Educadores explicam exposição de estudantes que teria ofendido religiosos

Postado em 12/06/2018 17:29

Alguns dos trabalhos que causaram polêmica:

 

Quatro educadores da Escola Estadual Manoel Corrêa Filho, no bairro Planalto estiveram na tarde desta terça-feira (12) na Câmara Municipal de Divinópolis para esclarecer para os dezessete Vereadores as questões interpretativas das imagens utilizadas na exposição do espaço GTO e a motivação do trabalho dos adolescentes.

A reunião aconteceu minutos antes da abertura da 33ª Reunião Ordinária, e teve a presença maciça dos 17 representante legais de Divinópolis que se dispuseram à ouvir o Diretor da Escola Manoel Corrêa Filho – Fabrício Gonçalves; a Supervisora – Michele Ribeiro; a Professora de Língua Portuguesa – Maria Barreto e a Professora de Artes – Bruna Diniz.

Inicialmente Maria Barreto, mais conhecida como “Dorinha”, explicou que não foi feito nenhum deboche com as imagens utilizadas na exposição. “Não tivemos o interesse de debochar de nenhum assunto relacionado às imagens, o intuito era de fazer uma alusão artística da atualidade em que vivemos”. A professora afirmou que foram feitas inúmeras pesquisas dos adolescentes para que fosse possível apresentar um bom trabalho. “O objetivo não foi de ofender nenhuma crença, e sim pelo contrário, o intuito era acrescentar a cultura dos jovens de modo que desse movimento e envolvesse os alunos com os diversos temas. É um trabalho sério, sem apologia nenhuma ao crime, violência ou à bebida alcoólica”, frisou Maria Barreto.

Dentre as imagens estão releituras como: “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci, “Ceia de Emaus” do pintor Michelangelo Merisi da Caravaggio; entretanto conforme a explanação da Professora de Artes da Escola Estadual Manoel Corrêa Filho, “hoje em dia é difícil estimular os alunos, por isso, houve a iniciativa de fazê-los reproduzir as imagens através de releituras possibilitando maior interesse durante o aprendizado. Quando uma escola hoje estuda pinturas de Caravaggio? E outro ponto importante é que as pessoas entendam que foi feita uma releitura e não uma cópia das imagens. É todo um processo diferenciado quando se faz uma releitura”, ponderou Bruna Diniz.

Em seguida das explicações foi passada a palavra para os Vereadores que haviam se pronunciado em plenário sobre o assunto durante a reunião anterior. E a primeira a se manifestar foi a Vereadora Janete Aparecida que explicou aos educadores sua posição como Cristã ao ver as imagens. “Apesar de me sentir ofendida no momento em que vi as imagens, eu em momento nenhum, não fiz estardalhaço nas redes sociais conforme deve ter chegado para vocês. E quanto ao esclarecimento feito no facebook foi devido ao grande número de comentários que estavam repercutindo e nos afetando enquanto representantes da cidade” disse Janete. A Vereadora porém, pediu aos educadores para terem um outro olhar para as próximas exposições, para que não hajam mais problemas de interpretação.

 

O Vereador Raimundo Nonato falou que enquanto membro da Comissão de Educação da Câmara recebeu diversas mensagens de professores questionando o teor e a interpretação da exposição. Fazendo coro ao Vereador, Cleitinho Azevedo também comentou que recebeu inúmeras mensagens no seu celular durante a reunião questionando sobre a exposição. “Eu não tinha nem visto a exposição ainda, e confesso que fiz um ‘pré-julgamento’ antes de saber sobre o assunto”, disse.

O Vereador Sargento Elton parabenizou aos professores pela humildade de virem até a Câmara para explicar a motivação da exposição. “Inicialmente eu achei que a exposição era no GTO no bairro Niterói. Cheguei a ir lá, e só após vim saber que era na Câmara. Porém, nós como representantes de uma parcela da população, entendemos a essência do que está sendo explicado aqui hoje, mas é nosso dever defender nossa fé e crenças” argumentou Elton.

Por fim, o Vereador Edson Sousa disse que viu a obra, e também foi procurado por vários diretores, mas em sua opinião dentro do conceito do que é ‘sagrado’, não se sentiu ferido. “Arte é arte e temos que respeitá-la”, finalizou.

Contudo, os educadores agradeceram pelo espaço cedido e pelas visualizações que a exposição teve mesmo além da repercussão polêmica, também houve muita repercussão positiva. A exposição permanecerá no Espaço GTO até o dia 20 de junho de 2018.

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