe de uma coleguinha de escola pediu carona à minha cunhada, mãe de Isabela, perguntando se ela iria de carro à festa de formatura na sexta-feira da semana passada. Minha cunhada ficou surpresa. Ela não estava sabendo de nada”, denuncia a tia da garota, a gerente administrativa Fabrícia Andrade, 37.

A situação, segundo a familiar, teria abalado Telma, que está no sexto mês de uma gravidez de risco. Por conta disso, a pressão dela subiu ao saber que a filha não participaria da formatura, que seria na sexta. “Ela chorava muito”, conta a tia.

De acordo com Fabrícia, a professora deu três desculpas diferentes para a família. “Ela falou que eram muitos alunos e que haviam se esquecido da Isabela; que ela não era da turma de formandos; e que ela havia se esquecido de fazer o convite da minha sobrinha”, afirmou.

Isabela, conta Fabrícia, também não teria participado dos ensaios para apresentação de uma música durante a festa. A mãe da menina também é professora da rede estadual de ensino. A tia diz que a escola da sobrinha chegou a entregar à cunhada uma foto da formatura das crianças, na semana anterior, mas não falaram nada da festa e da apresentação musical. “Não disseram nada”, reagiu a tia.

Fabrícia afirma que os convites foram feitos em sala de aula, pintados pelos próprios alunos e entregues aos pais com antecedência. “Teve também um ensaio em sala de aula, que era uma música que todas as crianças iriam cantar juntas no dia da formatura. A Isabela não participou de nada. Não teve a inclusão da minha sobrinha na festa pelo simples fato de ela ter síndrome de down”, denuncia a tia.

Para a mulher, é lamentável o que aconteceu. “Durante um ano, ela ficou no CTI com problemas cardíacos. Ela continuou com uma sonda e ainda faz uso de um marcapasso”, conta Fabrícia.

Engano

A diretora da Escola Municipal Cristo Redentor, Maria Helena Soares, garante que Isabela não foi excluída da formatura e dos ensaios. Ela conta que a menina chegou à escola em março, transferida de uma instituição particular, e faltou 84 dias por problemas de saúde. Maria diz que a menina foi colocada em uma turma para adquirir um base e, depois retornar a outra.

“As professoras de arte ficaram de fazer os convites da formatura em sala de aula. Uma delas pegou a listagem do segundo período, mas o nome da Isabela estava na lista do primeiro”, alega. A escola informou que abriu um processo administrativo para apurar os fatos.

Convite

A diretora e a professora da escola foram à casa de Isabela, um dia antes da formatura, entregar o convite. Mas a menina não compareceu por estar usando antibióticos, e chover muito no dia, segundo a tia.

 

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